terça-feira, 23 de outubro de 2007

A FORÇA DO PENSAMENTO


Por José Antonio Ferreira da Silva
“Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e pela vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites da nossa esfera corporal.”
Allan Kardec – O livro dos espíritos. ([1857]2006:377)


É impressionante a maneira como as pessoas estão alienadas em relação a elas próprias. Elas desconhecem, por completo, os potenciais que possuem e continuam buscando em amuletos, talismãs e rituais, a solução para as situações desagradáveis que estão vivendo. Agem assim porque sempre se vêem como vítima, seja do destino, do azar ou do que for; sempre esperando alguém que as salve. No entanto, a verdade é que o poder capaz de operar essa mudança em suas vidas não está fora, mas, dentro delas mesmas. Na realidade, somos nós, conscientes ou não, que construímos o nosso destino. Por isso, precisamos entender que enquanto continuarmos ignorando nossos poderes internos, nossas vidas continuarão em desajuste.
Pensar é o nosso maior atributo; através do pensamento construímos ou destruímos e, acima de qualquer coisa, modificamos e transformamos, não só o nosso mundo interno e particular, como também, o universo que nos rodeia e no qual estamos inseridos. Podemos afirmar que é através do pensamento que escrevemos o nosso destino. A tal respeito ensina-nos o espírito Hammed ([2000] 2000:52) que:
A força do pensamento influencia o próprio destino humano. O ato de pensar é um dos mais poderosos recursos do indivíduo; é a própria capacidade da mente de transformar ondas energéticas, dando-lhes solidez, forma e sentido.
Desta maneira, categoricamente podemos afirmar: somos o que pensamos e tudo provém do pensamento, de modo que é hora de darmos mais atenção aos pensamentos que alimentamos, às crenças que nutrimos e aos juízos que fazemos, pois são eles que determinam tudo que estamos vivenciando. Se o que estamos vivenciando é resultado do que guardamos na alma, reciclar e substituir os pensamentos são a melhor maneira de ajustarmos nossa vida. Esclarece-nos novamente Hammed ([1997] 1997:125) que:
(...) tudo o que está acontecendo em tua vida são produtos de tuas crenças e pensamentos, que se materializam por fora de ti mesmo; não são, pois, nem punições e nem recompensas, mas reações desencadeadas pelas tuas ações mentais
Não importa por quanto tempo alimentamos pensamentos negativos; podemos modificá-los a qualquer momento. Somos nós quem os escolhemos, os mantemos, e consecutivamente somos os únicos a poder alterá-los, e isso, no momento que quisermos. Se o que estamos vivendo não é bom, com certeza os pensamentos que os geraram também não o são, mas, podemos alterar essa realidade apenas modificando as nossas atitudes mentais. Não existe acaso, nem coincidência ou fatalismo, logo, somos os grandes responsáveis pelo que estamos vivendo. Sobre isso, esclarece Luiz Gasparetto ([1996] 1998:84):
Somos o que fazemos de nós. Estamos onde nos colocamos. Somos o capitão do barco de nosso destino. Dirigimos nossa vida pelas nossas atitudes. Criamos atitudes com aquilo que escolhemos acreditar. E crenças, a gente muda quando quer.
Renasceremos inúmeras vezes, entre outras razões, para aprendermos usar os nossos potenciais internos, dentre eles, a habilidade de lidar com os pensamentos, ou seja, aprendermos a usar nosso potencial mental, sendo esse um dos principais focos de nossa aprendizagem atual. A evolução é um processo que parte do simples para o complexo, é uma trilha que gradualmente vai capacitando-nos para o uso de nossos atributos naturais. É imprescindível aproveitarmos cada experiência, cada oportunidade, compreendendo que quanto mais o aproveitamos, tanto mais evoluímos. É fundamental, portanto, para o nosso aperfeiçoamento, o uso da vontade na disciplina dos pensamentos.
Felicidade é o produto da responsabilidade que temos de usar bem o poder da vontade. Vontade essa que é a força motriz a nos impulsionar rumo à perfeição. Pensar é criar, escolher e construir. Escolher o melhor é tarefa para quem compreendeu que ninguém pode nos fazer feliz, pois, felicidade é conquista interior que poderemos compartilhar. Porém, cada um deverá construí-la por si mesmo, usando para isso o poder do pensamento e da vontade.
O pensamento, dizíamos, é criador. Não atua somente em roda de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura. (León Denis, [1919] 1987:355).
Se por um lado somos detentores desses potenciais, por outro somos os únicos responsáveis pela felicidade ou infelicidade que estamos vivenciando. De forma que perguntamos: que pensamentos você alimenta? Que direção dar seu poder de vontade? – Responda a si mesmo!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Veja com os olhos da alma!



Por José Antonio Ferreira da Silva




Sendo os espíritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é então a existência da alma. Allan Kardec – L.M.


Diante de um mesmo fato, são diversas as posturas que podemos ter. Há quem veja esse fato com seriedade, há quem o ignore, mas também há aqueles que aproveitam cada ensinamento advindo do tal acontecimento. Diante das manifestações espirituais, por exemplo, as posturas também são as mais diferentes: há aqueles que as têm por passatempo, outros que vêem ali oráculos, como também os que as vejam por divinas ou demoníacas. A verdade é que poucos aproveitam a oportunidade de aprendizagem e crescimento que estão presenciando.
Nos memoráveis fenômenos das mesas girantes, que foram a coqueluche do século XIX, poucos perceberam a importância do que estavam vivendo. Aquela oportunidade ímpar de confabulação com os espíritos foi, por muitos, malbaratada. Entretanto, um que soube aproveitar e enriquecer ainda mais aquele diálogo foi Allan Kardec. Ele é o nosso grande referencial; enxergou além encontrando, naquela oportunidade, respostas para questões que há muito desafiam a humanidade. Allan Kardec visualizou naqueles fenômenos tidos por banais, dentre outras coisas, a comprovação da imortalidade da alma.
Kardec percebeu também que o fenômeno mediúnico tem como propósito despertar-nos para espiritualização, ou seja, a compreensão de nossa natureza espiritual. Somos espíritos e não podemos ignorar esse fato, de sorte que isso seria ignorar a nossa verdadeira essência. A esse respeito ensina-nos também o espírito Joanna de Ângelis (1999:152):
A realidade da sobrevivência do espírito e do seu intercâmbio com os homens encontra-se ínsita no próprio ser, e os fenômenos exteriores têm como finalidade torná-lo consciente, quando imerso na matéria, a fim de que faça a sua existência mais saudável, otimista, criadora, de forma que possa crescer incessantemente, adquirindo, mediante as experiências novas, os recursos que o capacitem para a evolução que o aguarda.
Poucas são as pessoas que, mesmo presenciando alguma manifestação mediúnica, encontram-se conscientes de sua natureza espiritual – Preferem continuar ignorando o espírito que são e os potenciais que possuem. A verdade é que elas buscam nas comunicações mediúnicas apenas fórmulas e rituais capazes de resolverem seus problemas e satisfazerem suas vaidades, perdendo, assim, a oportunidade de usarem os próprios recursos internos, sem a necessidade de nenhum subterfúgio para construção da felicidade tão desejada. Fala-nos Hammed (2004:124):
Não se alcança a luz do espírito nem por osmose ou símbolos, nem através de cerimônias ou determinações das autoridades religiosas, e sim entesourando os valores e as experiências provenientes da própria busca íntima.
Todos os recursos necessários para o enfrentamento dos desafios próprios da existência encontram-se dentro de nós; contudo, a responsabilidade de despertá-los é só nossa.
Ensinam-nos os benfeitores espirituais que os germes da perfeição estão dentro de nós, que as leis divinas estão impressas em nossa consciência, e que são inúmeros os nossos recursos interiores. Logo, se torna urgente, conhecermo-nos, pois, para fazermos uso dos potenciais que a divindade nos concedeu é preciso tomar conhecimento deles. Aprendemos em “O livro dos espíritos” ([1857]2006:498), que “O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual” não apenas para descobrimos os nossos potenciais, como também para conhecermos e superarmos os nossos próprios limites e fraquezas. Lemos ainda em “O livro dos espíritos” (2006:498), que “Aquele, pois, que tem o sério desejo de melhorar-se perscrute a sua consciência, a fim de extirpar de si as más tendências, como arranca as ervas daninhas do seu jardim”. A percepção nos mostra que esse processo de autoconhecimento é fundamental para a construção da nossa felicidade.
Aprendemos com os amigos espirituais que a realidade é feita de várias camadas, que um mesmo acontecimento pode ser avaliado de diversas maneiras e ter diversas interpretações. Então, concluímos que necessitamos desenvolver nossa capacidade de entrar em contato com suas camadas mais profundas. Porque espiritualidade é, na verdade, ver como o espírito, o espírito das coisas. “Quanto mais ampliarmos a consciência do que somos, maior será a nossa espiritualização. A percepção da realidade de uma criatura tem a dimensão exata da sua própria consciência; nem mais, nem menos” (Hammed, 2000:39). Portanto, não esqueçamos: espiritual é ver com o espírito.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- KARDEC, Allan. ([1862] 1987). O livro dos médiuns. 13ª Edição. São Paulo: LAKE.
- KARDEC, Allan. ([1857] 2006). O livro dos espíritos. 1ª Edição comemorativa do sesquicentenário. Brasília: FEB.
- PEREIRA FRANCO, Divaldo. ([1999] 1999). Dias gloriosos. Pelo Espírito Joanna de Ângelis – 1ª Edição. Salvador: LEAL.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([2004] 2004). Um modo de entender – Uma nova forma de viver. Pelo Espírito Hammed, 2ª Edição. Catanduva: Boa Nova Editora.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([2000] 2000). A imensidão dos sentidos. Pelo Espírito Hammed, 2ª Edição. Catanduva: Boa Nova Editora.

domingo, 1 de abril de 2007

O QUESTIONAMENTO NECESSÁRIO



Por José Antonio Ferreira da Silva

Observando as pessoas com suas dores e dramas, coloquei-me a refletir sobre o porquê do sofrimento em nossas vidas. O sofrimento é comum a todos nós, brancos ou negros, ricos ou pobres, novos ou velhos, todos em algum momento de nossas vidas iremos nos deparar com ele, que geralmente vem quando menos esperamos. Eu, na minha ingenuidade acreditava que o sofrimento, sendo comum a todos, divergia apenas na forma como o enfrentávamos, pois eu via pessoas que se desesperavam, enquanto outras o enfrentavam com serenidade. Hoje, porém, vejo que existem muitas outras questões que merecem a nossa reflexão, se quisermos realmente aprender algo positivo sobre o assunto. Vejo também que o Espiritismo é uma ferramenta indispensável para fazermos essa reflexão, pois ele nos traz a chave necessária para uma visão ampla e profunda sobre tudo o que nos acontece e conseqüentemente sobre a finalidade do sofrimento em nossas vidas.
Fazendo uma análise do sofrimento, escreveu Allan Kardec ([1865] 1986:78): “O sofrimento é inerente à imperfeição.”, ou seja, ainda estamos nos primeiros degraus da escalada evolutiva, naturalmente trazemos ainda inúmeras imperfeições, e elas nos causam muitas dores e sofrimentos. Continua o codificador: “Toda imperfeição, assim como toda falta dela decorrente, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis;” (Kardec, 1986:78). É hora de encararmos essa realidade, enxergando que a causa dos nossos sofrimentos está em nós, assim, só nós mesmos, através dos esforços que fizermos para sobrepujar os nossos limites e para desenvolvermos os nossos potenciais, é que conseguiremos superar os nossos próprios padecimentos. Por fim, Kardec (1986:78) conclui: “Podendo todo homem liberta-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.”. A superação do sofrimento deve ser compromisso nosso. Pois, é responsabilidade intransferível e impostergável, caso queiramos viver a felicidade que nossa condição evolutiva já permite. Para isso, basta-nos a vontade.
Escrevendo também sobre o assunto, nos acrescenta o espírito Hammed ([2004]2004:62): “Sofrimento é o resultado de atos e atitudes alicerçados em concepções precipitada ou equivocadas que adquirimos nesta ou em outras vidas e que continuamos a perpetuar, de modo consciente ou não, em nosso cotidiano.”. Por estas palavras, podemos perceber que o sofrimento não nos acontece por acaso, tampouco é fruto de um castigo ou fatalismo, mas sim, é a conseqüência de nossas escolhas mentais e comportamentais, nesta ou noutras vidas. Somos os responsáveis pela nossa dita ou desdita, pela nossa felicidade ou infelicidade, ou seja, “A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: essa é a lei da Justiça Divina.” (Kardec, 1986:78).
Estamos vivendo um momento ímpar, onde a espiritualidade tem se manifestado através dos mais diferentes médiuns, e trazido os mais diversos ensinamentos, sempre com o mesmo objetivo, ensinar-nos o caminho do auto-aprimoramento e a viver de maneira a sermos tão felizes quanto se possa ser na terra. Aprendemos com a espiritualidade que diante de qualquer acontecimento, a questão não é só se resignar, mas, aprender com o que estejamos passando, pois, ninguém deve sofrer por sofrer. Esclarece-nos Hammed (2004:61) “Sofrer por sofrer não significa crescimento e evolução, visto que a única função da dor em nossas existências é despertar-nos para o amor”. Muitas vezes, a dor foi a única linguagem que as forças da vida encontraram para entrar em contato conosco, de tão adormecidos que nos encontrávamos, é preciso despertar, escutar e tentar entender o que estamos passando, para agirmos de maneira a nos libertar do sofrimento.
Segundo os benfeitores espirituais, diante das dores e sofrimentos há questionamentos necessários a se fazer. Primeiro, devemos nos perguntar: o que a vida está querendo me dizer com essa situação? E tentar analisar por todos os ângulos possíveis, tentando ouvir a mensagem subliminar que a vida está nos passando. Em seguida, questionemos: como terei provocado esses acontecimentos? Sabemos que somos nós que estamos a cada momento escrevendo e reescrevendo os nossos destinos, ou seja, tudo é desencadeado a parti de nossas atitudes, então, como provoquei e como posso alterar as atitudes que geraram esses acontecimentos? Por fim, a pergunta mais importante: como transformar essa situação para melhor? O que poderei fazer para reverter esse quadro de dor em aprendizado? Como agir de maneira a utilizar o hoje para resgatar o passado e construir um futuro de luz? Esses questionamentos levar-nos-ão a uma postura mais lúcida e consciente. Essa é a finalidade de nossa existência, ser hoje melhor do que ontem.
Tenhamos em mente que cada momento é único: mesmo que de dor, é preciso que o vivamos em plenitude, buscando entender o porquê dos nossos padecimentos. Como descobrir a melhor maneira de enfrentá-lo e consecutivamente de superá-lo? “Diante de toda e qualquer aflição, precisamos utilizar discernimento, avaliar a situação e, a partir disso, transformá-la em aprendizagem.” (Hammed, 2004:62). Essa deve ser a nossa atitude. O sofrimento não é o nosso estado natural, ele é um estado transitório, enquanto não se supera as próprias imperfeições. As imperfeições é que lhes são as verdadeiras causas e são elas a quem devemos combater.
Fadados à perfeição, nosso destino é a felicidade, o sofrimento representa apenas o sinal de que estamos nos distanciando do caminho que leva a ela. Por isso, olhemos para nós mesmos. É preciso escutar e sentir o nosso íntimo para descobrirmos o espírito que somos. Depois disso, com os olhos do espírito, enxergar o espírito das coisas e assim, entendermos a grandeza da vida e das suas leis. Aprendamos sempre, mesmo diante das situações mais difíceis e dos sofrimentos mais atrozes. Diante deles façamos o questionamento necessário, buscando serenidade para transformarmos sombra em luz, dor em redenção e assim nos tornarmos merecedores da felicidade a qual estamos destinados.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Kardec, Allan. ([1865] 1986). O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 4ª Ed. São Paulo: Lake, 1986.
Espírito Santo Neto, Francisco ([2004]2004). Um Modo de Entender – Uma nova forma de viver. Pelo Espírito Hammed. 2ª Ed. Catanduva: Boa Nova Editora, 2004.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Uma Atitude Para Ser Feliz



Por José Antonio Ferreira da Silva

Na caminhada da evolução temos a mesma origem e a mesma finalidade, porém nos encontramos em pontos diferentes deste caminho. Vamos caminhando cada um com o ritmo que lhe é próprio e assim conquistando através das vivências, em inúmeras vidas, a experiência e a lucidez que definem a individualidade que somos. Com a espiritualidade aprendemos que a Inteligência Universal não tira cópias, somos únicos, pura consciência, somos espíritos eternos e precisamos tomar conhecimento de nossa essência. Então, como individualidades que somos não poderemos nos comparar e medir com medidas que não são nossas, devemos começar a nos aceitar e respeitar como somos, contanto para isso teremos que primeiro nos conhecermos, não apenas na teoria, mas também na prática.

Queria lhe propor algo diferente, um exercício, gostaria que você se olhasse no espelho e visse a pessoa singular que é. Veja, você é ímpar, única, é incomparável e tem uma beleza que o diferencia de qualquer outro ser, é o seu charme pessoal, é aquele traço especial do Criador em você. Continuemos nesse auto-descobrimento, agora feche os olhos e mergulhe dentro de si mesmo, viaje pelo seu mundo interior, tome consciência de você por dentro, veja seus sentimentos, sua emoções, seus medos e limites, mas também veja suas qualidades, seus potenciais e possibilidades. Olhe-se por inteiro, talvez você relute, não dê importância e ignore tudo isso, mas está na hora de mudar, é o seu momento, mude de atitude e tome consciência de você.

Conscientes de nossa individualidade é hora de começarmos a nos aceitar e respeitar como somos. De despertar para o valor que temos e para preciosidade que somos. Trazemos em nós, diz a espiritualidade - os germens da perfeição - ela já existe em nós como a marca do vir-a-ser da criatura e condição natural de nossa destinação. Já temos todos os motivos para nos valorizarmos e amarmos, entretanto reclamamos que ninguém nos valoriza, estima ou nos dá importância. Todavia como poderia ser diferente, se nós mesmos não nos valorizamos? Dá-nos valor não é querer ser melhor do que ninguém, mas sim darmos valor ao que sentimos ao que acreditamos. É colocarmos nossa energia interior para funcionar e quando fazemos isso, essa energia se espalha e as pessoas que nos cercam, sentem-se contagiadas por essa aura, e aí naturalmente a valorização acontece.

Ouvimos dos amigos espirituais que somos nós que escrevemos o nosso destino e construímos a nossa dita ou desdita. Dizem eles: felicidade e realização são construções nossas e não adianta ficarmos reclamando de nossas vidas, de Deus ou do universo por aquilo que caberia a nós termos feito. Se alguma coisa está dando errado, foi porque com certeza fizemos escolhas erradas e tomamos caminhos tortuosos. Portanto, caberá a nós retificarmos esses caminhos e atitudes. A construção é nossa e não podemos fugir disso, felicidade é o resultado de quem escolheu ser feliz. Por isso, tome uma atitude e invista em você, faça a parte que lhe cabe, o resto é com a vida, o universo conspira ao nosso favor, pois somos herdeiros de Deus, só nos resta toma posse de nossa herança.

Você vai querer resistir ao que eu disse, dirá que é difícil e que não irá conseguir. Porém, você pode e é capaz, basta apenas querer, a vontade é o nosso grande poder. Seja paciente, vá aos poucos e não se cobre o que ainda não pode dá. Dê tudo de si, você merece o melhor, foi feito para o melhor. Deus, a vida, o universo só poderão lhe dá o que você se der, não espere cair do céu, por que não vai cair, você tem que ir buscar, então busque. Tenha em mente que ser bom é saber cuidar de si, por isso não perca tempo, cuide de você. Sua felicidade pode depender apenas de uma atitude.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Enxergando Além


Por José Antonio Ferreira da Silva
O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.
Allan Kardec.
Muitas vezes somos tomados de assalto por acontecimentos que se apresentam de maneira fatal, irrevogável e funesta. São acidentes, desastres, tragédias, aos quais de forma nenhuma, escaparíamos, pois eles acontecem de tal maneira inevitável, que acreditamos vitimados por algum tipo azar ou destino, sem que nada pudéssemos fazer para evitá-los. Esses acontecimentos levam-nos a supor que exista alguma forma de determinismo ou fatalidade, a pré-estabelecer tudo que nos acontece, independente de nossas atitudes, ou de nós mesmos. Diante disso, nascem questionamentos e dúvidas que para muitos, ficam sem resposta. Os acontecimentos de nossas vidas são pré-determinados? O que determina o nosso destino? Temos livre arbítrio em nossas ações?
O Espiritismo é a chave a abrir-nos o entendimento a uma série de assuntos que se encontravam sem uma explicação lógica, dentre eles estão os conceitos de fatalidade e livre arbítrio.
Fatalidade nos dicionários é definida como o fatal, o determinado, o marcado, o inevitável. Comenta Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” que A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimento da vida, qualquer que seja a sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina destituída de vontade. Na realidade nós somos os construtores dos nossos destinos, nada acontece por acaso, somos nós com nossas atitudes que delineamos as alegrias que vamos ter, ou as tristezas que vamos enfrentar, pois temos livre arbítrio na escolha de nossas ações, porém, nos tornamos automaticamente responsáveis pelas suas conseqüências. Portanto, não há acaso ou determinismo nos acontecimentos de nossas vidas, mas sim, as conseqüências de nossas atitudes mentais e comportamentais, nesta ou noutras vidas, e também, as escolhas que fizemos na espiritualidade antes de reencarnamos.
Continuando ainda, sobre a fatalidade, Allan Kardec escreve: A fatalidade não é, entretanto, uma palavra vã; ela existe no tocante à posição do homem na Terra e às funções que nela desempenha, como conseqüência do gênero de existência que seu Espírito escolheu, como prova, expiação ou missão. Sofre ele, de maneira fatal, todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes. Mas a isso se reduz a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências. Com isso, vemos que muitos dos acontecimentos que hoje, atribuímos à fatalidade, podem ser na verdade, escolhas nossas antes de reencarnamos, conseqüências de nossas ações, nesta e noutras vidas e ainda, a marca das imperfeições que trazemos, nos impelindo a renascermos em um plano de expiação e provas, ficando assim, sujeitos a todas as intempéries naturais a esses planos. Aparentemente frutos da fatalidade, os acontecimentos que desafiam o nosso entendimento, são na verdade, o resultado do que fizemos de nós.
O livre arbítrio nos dicionários é definido por faculdade do homem de determinar-se a si mesmo. É a liberdade de escolher os próprios caminhos. Allan Kardec diz que, A questão do livre arbítrio pode resumir-se assim: O homem não é fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não “estavam escritos”; os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino. Ele pode, como prova e expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas, será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Fazendo uso do próprio livre arbítrio, o homem escolhe, altera, aproveita ou não, as suas provas ou expiações, ele faz hoje o que será amanhã.
O Espiritismo é esse farol a iluminar o nosso entendimento, para que possamos enxergar além. Ele nos ensina a ver, mesmo nas situações mais difíceis e dolorosas, a possibilidade de libertação e as leis da vida nos conduzindo a perfeição, que é o nosso fanal. Diante de acontecimentos funestos e supostamente fatalistas, entendamos que tudo está certo, eles são na realidade o cumprimento das leis universais respondendo as nossas escolhas. Por fim meditemos nas palavras do espírito Emmanuel, Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Evolução nossa de cada dia


Por José Antonio Ferreira da Silva
Quando o assunto é evolução espiritual a coisa funciona mais ou menos assim: o marido sente-se responsável pela evolução da esposa, a esposa sente-se responsável pela do marido e na maioria das vezes pela dos filhos também, fulano sente-se responsável pela evolução de beltrano, beltrano pela de sicrano e ninguém se responsabiliza por sua própria evolução. É muito fácil planejar, fazer e desfazer na vida dos outros, difícil é estar atento para onde estamos levando a nossa vida e como estamos escrevendo a nossa existência. Num momento estamos delineando os parâmetros da vida das pessoas, e em outro estamos guerreando para que ninguém invada o nosso território, numa incoerência gigantesca. O que será que nós entendemos por evolução espiritual? Que sentido nós damos a nossa existência? Como estamos vivendo a nossa vida?
Nos dicionários, evolução significa: “1. Ato ou efeito de evoluir. 2. Progresso paulatino e contínuo a partir de um estado inferior ou simples para um superior, mais complexo, ou melhor. 3. Transformação lenta, em leves mudanças sucessivas”. A espiritualidade nos ensina que fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à perfeição. Ela também nos ensina que chegaremos à perfeição dentro do ritmo que nós mesmos escolhemos com o nosso livre-arbítrio e que é através da forma como usamos os nossos talentos interiores, nas situações que a vida nos traz, que demonstramos se estamos facilitando ou dificultando a nossa própria evolução. Esclarecem os amigos espirituais que somos sempre nós, os responsáveis por nossa evolução espiritual e que não adianta querer forçar os outros, ou aproveitar o esforço dos outros no nosso processo de evolução, pois que, cada um está escrevendo a própria historia e é por ela o único responsável, devendo assim aproveitar cada oportunidade, pois mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades.
Porém a questão aqui é como temos vivido esses conceitos na prática, no dia-a-dia, com as pessoas que nos cercam e nas situações que estamos vivendo. Observo que somos muito passionais agindo mais com a emoção do que com a razão, agir com a emoção significa muitas vezes agir de forma precipitada e equivocada, saindo do nosso espaço e invadindo o espaço do outro. Na vida familiar, por exemplo, é comum esquecermos de cuidarmos da nossa para cuidarmos da vida dos outros e o pior, sem que nossa ajuda tivesse sido solicitada ou mesmo aceita. É preciso refletir se estamos colocando realmente em prática o que estamos aprendendo na teoria sobre a evolução. É necessário realmente entender que a cada um foi dado um tempo de espera e não adianta querer antecipar esse tempo. Entendamos que a nós compete a responsabilidade de trabalharmos no nosso próprio processo de evolução, fazendo aquilo que nos compete fazer. Pois segundo a espiritualidade esse mundo será melhor quando cada um ocupar o seu espaço.
Evolução espiritual não guarda a menor semelhança com salvação, não é privilégio ou muito menos um dom, é sim fruto de comprometimento e trabalho de quem realmente entendeu que quando nos ajudamos o céu nos ajuda. Sem dúvida evolução é um processo natural ao qual estamos fadados, porém como atingir-la é o fruto das escolhas que fazemos com o nosso livre arbítrio e do uso dos recursos que a divindade nos equipou a todos. Por tudo isso é preciso refletir sobre como estamos vivendo e que sentido temos dado a nossa existência, estamos realmente fazendo bom uso de todos os nossos potenciais e aproveitando todas as oportunidades que a vida nos traz? Aprendemos que a vida é eterna e que a evolução acontece existência a existência, mas também aprendemos que os minutos não se repetem e que quem melhor os aproveitar chegará mais rápido a seu fanal, ou seja, a perfeição. Portanto aproveite esse momento único que você está vivendo para trilhar mais depressa o caminho que leva a perfeição.A nossa evolução vai ocorrendo dia-a-dia, quando vamos fazendo com zelo as menores como as maiores coisas, assim nos integrando com as leis universais e fazendo nossa parte no progresso geral. Essa é a nossa missão, fazermos o nosso melhor no desempenho de nossas próprias atividades dando prosseguimento a evolução nossa de cada dia.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A Duração da Pena


A duração do castigo está subordinada ao melhoramento do Espírito culpado.
Allan Kardec


Por José Antonio Ferreira da Silva

Allan Kardec foi um homem genial, porque entre outras coisas, ele conseguiu se colocar acima e adiante de seu tempo. Ele não se prendeu a paradigmas ou preconceitos, mesmo tendo sofrido influência religiosa no berço (família católica) e na escola (protestante), ele não se prendeu a nenhum conceito dessas religiões, homem de ciência, membro de várias sociedades cientificas, também não se prendeu ao academicismo de sua época. Quando ele se debruçou na observação e no estudo dos ensinos dados pelos espíritos, o fez sem amarras, guiado pelo bom senso, ousou questionar a espiritualidade sobre os pontos mais profundos acerca de Deus, do Universo e do próprio Homem. Sem idéias preconcebidas ele ouviu e observou, comparou e experimentou, aceitando todos os ensinamentos que passavam pelo crivo da lógica e da razão.
O mesmo não tem acontecido conosco, pois permanecemos atados a velhos arquétipos dos quais não conseguimos nos libertar, para realmente podermos aprender em profundidade tudo que o espiritismo tem para nos ensinar. Um assunto que ainda é mal compreendido é a “Lei de Ação e Reação”, pois ainda a vemos como se estivéssemos vendo a “Pena de Talião” do Velho Testamento, ou seja, o olho por olho e o dente por dente.
Por não se libertarem dos velhos paradigmas, muitas pessoas acreditam que se certo indivíduo ficou cego ou surdo nesta existência, foi porque furou os olhos de alguém ou perfurou os ouvidos de outro, em existências passadas. E o que é pior, acreditam que os homicidas e os suicidas, por exemplo, só resgatarão seus débitos se forem assassinados ou desencarnarem de forma violenta. Não percebem eles que há variantes e existem várias maneiras para se pagar uma dívida, essas maneiras variam de indivíduo a indivíduo, já que cada um de nós está em pontos diferentes na escalada da evolução, isso sem se falar que Deus julga antes de tudo a intenção. A Pena de Talião teve seu tempo, todavia, já não atende ao bom senso e a lógica que o nosso tempo exige.
Nós espíritas, temos como referencial os livros codificados por Allan Kardec, e no livro “O Céu e o Inferno” nós encontramos a seguinte explicação: A expiação varia segundo a natureza e a gravidade da falta. A mesma falta pode assim provocar expiações diferentes, segundo as circunstâncias atenuantes ou agravantes nas quais ela foi cometida. Com isso percebemos que intenção e situação estabelecem os atenuantes ou agravantes, e estes determinam o tipo e a duração das penas, que não são iguais nem na forma, nem na duração para ninguém. Temos que aprender a sermos flexíveis e deixarmos de generalizar tudo, pois cada caso é um caso, não há copias nem moldes prontos, se por um lado a vida não se repete, por outro, as leis universais também não, pois são sábias e benevolentes conforme podemos ver em “O Livro dos Espíritos” onde está escrito: A lei que rege a duração das penas é portanto eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços do Espírito.
Mesmo os ensinamentos dos espíritos sendo tão claros com relação às leis universais e a duração das penas, ainda existe quem acredite que independente do tempo que se tenha durado a pena, ela só será realmente paga, quando o infrator a reparar com um tipo de sofrimento, ou dor, igual ao cometido por ele, ou seja, se ele envenenou terá que ser envenenado, se tiver mandando alguém para a fogueira terá que arder, mesmo que seja , através da lepra, e se decapitou alguém terá que perder a cabeça, nem que seja, em um acidente. Será que só nos libertaremos dos equívocos do passado dessa maneira? Será a Justiça Divina menos justa que a nossa? Não, não é isso que ensina a Doutrina Espírita, vejamos o que diz a questão 1004 de “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec pergunta aos amigos espirituais, O que determina a duração dos sofrimentos do culpado? - Respondem eles: O tempo necessário ao seu melhoramento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de pureza de Espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos dependem do tempo que ele precisa para se melhorar. À medida que ele progride e que os seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e se modificam. Como vemos o que determina a duração e a liquidação da pena não é o tipo da expiação, mas sim, o melhoramento da criatura, é a superação de suas imperfeições e a sua volta aos caminhos do bem.
Precisamos seguir a atitude de Allan Kardec, e nos colocarmos acima e adiante de paradigmas e preconceitos, sejam eles religiosos ou não, pois sem isso ficaremos impossibilitados de compreender muitos pontos da Doutrina Espírita, pontos que nos exigem uma visão mais ampla e um raciocínio mais profundo. Ainda enxergamos pouco, porque não tivemos a coragem de tirar o véu que está sobre nossos olhos, ou seja, os paradigmas, e se nosso raciocínio é superficial é porque não temos o hábito de pensar e refletir com profundidade. Não esqueçamos as palavras do mestre de Lion “O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina;” “O céu e o Inferno”.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Influência Oculta



Por José Antonio Ferreira da Silva

Quem realmente estuda, aprende que as influências espirituais
são regidas pela lei de sintonia e afinidade



Nessa minha vida de espírita eu escuto de tudo, escuto comentários que às vezes dá vontade de rir e outros que dão vontade de chorar. Meu Deus quanta ignorância a respeito da vida e das leis espirituais. Nesses comentários o que eu realmente vejo são as pessoas fugindo a assumi a responsabilidade sobre suas vidas, fugindo a encarar a realidade e o pior, culpando os outros pelos seus desencontros e suas decepções. Um dos bodes expiatórios mais populares são os espíritos, coitados deles, são responsabilizados por tudo, da dor nas costas a queda de cabelo, é mole? Mas é verdade gente, ninguém quer encarar a realidade de que são elas próprias que constroem o próprio destino.
Nas minhas viagens para realizar palestras e no meu programa de rádio eu costumo escutar coisas do tipo: “meu marido bebe por que tem um espírito que faz ele beber”, “meu marido não deixa a outra mulher por que ela botou um encosto nele” e ainda “um espírito entrou em mim e eu quebrei tudo lá em casa”. E pasmem, na maioria das vezes elas são espíritas e justificam todas essas asneiras usando a questão 459 de O Livro dos Espíritos quando Allan Kardec pergunta: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Respondem os espíritos: “Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.”. Elas não estudam com profundidade o Espiritismo e nem refletem coisas básicas do tipo: como se processa essas influências? Que leis regem essas influências? E até onde vão essas influências?
Mas a espiritualidade não nos deixa dúvidas, quem realmente estuda aprende que as influencias espirituais são regidas pela lei de sintonia e afinidade, que somos nós com as nossas atitudes mentais e comportamentais que atraímos os espíritos evoluídos ou os atrasados, para junto de nós e que como tudo na vida, isso tem conseqüências e às quais não poderemos fugir. Pois como diz o espírito Joanna de Ângelis no seu livro Plenitude: “Somente há desar, obsessão e sofrimento, por que se elegem os comportamentos doentios em detrimentos daqueloutros positivos”. Não são eles que nos trazem os vícios e as paixões, mas somos nós que com os nossos vícios e paixões que atraímos as companhias espirituais desequilibradas. Temos livre-arbítrio e ninguém, seja espírito encanado ou desencarnado conseguirá nos influenciar a fazermos uma coisa a qual não queiramos. Culpar os espíritos pelas nossas falhas é fugirmos a encarar a realidade e a necessidade de dirigirmos a nossa própria existência.
O próprio Allan Kardec nos chamou atenção em O Livro dos Médiuns a “evitar atribuir à ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüências da nossa própria incúria ou imprevidência”. Você continuará sempre sendo o que você faça de você, a influencia espiritual existe e existirá de acordo com o que você é, e não determinando o que você será. Portanto não culpe os espíritos pela bebida, pela traição e pelos desequilíbrios que na maioria das vezes eles são meros coadjuvantes, e você a estrela principal, pois é você que escolhe os pensamentos, quem escolhe as atitudes e quem desencadeia os fatos.
Reflita antes de culpar os espíritos, porque se você for investigar a origem e a causa das obsessões as encontrará em você mesmo. E você que abre a fresta e dá espaço, a influencia negativa ou quem eleva o pensamento e sintoniza com a espiritualidade maior agindo sempre da melhor maneira possível. É hora de mudarmos a postura e entendermos as verdades básicas da vida. Você está, onde você se põe, só quando assumirmos o compromisso de cuidarmos de nós mesmos é que conseguiremos viver a felicidade que tantos sonhamos. Felicidade que não é privilegio, nem dádiva. Felicidade que é conquista de quem escolheu ser feliz.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Tudo Está Certo



Por José Antonio Ferreira da Silva

A grande maioria das pessoas diante de dores e sofrimentos, logo diz: é carma, está pagando débitos de outras vidas, aqui se faz aqui se paga. Mas eu pergunto: será que nós estamos aqui só para pagar? E será que só se paga com dor e sofrimento? Particularmente eu acho que essa é uma visão reduzida da existência, e que é fruto de paradigmas existentes em nossos arquétipos judaico/cristão, que nos prendem a uma visão maniqueísta da vida e da existência, onde tudo se resume ao bem e o mal, ao faz/paga e ao crime/castigo.
Na Doutrina Espírita eu encontrei uma visão reencarnacionista dinâmica da existência, mostrando não apenas de onde eu vim e para onde vou, mas principalmente o que estou fazendo aqui. E nesta visão espírita da existência eu aprendi que estou aqui para evoluir, para crescer e para ser feliz. Diz o espírito Joanna de Ângelis “O fatalismo cármico da evolução é a felicidade humana”. Então por que limitar a nossa visão ao faz/paga? Nós fomos criados simples e ignorantes, porém fadados à perfeição e atingiremos isso mediante esforço próprio.
Claro que nesse processo de evolução enquanto ignorantes nós iremos nos adentrarmos em caminhos errados, temos livre-arbítrio e como ele a liberdade para escolhermos os nossos caminhos, que em muitas vezes não são os melhores e isso traz conseqüências que nem sempre são boas. Contudo é só voltamos para caminho certo, para tudo voltar ao normal. Estamos aqui para aprender e quem está aprendendo erra, porém diz o espírito Hammed; “A trilha que denominas “errada” é aquela que nos possibilitou aprendizagem e o sentido do nosso “melhor”; pois sem o erro possivelmente não aprenderíamos seguramente a lição”.
Os espíritos nos ensinam que existem muitas maneiras de aprender, somos nós que insistimos em acreditar que só se aprende através da dor, em “O Livro dos Espíritos” o livro básico do espiritismo está escrito: “Fazer maior bem do que o mal que se tenha feito, essa é a melhor expiação”. Então por que continuar vendo na dor e no sofrimento os únicos caminhos de redenção? Isto é não se libertar de paradigmas que fazem parte de uma era medieval. Nós estamos numa nova era, a era do espírito e nela devemos olhar com os olhos do espírito, o espírito das coisas. Compreendamos, portanto, que nem todos os sofrimentos são frutos de erros de vidas passadas ou de Carmas imutáveis, explica Joanna de Ângelis: “A soma das experiências e ações positivas anula aquelas que lhe constituem débitos propiciador de sofrimento”. Temos vários caminhos, o da dor, somos nós mesmo que teimamos em escolher. “Ninguém nos condena, nós é que cremos no castigo e nos punimos. Provocando padecimentos com o nossos gestos mentais” Hammed.
Nós somos espíritos eternos, com a mesma origem e com a mesma destinação, mas que além de termos bagagens e historias diferente, estamos em estágios também diferentes da evolução. Qualquer tentativa de julgamento vai invariavelmente ser falsa, pois a vida é rica e não se repete nunca. Aquelas historias de dor e sofrimento que agente julga, nos outros, podem ter várias origens, nestas ou noutras encarnações, e ainda podem ser: expiação, reparação ou até mesmo missão. Daqui pra frente diante daquele sofrimento que lhe chamou a atenção não diga é carma, mas tenha em mente que “Tudo está certo, porque todos estamos nas mãos de Deus” Hammed.


Bibliografia:
· O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 60ª Edição LAKE
Resposta à questão 770-a. Pagina 258.
· O Homem Integral – Joanna de Ângelis/Divaldo Franco – 5ª Edição LEAL
Paginas 120 e 127.
· Renovando Atitudes – Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto – 5ª Edição – Boa Nova
Paginas 182 e 183

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Influência Espiritual


Por José Antonio Ferreira da Silva

Desde os primeiros tempos, o homem sente que a vida não termina com a morte e que os que se foram não estão tão distantes assim. Inúmeros estudos antropológicos nos mostram que mesmo nas civilizações mais primitivas os homens cultuavam os seus antepassados e tinham seus feiticeiros, pajés e xamãs numa demonstração clara que eles já tinham intuição da existência dos espíritos e da influência dos mesmos em nossas vidas. Com o Espiritismo essa influencia deixou de ser uma mera intuição para ser um fato observado e experimentado com rigores de ciência. Allan Kardec ao pesquisar fenômenos antes atribuídos ao maravilhoso e ao sobrenatural deparou-se com os espíritos, as almas dos que aqui viveram e que ainda continuavam vivos em outra dimensão, mas mesmo assim podiam se comunicar conosco através de pessoas dotadas de uma faculdade denominada mediunidade. Através dos chamados médiuns, indivíduos possuidores da mediunidade, Allan Kardec pôde observar os fenômenos produzidos pelos espíritos e também travar diálogos sobre vários assuntos com eles. Destes diálogos nasceu a 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos, o livro trás os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens.
Estudando as relações dos espíritos com os homens, Allan kardec pergunta a espiritualidade: Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? E eles respondem: Nesse sentido a sua influencia é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem. Allan Kardec prossegue no seu dialogo com a espiritualidade e vai desvendando todos os mecanismos e leis envolvidas no processo de influência dos espíritos. Ele constata a existência da lei de sintonia e afinidade que é quem determina toda interação entre as dimensões físicas e espirituais. A Doutrina Espírita é progressiva e progride pelos ensinamentos dos próprios espíritos através dos tempos. Nos dias de hoje o espírito Hammed nos ensina que sintonia é o estado em que se encontram duas pessoas que se acham numa mesma igualdade de emoção, ponto de vista, crença ou pensamento. Toda interferência espiritual acontece respeitando a afinidade entre os agentes envolvidos no processo. Exemplo: quando pensamos no bem atraímos quem é do bem; quando pensamos no mal atraímos quem é do mal. Por isso, nos ensina o espírito Manoel Philomeno de Miranda: Pelo pensamento, cada um de nós elege a companhia espiritual que melhor nos apraz. Concordando com o que também ensina Hammed: Ninguém simplesmente “pega” energias nocivas ou atrai espíritos infelizes de modo casual ou fortuito. A vida não é injusta. Temos o que merecemos. Não somos vítimas impotentes vivendo um destino impiedoso. Nada é por acaso, e todo efeito tem causa, se estamos sendo foco de algum tipo de obsessão ou perturbação espiritual é porque de alguma forma as provocamos. Escreveu Allan Kardec: É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha da rota que devemos seguir e a liberdade de ceder a uma ou a outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.
O aspecto mais importante a sabermos sobre a influência espiritual é que não somos escravos dela e que podemos nos desvencilhar da mesma, bastando para isso apenas nossa própria vontade e determinação. Vejamos novamente o que nos ensina o dialogo de Allan Kardec com a espiritualidade em O Livro dos Espíritos: Pode o homem se afastar da influência dos Espíritos que o incitam ao mal? Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos. Ainda insiste Allan Kardec: Pode uma pessoa, por si mesma, afastar os maus espíritos e se libertar do domínio? Sempre se pode sacudir um jugo, quando se tem uma vontade firme. Então, conforme podemos ver, sem dúvida nenhuma, a influência dos espíritos em nossas vidas existe e podem nos levar a vários caminhos, porém, nós é que escolhemos que caminho e até onde vai esta influência em nossas vidas. Pensemos bem antes de nos colocamos como vítima na vida, pois temos aprendido que nós somos os responsáveis pela felicidade ou infelicidade que estamos vivendo, e o livre-arbítrio é o grande atributo do espírito, é conforme o uso que fazemos dele que impulsionamos ou não, a nossa caminhada rumo à evolução.
Influência é o ato ou efeito de influir. Ação que uma pessoa ou coisa exerce sobre outra. Com relação aos encarnados tanto quanto aos desencarnados, quem vai determinar se vai ou não se deixar influenciar é a própria pessoa. Pensar bem e no bem, deixa de ser uma norma moral ou religiosa, para ser uma atitude profilática ou terapêutica dependendo do caso, no que se refere a viver paz do ponto de vista emocional e espiritual. Para finalizarmos, vejamos o que nos diz o Espírito Hammed: A nossa melhor defesa contra os assédios espirituais é a auto-responsabilidade. Perante as influências negativas, não mais nos tornemos vítimas ou mártires, dizendo: “Sou um pobre coitado! Alguém tem de fazer algo por mim!”, mas, “Como posso transformar essa situação? Como desenvolver minhas potencialidades? Onde está o “ponto de deficiência” que eu preciso mudar? O que posso fazer para ter maior equilíbrio na vida?”. Auto-responsablidade, é assumirmos a responsabilidade pelo o que estamos fazendo da nossa existência, é sabermos que Deus já nos deu tudo, é também sabermos que os espíritos não são anjos ou demônios, são apenas seres como nós apenas fora da carne, porém dentro da vida, dando prosseguimento ao próprio processo de evolução.

“Evitar de atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência”. Allan Kardec

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Temos vivido assim?


Sempre é tempo de refletir sobre o nosso próprio comportamento


Por José Antonio Ferreira da Silva


Os fenômenos mediúnicos acontecem desde os primórdios da humanidade, nós temos registros disso nos documentos históricos e nos livros sagradas da maioria das religiões, sendo que esses fenômenos dos primeiros tempos aconteciam esporadicamente, um aqui outro ali, sem um objetivo ou finalidade pelo menos aparentemente. Porém a partir do advento da doutrina espírita com os fenômenos das Irmãs Fox nos Estados Unidos e das Mesas Girantes na Europa, os fenômenos apresentam a característica de uma invasão organizada com o objetivo de chamar a atenção de jornalistas e cientistas para mostrar que mesmo depois da morte a vida continua.
Passada essa fase de chamar atenção e despertar interesse, os fenômenos mediúnicos passam para uma nova fase, a da conscientização. É esse momento que estamos vivendo onde a espiritualidade num momento de muita ternura tem nos trazido conhecimentos com o objetivo de nos conscientizar de nossa própria espiritualidade e também de nos ensinar a viver em plenitude.
Gostaria de enumerar aqui alguns conceitos e ensinamentos dos espíritos que nos leva a uma nova postura diante da vida e nos ajuda no processo do auto-conhecimento e na construção do homem novo ou Homem Integral na expressão do espírito Joanna de Ângelis.
1. Consciência de Si – A questão primordial é nos descobrirmos espíritos, descobrirmos que temos algo mais do que o corpo, uma essência e que essa essência precede o berço e sobrevive ao tumulo. É bom ficarmos atentos para o fato de que já somos espíritos, espírito no corpo. E nessa essência que somos residem os nossos sentimentos, emoções e a nossa própria inteligência. Conscientes disso passaremos a visualizar a vida por um ângulo bem mais amplo.
2. Consciência no Pensar – Toda ação foi antes um pensamento, uma idéia. Todos os espíritos são unânimes em afirmarem a importância dos nossos pensamentos na construção de nossos destinos. O espírito Hammed chega a afirmar que nossa forma de pensar é quem constrói nosso destino. Daí a importância de ficarmos consciente de tudo que se passa no nosso mundo interno, pois ele é quem determina o nosso mundo externo. A grande maioria vive de forma automática, sem consciência da importância que tem a sua forma de pensar e as crenças que alimenta. Somos o que pensamos disse há muito tempo Buda, é hora de ficarmos conscientes desta verdade.
3. Consciência no Falar – Diz Joanna de Ângelis que depois de disparada, a flecha tende fatalmente a acertar seu alvo. Nossas palavras são flechas carregadas de energia positivas ou negativas que fatalmente vão acertar um alvo, se forem positivas as energia de nossas flechas as reações serão boas, se não sofreremos as conseqüências. Será que temos falado de maneira consciente? Será que temos analisado o conteúdo de nossa fala antes de dispará-las? È hora de avaliarmos nosso verbo.
4. Consciência no Agir – Toda ação, gera uma reação com a mesma força e intensidade. Ação e Reação, Causa e Efeito. Será que temos refletido em tudo que os espíritos nos ensinam sobre esse assunto? Era para pensarmos em tudo antes de agirmos, era para analisarmos muito bem cada escolha nossa e suas conseqüências para nós e para os outros. Mas parece que para nós os ensinamentos dos espíritos são apenas teoria. Está na hora de sermos Seres Conscientes e agirmos como tais vivendo na prática o que aprendemos na teoria.
5. Viver em Plenitude – O Homem Integral é aquele que quando tem sono dorme, quando tem fome come, quando quer falar fala. O homem pleno é aquele que tem consciência de si, pensa com consciência, fala com consciência e age conscientemente. Viver na prática tudo que os espíritos ensinam. Temos vivido assim?

O que a espiritualidade tem nos ensinado tem um objetivo e uma razão. Estamos num momento impar, onde a espiritualidade tem nos enviados inúmeros conhecimentos para nos ajudar na macha do progresso, dizem os espíritos em O Livros dos Espíritos que mais evolui, quem melhor aproveita as oportunidades, portanto aproveitemos. Pois a vida é eterna, mas os minutos não se repetem.

domingo, 28 de janeiro de 2007

O primeiro passo é seu





Por José Antonio Ferreira da Silva





Tudo que começa, um dia acaba e nenhuma história é eterna, a eternidade é uma sucessão de histórias dentro das existências. Precisamos aprender que iremos contar eternamente apenas conosco mesmo. Iremos passar na vida de muitas pessoas e muitas pessoas irão passar na nossa, porém ninguém nos pertence e nem nós pertencemos a ninguém. Todos estamos na existência para aprender e aprenderemos uns com os outros, com a existência, com tudo.



Muitas vezes queremos acreditar em sonhos e fantasias, queremos crer que alguém nos completa, como se fôssemos incompletos, mas as leis da vida são claras, cada um é responsável pela própria evolução. E deve empenhar-se ao máximo no auto-aprimoramento, em aprender usar os próprios talentos e desenvolver todas as suas capacidades.



Ficamos muitas vezes esperando que os outros façam por nós, e até cobramos que façam isso ou aquilo que é nossa responsabilidade. Na maioria das vezes nem é por inabilidade de usarmos nossos potenciais, mas sim por covardia e comodismo. Contudo, a mensagem das leis universais é muito clara "ajuda-te e o céu te ajudará". É preciso que primeiro façamos a nossa parte.



Por mais longa que seja a caminhada, o primeiro passo é nosso e, na verdade, todos os passos terão que ser nossos. É claro que no meio do caminho alguém poderá nos trazer água, alimento ou uma palavra de encorajamento, mas os passos terão que ser nossos ou então não chegaremos a lugar nenhum.



Na lei de evolução da vida, as pessoas ou situações trazem as experiências, porém somos nós que aprendemos com elas ou não.



A espiritualidade diz que "mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades". Aproveitar as oportunidades significa desenvolver talentos e potenciais sem se escorar em ninguém. Simplesmente compreender a própria responsabilidade perante a existência. Dar o primeiro, o segundo, o terceiro e todos os passos necessários para cumprirmos a nossa missão na existência, que é progredir. "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei".



Nessa lei você é o herói, o bandido, a vítima, o vilão. Tudo a seu tempo, pois ninguém é totalmente bom, ou totalmente ruim, somos apenas alunos na grande universidade da existência. E aluno nenhum pode fazer a prova pelo outro, nem caminhar pelo outro, porque o primeiro passo é seu.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

A paz começa em mim


Por José Antonio Ferreira da Silva



Diante de tantos seqüestros, assaltos, assassinatos, guerras e terrorismos, nos perguntamos: como ter paz diante de tamanho caos?
A paz tem sido a grande ansiedade, o grande desejo dos indivíduos, desde os primórdios da humanidade. Ainda hoje, esperamos que algo ou alguém nos traga essa paz que tanto sonhamos. Aguardamos um milagre, algo mágico ou alguma religião que possa nos dar essa tranqüilidade.
Precisamos raciocinar e ver que a violência, o tumulto e o desequilíbrio são reflexos diretos de nossa violência e desequilíbrios internos, e que ninguém tem o poder de nos dar a paz tão sonhada, a não ser nós mesmos. "Os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que proporcionam a paz", afirmou Jesus.
Na visão espírita, a paz coletiva é conquista individual, fruto do esforço de cada um em ser hoje melhor do que ontem, e assim sucessivamente. Nos ensinamentos dos Espíritos, Allan Kardec percebeu dicas importantes para facilitar esse nosso processo de crescimento espiritual. A reencarnação é, sem dúvida, a grande resposta para a maioria de nossos desassossegos, tormentos e conflitos íntimos.
Reencarnação consiste em admitir as existências sucessivas; sendo que, a cada nova existência, o espírito dá um passo na caminhada do progresso. Há aqueles que avançam rapidamente, outros que demoram mais, porém, todos tendem à perfeição e Deus nos proporciona todos os recursos para chegarmos lá. E é nisso que consiste a justiça divina. Somos nós, os construtores de nosso próprio destino. Diz Léon Denis: "Tua obra mais bela é tu mesmo".
A reencarnação mostra-nos sentido para vida, explica o porquê dos acontecimentos, mas também chama atenção para nossa própria responsabilidade diante de nossa jornada evolutiva. Todos esses recursos são para serem usados agora e não num futuro longínquo. Todo o conhecimento, que adquirimos com a reencarnação, já poderia estar facilitando nossas vidas, proporcionando paz interior e, consequentemente, paz social - pois, segundo Joanna de Angelis, quando um homem se levanta a humanidade se levanta com ele.
A reencarnação ensina que ninguém é perfeito. Temos os germes da perfeição, estamos fadados a ela, porém, ainda estamos a caminho. E quem está a caminho, ainda não chegou lá; por isso não podemos cobrar perfeição absoluta nem nossa e nem dos outros. Ninguém é igual a ninguém. Temos a mesma origem, fomos criados simples e ignorantes. Temos a mesma destinação - a perfeição -, mas estamos em estágios diferentes. Precisamos respeitar essa realidade em nós e nos outros.
Precisamos aprender a usar a alteridade, ou seja, aprender a conviver com o diferente, dando a ele o direito de ser diferente. A vida não se resume a esse curto intervalo de tempo entre o berço e túmulo. Estamos aqui reencarnados para experiência e aprendizagem; dentro dessa realidade iremos vivenciar momentos bons e ruins, porém com o mesmo objetivo: tirar o melhor de tudo, aprender sempre. Estamos aqui para aprender a usar os nossos potenciais, um deles, a serenidade. Ela é o nosso farol e ilumina a consciência para as melhores atitudes nos piores momentos. A vida é ambivalente. Há coisas que podemos e devemos modificar; mas também há coisas que só nos resta aceitar. Devemos buscar a lucidez necessária para distinguir uma coisa da outra. A vida está sempre certa. Só receberemos das leis soberanas o que a ela tivermos ofertado. É a lei de ação e reação. Disse Jesus "Não cai um fio de cabelo nosso que não esteja dentro da vontade do Pai".
Todos os conhecimentos que a espiritualidade tem nos trazido até hoje são recursos para aprendermos a criar a paz que tanto sonhamos. Pense, então, nisso: "A paz começa em mim".


terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Sua Perturbação será obsessão?




Nem todos os desajustes têm origem na influência dos espíritos.






Em 18 de abril de 1857 nascia para humanidade uma nova era, a era do espírito. Com a publicação de O livro dos espíritos, nascia o espiritismo e com ele uma nova maneira de ver e dimensionar a vida. A vida deixava de ter a visão estreita dos materialistas que viam apenas o curto intervalo de tempo entre o berço e túmulo, ou a visão abstrata e supersticiosa das religiões de então. Surgia naquele instante uma filosofia de bases cientificas e com finalidades morais. Que acima de tudo respondia de forma lógica e racional a todas as questões que atormentavam a criatura humana.
Pela mediunidade ficava comprovado que a morte não é o fim da vida, é apenas uma transferência de dimensão. Da dimensão material para a espiritual. Pela mediunidade também se ficava demonstrado que uma dimensão interage com outra, a influenciando negativa ou positivamente. Tantos os encarnados influenciam os desencarnado quantos estes àqueles. O pensamento é a grande força do universo, toda ação é antes uma idéia, um pensamento. Um pensamento bom cria coisas boas, um pensamento ruim fomenta coisas ruins e esses pensamentos em comunhão com outros pensamentos têm um poder muito maior.
Pela experimentação também se ficou demonstrado que a lei que impera no universo, é a lei de afinidade. Pensamentos comuns, ruins ou bons juntam-se pela força da sintonia. Descobriu-se que a antiga possessão demoníaca do passado era o que poderíamos chamar obsessão. A obsessão, como definiu Allan kardec é ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo. Porém ao longo dos tempos os próprios espíritos nos ensinaram que a obsessão é acima de tudo uma questão pessoal, nossa. Somos nós que sintonizamos com entidades perturbadas, com ou sem ligação conosco, apenas ligados pela sintonia perturbada. Diz Allan Kardec que pelas imperfeições morais atraímos os obsessores e pela prática do bem os espíritos bons. A escolha é opção nossa, porém as conseqüências de nossas escolhas também são nossas.
Diz Joanna de Ângelis que a criatura é sempre a responsável pela própria vida. Somente há desar, obsessão e sofrimento, porque se elegem os comportamentos doentios em detrimento daqueloutros positivos. Perturbação significa: ato ou efeito de perturbar-se; estado de quem se acha perturbado. Pela lei de sintonia e afinidade com nossa perturbação atraímos outros perturbados encarnados ou desencarnados. Por isso nos aconselha Allan kardec evitar atribuir à ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência. Diz o espírito Hammed que somos nós que ligamos ou desligamos o fio condutor de nossos sentimentos e pensamentos.
Na maioria das vezes, não temos qualquer obsessor ou perseguidor de outras vidas, ou de outras situações, somos nós, com os nossos pensamentos desequilibrados, emoções descontroladas e sentimentos menos nobres, que atraímos para juntos de nós espíritos que ficam conosco, simplesmente porque se sentem bem ao nosso lado, mais nada. Porém se não tomarmos cuidado, rapidamente isso se torna mais complicado, gerando casos graves de obsessão, com danos psíquicos e até mesmo físicos.
Hammed diz ainda que se investigássemos a origem e a causa das obsessões, as encontraríamos em nossos pontos fracos e em determinados comportamentos autodestrutivos que consciente ou inconscientemente, adotamos. Você já parou para pensar que muitas vezes somos nós que obsidiamos os espíritos? Pois é, o conhecimento de si mesmo continua sendo o grande ensinamento para nos facilitar o caminho rumo à evolução. Pois com ele saberemos quando um pensamento é bom ou ruim, se ele é nosso ou se é sugerido.
Para nos libertarmos das prisões da obsessão, é necessário exercitarmos a auto-observação e aprendermos a gerenciar os nossos próprios pensamentos, emoções, atos e atitudes. Além disso, é imprescindível aquietarmos-nos numa auto-aceitação serena e honesta, admitindo o que somos e o que sentimos, sem jamais nos condenarmos ou punirmos. A dificuldade que temos em admitir nossas falibilidades é fator que, por si só, impede a cura que buscamos. Se modificarmos nossos pensamentos e atitudes, isto é, se considerarmos nossas limitações e conflitos, começaremos o processo de libertação. Pois, quando aprendermos a pensar e agir de maneira moderada e saudável, a obsessão termina, porque nos tornamos livres e equilibrados, não mais perpetuando os pensamentos desajustado.
Para nos livrarmos dos obsessores é preciso manter uma atitude positiva com relação à vida, sempre elevando nossos pensamentos e atitudes. Assumindo a responsabilidade total por nosso desequilíbrio, não passamos mais a atribuirá ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência. Como escreveu Allan Kardec em O Livros dos Médiuns.

José Antonio Ferreira da Silva


O autor é de Pesqueira-PE; é expositor espírita realiza regularmente palestras sobre espiritismo em Pesqueira, Sanharó, Belo Jardim, Caruaru, Arcoverde, Custodia; apresenta um programa espírita de rádio em Pesqueira, além de colaborar com a divulgação do espiritismo pela imprensa e pelos sites espíritas.
E-mail: j.antonioferreira@pesqueira.com.br