domingo, 28 de janeiro de 2007

O primeiro passo é seu





Por José Antonio Ferreira da Silva





Tudo que começa, um dia acaba e nenhuma história é eterna, a eternidade é uma sucessão de histórias dentro das existências. Precisamos aprender que iremos contar eternamente apenas conosco mesmo. Iremos passar na vida de muitas pessoas e muitas pessoas irão passar na nossa, porém ninguém nos pertence e nem nós pertencemos a ninguém. Todos estamos na existência para aprender e aprenderemos uns com os outros, com a existência, com tudo.



Muitas vezes queremos acreditar em sonhos e fantasias, queremos crer que alguém nos completa, como se fôssemos incompletos, mas as leis da vida são claras, cada um é responsável pela própria evolução. E deve empenhar-se ao máximo no auto-aprimoramento, em aprender usar os próprios talentos e desenvolver todas as suas capacidades.



Ficamos muitas vezes esperando que os outros façam por nós, e até cobramos que façam isso ou aquilo que é nossa responsabilidade. Na maioria das vezes nem é por inabilidade de usarmos nossos potenciais, mas sim por covardia e comodismo. Contudo, a mensagem das leis universais é muito clara "ajuda-te e o céu te ajudará". É preciso que primeiro façamos a nossa parte.



Por mais longa que seja a caminhada, o primeiro passo é nosso e, na verdade, todos os passos terão que ser nossos. É claro que no meio do caminho alguém poderá nos trazer água, alimento ou uma palavra de encorajamento, mas os passos terão que ser nossos ou então não chegaremos a lugar nenhum.



Na lei de evolução da vida, as pessoas ou situações trazem as experiências, porém somos nós que aprendemos com elas ou não.



A espiritualidade diz que "mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades". Aproveitar as oportunidades significa desenvolver talentos e potenciais sem se escorar em ninguém. Simplesmente compreender a própria responsabilidade perante a existência. Dar o primeiro, o segundo, o terceiro e todos os passos necessários para cumprirmos a nossa missão na existência, que é progredir. "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei".



Nessa lei você é o herói, o bandido, a vítima, o vilão. Tudo a seu tempo, pois ninguém é totalmente bom, ou totalmente ruim, somos apenas alunos na grande universidade da existência. E aluno nenhum pode fazer a prova pelo outro, nem caminhar pelo outro, porque o primeiro passo é seu.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

A paz começa em mim


Por José Antonio Ferreira da Silva



Diante de tantos seqüestros, assaltos, assassinatos, guerras e terrorismos, nos perguntamos: como ter paz diante de tamanho caos?
A paz tem sido a grande ansiedade, o grande desejo dos indivíduos, desde os primórdios da humanidade. Ainda hoje, esperamos que algo ou alguém nos traga essa paz que tanto sonhamos. Aguardamos um milagre, algo mágico ou alguma religião que possa nos dar essa tranqüilidade.
Precisamos raciocinar e ver que a violência, o tumulto e o desequilíbrio são reflexos diretos de nossa violência e desequilíbrios internos, e que ninguém tem o poder de nos dar a paz tão sonhada, a não ser nós mesmos. "Os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que proporcionam a paz", afirmou Jesus.
Na visão espírita, a paz coletiva é conquista individual, fruto do esforço de cada um em ser hoje melhor do que ontem, e assim sucessivamente. Nos ensinamentos dos Espíritos, Allan Kardec percebeu dicas importantes para facilitar esse nosso processo de crescimento espiritual. A reencarnação é, sem dúvida, a grande resposta para a maioria de nossos desassossegos, tormentos e conflitos íntimos.
Reencarnação consiste em admitir as existências sucessivas; sendo que, a cada nova existência, o espírito dá um passo na caminhada do progresso. Há aqueles que avançam rapidamente, outros que demoram mais, porém, todos tendem à perfeição e Deus nos proporciona todos os recursos para chegarmos lá. E é nisso que consiste a justiça divina. Somos nós, os construtores de nosso próprio destino. Diz Léon Denis: "Tua obra mais bela é tu mesmo".
A reencarnação mostra-nos sentido para vida, explica o porquê dos acontecimentos, mas também chama atenção para nossa própria responsabilidade diante de nossa jornada evolutiva. Todos esses recursos são para serem usados agora e não num futuro longínquo. Todo o conhecimento, que adquirimos com a reencarnação, já poderia estar facilitando nossas vidas, proporcionando paz interior e, consequentemente, paz social - pois, segundo Joanna de Angelis, quando um homem se levanta a humanidade se levanta com ele.
A reencarnação ensina que ninguém é perfeito. Temos os germes da perfeição, estamos fadados a ela, porém, ainda estamos a caminho. E quem está a caminho, ainda não chegou lá; por isso não podemos cobrar perfeição absoluta nem nossa e nem dos outros. Ninguém é igual a ninguém. Temos a mesma origem, fomos criados simples e ignorantes. Temos a mesma destinação - a perfeição -, mas estamos em estágios diferentes. Precisamos respeitar essa realidade em nós e nos outros.
Precisamos aprender a usar a alteridade, ou seja, aprender a conviver com o diferente, dando a ele o direito de ser diferente. A vida não se resume a esse curto intervalo de tempo entre o berço e túmulo. Estamos aqui reencarnados para experiência e aprendizagem; dentro dessa realidade iremos vivenciar momentos bons e ruins, porém com o mesmo objetivo: tirar o melhor de tudo, aprender sempre. Estamos aqui para aprender a usar os nossos potenciais, um deles, a serenidade. Ela é o nosso farol e ilumina a consciência para as melhores atitudes nos piores momentos. A vida é ambivalente. Há coisas que podemos e devemos modificar; mas também há coisas que só nos resta aceitar. Devemos buscar a lucidez necessária para distinguir uma coisa da outra. A vida está sempre certa. Só receberemos das leis soberanas o que a ela tivermos ofertado. É a lei de ação e reação. Disse Jesus "Não cai um fio de cabelo nosso que não esteja dentro da vontade do Pai".
Todos os conhecimentos que a espiritualidade tem nos trazido até hoje são recursos para aprendermos a criar a paz que tanto sonhamos. Pense, então, nisso: "A paz começa em mim".


terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Sua Perturbação será obsessão?




Nem todos os desajustes têm origem na influência dos espíritos.






Em 18 de abril de 1857 nascia para humanidade uma nova era, a era do espírito. Com a publicação de O livro dos espíritos, nascia o espiritismo e com ele uma nova maneira de ver e dimensionar a vida. A vida deixava de ter a visão estreita dos materialistas que viam apenas o curto intervalo de tempo entre o berço e túmulo, ou a visão abstrata e supersticiosa das religiões de então. Surgia naquele instante uma filosofia de bases cientificas e com finalidades morais. Que acima de tudo respondia de forma lógica e racional a todas as questões que atormentavam a criatura humana.
Pela mediunidade ficava comprovado que a morte não é o fim da vida, é apenas uma transferência de dimensão. Da dimensão material para a espiritual. Pela mediunidade também se ficava demonstrado que uma dimensão interage com outra, a influenciando negativa ou positivamente. Tantos os encarnados influenciam os desencarnado quantos estes àqueles. O pensamento é a grande força do universo, toda ação é antes uma idéia, um pensamento. Um pensamento bom cria coisas boas, um pensamento ruim fomenta coisas ruins e esses pensamentos em comunhão com outros pensamentos têm um poder muito maior.
Pela experimentação também se ficou demonstrado que a lei que impera no universo, é a lei de afinidade. Pensamentos comuns, ruins ou bons juntam-se pela força da sintonia. Descobriu-se que a antiga possessão demoníaca do passado era o que poderíamos chamar obsessão. A obsessão, como definiu Allan kardec é ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo. Porém ao longo dos tempos os próprios espíritos nos ensinaram que a obsessão é acima de tudo uma questão pessoal, nossa. Somos nós que sintonizamos com entidades perturbadas, com ou sem ligação conosco, apenas ligados pela sintonia perturbada. Diz Allan Kardec que pelas imperfeições morais atraímos os obsessores e pela prática do bem os espíritos bons. A escolha é opção nossa, porém as conseqüências de nossas escolhas também são nossas.
Diz Joanna de Ângelis que a criatura é sempre a responsável pela própria vida. Somente há desar, obsessão e sofrimento, porque se elegem os comportamentos doentios em detrimento daqueloutros positivos. Perturbação significa: ato ou efeito de perturbar-se; estado de quem se acha perturbado. Pela lei de sintonia e afinidade com nossa perturbação atraímos outros perturbados encarnados ou desencarnados. Por isso nos aconselha Allan kardec evitar atribuir à ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência. Diz o espírito Hammed que somos nós que ligamos ou desligamos o fio condutor de nossos sentimentos e pensamentos.
Na maioria das vezes, não temos qualquer obsessor ou perseguidor de outras vidas, ou de outras situações, somos nós, com os nossos pensamentos desequilibrados, emoções descontroladas e sentimentos menos nobres, que atraímos para juntos de nós espíritos que ficam conosco, simplesmente porque se sentem bem ao nosso lado, mais nada. Porém se não tomarmos cuidado, rapidamente isso se torna mais complicado, gerando casos graves de obsessão, com danos psíquicos e até mesmo físicos.
Hammed diz ainda que se investigássemos a origem e a causa das obsessões, as encontraríamos em nossos pontos fracos e em determinados comportamentos autodestrutivos que consciente ou inconscientemente, adotamos. Você já parou para pensar que muitas vezes somos nós que obsidiamos os espíritos? Pois é, o conhecimento de si mesmo continua sendo o grande ensinamento para nos facilitar o caminho rumo à evolução. Pois com ele saberemos quando um pensamento é bom ou ruim, se ele é nosso ou se é sugerido.
Para nos libertarmos das prisões da obsessão, é necessário exercitarmos a auto-observação e aprendermos a gerenciar os nossos próprios pensamentos, emoções, atos e atitudes. Além disso, é imprescindível aquietarmos-nos numa auto-aceitação serena e honesta, admitindo o que somos e o que sentimos, sem jamais nos condenarmos ou punirmos. A dificuldade que temos em admitir nossas falibilidades é fator que, por si só, impede a cura que buscamos. Se modificarmos nossos pensamentos e atitudes, isto é, se considerarmos nossas limitações e conflitos, começaremos o processo de libertação. Pois, quando aprendermos a pensar e agir de maneira moderada e saudável, a obsessão termina, porque nos tornamos livres e equilibrados, não mais perpetuando os pensamentos desajustado.
Para nos livrarmos dos obsessores é preciso manter uma atitude positiva com relação à vida, sempre elevando nossos pensamentos e atitudes. Assumindo a responsabilidade total por nosso desequilíbrio, não passamos mais a atribuirá ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência. Como escreveu Allan Kardec em O Livros dos Médiuns.

José Antonio Ferreira da Silva


O autor é de Pesqueira-PE; é expositor espírita realiza regularmente palestras sobre espiritismo em Pesqueira, Sanharó, Belo Jardim, Caruaru, Arcoverde, Custodia; apresenta um programa espírita de rádio em Pesqueira, além de colaborar com a divulgação do espiritismo pela imprensa e pelos sites espíritas.
E-mail: j.antonioferreira@pesqueira.com.br