domingo, 18 de fevereiro de 2007

Uma Atitude Para Ser Feliz



Por José Antonio Ferreira da Silva

Na caminhada da evolução temos a mesma origem e a mesma finalidade, porém nos encontramos em pontos diferentes deste caminho. Vamos caminhando cada um com o ritmo que lhe é próprio e assim conquistando através das vivências, em inúmeras vidas, a experiência e a lucidez que definem a individualidade que somos. Com a espiritualidade aprendemos que a Inteligência Universal não tira cópias, somos únicos, pura consciência, somos espíritos eternos e precisamos tomar conhecimento de nossa essência. Então, como individualidades que somos não poderemos nos comparar e medir com medidas que não são nossas, devemos começar a nos aceitar e respeitar como somos, contanto para isso teremos que primeiro nos conhecermos, não apenas na teoria, mas também na prática.

Queria lhe propor algo diferente, um exercício, gostaria que você se olhasse no espelho e visse a pessoa singular que é. Veja, você é ímpar, única, é incomparável e tem uma beleza que o diferencia de qualquer outro ser, é o seu charme pessoal, é aquele traço especial do Criador em você. Continuemos nesse auto-descobrimento, agora feche os olhos e mergulhe dentro de si mesmo, viaje pelo seu mundo interior, tome consciência de você por dentro, veja seus sentimentos, sua emoções, seus medos e limites, mas também veja suas qualidades, seus potenciais e possibilidades. Olhe-se por inteiro, talvez você relute, não dê importância e ignore tudo isso, mas está na hora de mudar, é o seu momento, mude de atitude e tome consciência de você.

Conscientes de nossa individualidade é hora de começarmos a nos aceitar e respeitar como somos. De despertar para o valor que temos e para preciosidade que somos. Trazemos em nós, diz a espiritualidade - os germens da perfeição - ela já existe em nós como a marca do vir-a-ser da criatura e condição natural de nossa destinação. Já temos todos os motivos para nos valorizarmos e amarmos, entretanto reclamamos que ninguém nos valoriza, estima ou nos dá importância. Todavia como poderia ser diferente, se nós mesmos não nos valorizamos? Dá-nos valor não é querer ser melhor do que ninguém, mas sim darmos valor ao que sentimos ao que acreditamos. É colocarmos nossa energia interior para funcionar e quando fazemos isso, essa energia se espalha e as pessoas que nos cercam, sentem-se contagiadas por essa aura, e aí naturalmente a valorização acontece.

Ouvimos dos amigos espirituais que somos nós que escrevemos o nosso destino e construímos a nossa dita ou desdita. Dizem eles: felicidade e realização são construções nossas e não adianta ficarmos reclamando de nossas vidas, de Deus ou do universo por aquilo que caberia a nós termos feito. Se alguma coisa está dando errado, foi porque com certeza fizemos escolhas erradas e tomamos caminhos tortuosos. Portanto, caberá a nós retificarmos esses caminhos e atitudes. A construção é nossa e não podemos fugir disso, felicidade é o resultado de quem escolheu ser feliz. Por isso, tome uma atitude e invista em você, faça a parte que lhe cabe, o resto é com a vida, o universo conspira ao nosso favor, pois somos herdeiros de Deus, só nos resta toma posse de nossa herança.

Você vai querer resistir ao que eu disse, dirá que é difícil e que não irá conseguir. Porém, você pode e é capaz, basta apenas querer, a vontade é o nosso grande poder. Seja paciente, vá aos poucos e não se cobre o que ainda não pode dá. Dê tudo de si, você merece o melhor, foi feito para o melhor. Deus, a vida, o universo só poderão lhe dá o que você se der, não espere cair do céu, por que não vai cair, você tem que ir buscar, então busque. Tenha em mente que ser bom é saber cuidar de si, por isso não perca tempo, cuide de você. Sua felicidade pode depender apenas de uma atitude.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Enxergando Além


Por José Antonio Ferreira da Silva
O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.
Allan Kardec.
Muitas vezes somos tomados de assalto por acontecimentos que se apresentam de maneira fatal, irrevogável e funesta. São acidentes, desastres, tragédias, aos quais de forma nenhuma, escaparíamos, pois eles acontecem de tal maneira inevitável, que acreditamos vitimados por algum tipo azar ou destino, sem que nada pudéssemos fazer para evitá-los. Esses acontecimentos levam-nos a supor que exista alguma forma de determinismo ou fatalidade, a pré-estabelecer tudo que nos acontece, independente de nossas atitudes, ou de nós mesmos. Diante disso, nascem questionamentos e dúvidas que para muitos, ficam sem resposta. Os acontecimentos de nossas vidas são pré-determinados? O que determina o nosso destino? Temos livre arbítrio em nossas ações?
O Espiritismo é a chave a abrir-nos o entendimento a uma série de assuntos que se encontravam sem uma explicação lógica, dentre eles estão os conceitos de fatalidade e livre arbítrio.
Fatalidade nos dicionários é definida como o fatal, o determinado, o marcado, o inevitável. Comenta Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” que A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimento da vida, qualquer que seja a sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina destituída de vontade. Na realidade nós somos os construtores dos nossos destinos, nada acontece por acaso, somos nós com nossas atitudes que delineamos as alegrias que vamos ter, ou as tristezas que vamos enfrentar, pois temos livre arbítrio na escolha de nossas ações, porém, nos tornamos automaticamente responsáveis pelas suas conseqüências. Portanto, não há acaso ou determinismo nos acontecimentos de nossas vidas, mas sim, as conseqüências de nossas atitudes mentais e comportamentais, nesta ou noutras vidas, e também, as escolhas que fizemos na espiritualidade antes de reencarnamos.
Continuando ainda, sobre a fatalidade, Allan Kardec escreve: A fatalidade não é, entretanto, uma palavra vã; ela existe no tocante à posição do homem na Terra e às funções que nela desempenha, como conseqüência do gênero de existência que seu Espírito escolheu, como prova, expiação ou missão. Sofre ele, de maneira fatal, todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes. Mas a isso se reduz a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências. Com isso, vemos que muitos dos acontecimentos que hoje, atribuímos à fatalidade, podem ser na verdade, escolhas nossas antes de reencarnamos, conseqüências de nossas ações, nesta e noutras vidas e ainda, a marca das imperfeições que trazemos, nos impelindo a renascermos em um plano de expiação e provas, ficando assim, sujeitos a todas as intempéries naturais a esses planos. Aparentemente frutos da fatalidade, os acontecimentos que desafiam o nosso entendimento, são na verdade, o resultado do que fizemos de nós.
O livre arbítrio nos dicionários é definido por faculdade do homem de determinar-se a si mesmo. É a liberdade de escolher os próprios caminhos. Allan Kardec diz que, A questão do livre arbítrio pode resumir-se assim: O homem não é fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não “estavam escritos”; os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino. Ele pode, como prova e expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas, será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Fazendo uso do próprio livre arbítrio, o homem escolhe, altera, aproveita ou não, as suas provas ou expiações, ele faz hoje o que será amanhã.
O Espiritismo é esse farol a iluminar o nosso entendimento, para que possamos enxergar além. Ele nos ensina a ver, mesmo nas situações mais difíceis e dolorosas, a possibilidade de libertação e as leis da vida nos conduzindo a perfeição, que é o nosso fanal. Diante de acontecimentos funestos e supostamente fatalistas, entendamos que tudo está certo, eles são na realidade o cumprimento das leis universais respondendo as nossas escolhas. Por fim meditemos nas palavras do espírito Emmanuel, Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Evolução nossa de cada dia


Por José Antonio Ferreira da Silva
Quando o assunto é evolução espiritual a coisa funciona mais ou menos assim: o marido sente-se responsável pela evolução da esposa, a esposa sente-se responsável pela do marido e na maioria das vezes pela dos filhos também, fulano sente-se responsável pela evolução de beltrano, beltrano pela de sicrano e ninguém se responsabiliza por sua própria evolução. É muito fácil planejar, fazer e desfazer na vida dos outros, difícil é estar atento para onde estamos levando a nossa vida e como estamos escrevendo a nossa existência. Num momento estamos delineando os parâmetros da vida das pessoas, e em outro estamos guerreando para que ninguém invada o nosso território, numa incoerência gigantesca. O que será que nós entendemos por evolução espiritual? Que sentido nós damos a nossa existência? Como estamos vivendo a nossa vida?
Nos dicionários, evolução significa: “1. Ato ou efeito de evoluir. 2. Progresso paulatino e contínuo a partir de um estado inferior ou simples para um superior, mais complexo, ou melhor. 3. Transformação lenta, em leves mudanças sucessivas”. A espiritualidade nos ensina que fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à perfeição. Ela também nos ensina que chegaremos à perfeição dentro do ritmo que nós mesmos escolhemos com o nosso livre-arbítrio e que é através da forma como usamos os nossos talentos interiores, nas situações que a vida nos traz, que demonstramos se estamos facilitando ou dificultando a nossa própria evolução. Esclarecem os amigos espirituais que somos sempre nós, os responsáveis por nossa evolução espiritual e que não adianta querer forçar os outros, ou aproveitar o esforço dos outros no nosso processo de evolução, pois que, cada um está escrevendo a própria historia e é por ela o único responsável, devendo assim aproveitar cada oportunidade, pois mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades.
Porém a questão aqui é como temos vivido esses conceitos na prática, no dia-a-dia, com as pessoas que nos cercam e nas situações que estamos vivendo. Observo que somos muito passionais agindo mais com a emoção do que com a razão, agir com a emoção significa muitas vezes agir de forma precipitada e equivocada, saindo do nosso espaço e invadindo o espaço do outro. Na vida familiar, por exemplo, é comum esquecermos de cuidarmos da nossa para cuidarmos da vida dos outros e o pior, sem que nossa ajuda tivesse sido solicitada ou mesmo aceita. É preciso refletir se estamos colocando realmente em prática o que estamos aprendendo na teoria sobre a evolução. É necessário realmente entender que a cada um foi dado um tempo de espera e não adianta querer antecipar esse tempo. Entendamos que a nós compete a responsabilidade de trabalharmos no nosso próprio processo de evolução, fazendo aquilo que nos compete fazer. Pois segundo a espiritualidade esse mundo será melhor quando cada um ocupar o seu espaço.
Evolução espiritual não guarda a menor semelhança com salvação, não é privilégio ou muito menos um dom, é sim fruto de comprometimento e trabalho de quem realmente entendeu que quando nos ajudamos o céu nos ajuda. Sem dúvida evolução é um processo natural ao qual estamos fadados, porém como atingir-la é o fruto das escolhas que fazemos com o nosso livre arbítrio e do uso dos recursos que a divindade nos equipou a todos. Por tudo isso é preciso refletir sobre como estamos vivendo e que sentido temos dado a nossa existência, estamos realmente fazendo bom uso de todos os nossos potenciais e aproveitando todas as oportunidades que a vida nos traz? Aprendemos que a vida é eterna e que a evolução acontece existência a existência, mas também aprendemos que os minutos não se repetem e que quem melhor os aproveitar chegará mais rápido a seu fanal, ou seja, a perfeição. Portanto aproveite esse momento único que você está vivendo para trilhar mais depressa o caminho que leva a perfeição.A nossa evolução vai ocorrendo dia-a-dia, quando vamos fazendo com zelo as menores como as maiores coisas, assim nos integrando com as leis universais e fazendo nossa parte no progresso geral. Essa é a nossa missão, fazermos o nosso melhor no desempenho de nossas próprias atividades dando prosseguimento a evolução nossa de cada dia.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

A Duração da Pena


A duração do castigo está subordinada ao melhoramento do Espírito culpado.
Allan Kardec


Por José Antonio Ferreira da Silva

Allan Kardec foi um homem genial, porque entre outras coisas, ele conseguiu se colocar acima e adiante de seu tempo. Ele não se prendeu a paradigmas ou preconceitos, mesmo tendo sofrido influência religiosa no berço (família católica) e na escola (protestante), ele não se prendeu a nenhum conceito dessas religiões, homem de ciência, membro de várias sociedades cientificas, também não se prendeu ao academicismo de sua época. Quando ele se debruçou na observação e no estudo dos ensinos dados pelos espíritos, o fez sem amarras, guiado pelo bom senso, ousou questionar a espiritualidade sobre os pontos mais profundos acerca de Deus, do Universo e do próprio Homem. Sem idéias preconcebidas ele ouviu e observou, comparou e experimentou, aceitando todos os ensinamentos que passavam pelo crivo da lógica e da razão.
O mesmo não tem acontecido conosco, pois permanecemos atados a velhos arquétipos dos quais não conseguimos nos libertar, para realmente podermos aprender em profundidade tudo que o espiritismo tem para nos ensinar. Um assunto que ainda é mal compreendido é a “Lei de Ação e Reação”, pois ainda a vemos como se estivéssemos vendo a “Pena de Talião” do Velho Testamento, ou seja, o olho por olho e o dente por dente.
Por não se libertarem dos velhos paradigmas, muitas pessoas acreditam que se certo indivíduo ficou cego ou surdo nesta existência, foi porque furou os olhos de alguém ou perfurou os ouvidos de outro, em existências passadas. E o que é pior, acreditam que os homicidas e os suicidas, por exemplo, só resgatarão seus débitos se forem assassinados ou desencarnarem de forma violenta. Não percebem eles que há variantes e existem várias maneiras para se pagar uma dívida, essas maneiras variam de indivíduo a indivíduo, já que cada um de nós está em pontos diferentes na escalada da evolução, isso sem se falar que Deus julga antes de tudo a intenção. A Pena de Talião teve seu tempo, todavia, já não atende ao bom senso e a lógica que o nosso tempo exige.
Nós espíritas, temos como referencial os livros codificados por Allan Kardec, e no livro “O Céu e o Inferno” nós encontramos a seguinte explicação: A expiação varia segundo a natureza e a gravidade da falta. A mesma falta pode assim provocar expiações diferentes, segundo as circunstâncias atenuantes ou agravantes nas quais ela foi cometida. Com isso percebemos que intenção e situação estabelecem os atenuantes ou agravantes, e estes determinam o tipo e a duração das penas, que não são iguais nem na forma, nem na duração para ninguém. Temos que aprender a sermos flexíveis e deixarmos de generalizar tudo, pois cada caso é um caso, não há copias nem moldes prontos, se por um lado a vida não se repete, por outro, as leis universais também não, pois são sábias e benevolentes conforme podemos ver em “O Livro dos Espíritos” onde está escrito: A lei que rege a duração das penas é portanto eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços do Espírito.
Mesmo os ensinamentos dos espíritos sendo tão claros com relação às leis universais e a duração das penas, ainda existe quem acredite que independente do tempo que se tenha durado a pena, ela só será realmente paga, quando o infrator a reparar com um tipo de sofrimento, ou dor, igual ao cometido por ele, ou seja, se ele envenenou terá que ser envenenado, se tiver mandando alguém para a fogueira terá que arder, mesmo que seja , através da lepra, e se decapitou alguém terá que perder a cabeça, nem que seja, em um acidente. Será que só nos libertaremos dos equívocos do passado dessa maneira? Será a Justiça Divina menos justa que a nossa? Não, não é isso que ensina a Doutrina Espírita, vejamos o que diz a questão 1004 de “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec pergunta aos amigos espirituais, O que determina a duração dos sofrimentos do culpado? - Respondem eles: O tempo necessário ao seu melhoramento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de pureza de Espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos dependem do tempo que ele precisa para se melhorar. À medida que ele progride e que os seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e se modificam. Como vemos o que determina a duração e a liquidação da pena não é o tipo da expiação, mas sim, o melhoramento da criatura, é a superação de suas imperfeições e a sua volta aos caminhos do bem.
Precisamos seguir a atitude de Allan Kardec, e nos colocarmos acima e adiante de paradigmas e preconceitos, sejam eles religiosos ou não, pois sem isso ficaremos impossibilitados de compreender muitos pontos da Doutrina Espírita, pontos que nos exigem uma visão mais ampla e um raciocínio mais profundo. Ainda enxergamos pouco, porque não tivemos a coragem de tirar o véu que está sobre nossos olhos, ou seja, os paradigmas, e se nosso raciocínio é superficial é porque não temos o hábito de pensar e refletir com profundidade. Não esqueçamos as palavras do mestre de Lion “O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina;” “O céu e o Inferno”.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Influência Oculta



Por José Antonio Ferreira da Silva

Quem realmente estuda, aprende que as influências espirituais
são regidas pela lei de sintonia e afinidade



Nessa minha vida de espírita eu escuto de tudo, escuto comentários que às vezes dá vontade de rir e outros que dão vontade de chorar. Meu Deus quanta ignorância a respeito da vida e das leis espirituais. Nesses comentários o que eu realmente vejo são as pessoas fugindo a assumi a responsabilidade sobre suas vidas, fugindo a encarar a realidade e o pior, culpando os outros pelos seus desencontros e suas decepções. Um dos bodes expiatórios mais populares são os espíritos, coitados deles, são responsabilizados por tudo, da dor nas costas a queda de cabelo, é mole? Mas é verdade gente, ninguém quer encarar a realidade de que são elas próprias que constroem o próprio destino.
Nas minhas viagens para realizar palestras e no meu programa de rádio eu costumo escutar coisas do tipo: “meu marido bebe por que tem um espírito que faz ele beber”, “meu marido não deixa a outra mulher por que ela botou um encosto nele” e ainda “um espírito entrou em mim e eu quebrei tudo lá em casa”. E pasmem, na maioria das vezes elas são espíritas e justificam todas essas asneiras usando a questão 459 de O Livro dos Espíritos quando Allan Kardec pergunta: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Respondem os espíritos: “Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.”. Elas não estudam com profundidade o Espiritismo e nem refletem coisas básicas do tipo: como se processa essas influências? Que leis regem essas influências? E até onde vão essas influências?
Mas a espiritualidade não nos deixa dúvidas, quem realmente estuda aprende que as influencias espirituais são regidas pela lei de sintonia e afinidade, que somos nós com as nossas atitudes mentais e comportamentais que atraímos os espíritos evoluídos ou os atrasados, para junto de nós e que como tudo na vida, isso tem conseqüências e às quais não poderemos fugir. Pois como diz o espírito Joanna de Ângelis no seu livro Plenitude: “Somente há desar, obsessão e sofrimento, por que se elegem os comportamentos doentios em detrimentos daqueloutros positivos”. Não são eles que nos trazem os vícios e as paixões, mas somos nós que com os nossos vícios e paixões que atraímos as companhias espirituais desequilibradas. Temos livre-arbítrio e ninguém, seja espírito encanado ou desencarnado conseguirá nos influenciar a fazermos uma coisa a qual não queiramos. Culpar os espíritos pelas nossas falhas é fugirmos a encarar a realidade e a necessidade de dirigirmos a nossa própria existência.
O próprio Allan Kardec nos chamou atenção em O Livro dos Médiuns a “evitar atribuir à ação direta dos espíritos todas as nossas contrariedades, que, em geral, são conseqüências da nossa própria incúria ou imprevidência”. Você continuará sempre sendo o que você faça de você, a influencia espiritual existe e existirá de acordo com o que você é, e não determinando o que você será. Portanto não culpe os espíritos pela bebida, pela traição e pelos desequilíbrios que na maioria das vezes eles são meros coadjuvantes, e você a estrela principal, pois é você que escolhe os pensamentos, quem escolhe as atitudes e quem desencadeia os fatos.
Reflita antes de culpar os espíritos, porque se você for investigar a origem e a causa das obsessões as encontrará em você mesmo. E você que abre a fresta e dá espaço, a influencia negativa ou quem eleva o pensamento e sintoniza com a espiritualidade maior agindo sempre da melhor maneira possível. É hora de mudarmos a postura e entendermos as verdades básicas da vida. Você está, onde você se põe, só quando assumirmos o compromisso de cuidarmos de nós mesmos é que conseguiremos viver a felicidade que tantos sonhamos. Felicidade que não é privilegio, nem dádiva. Felicidade que é conquista de quem escolheu ser feliz.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Tudo Está Certo



Por José Antonio Ferreira da Silva

A grande maioria das pessoas diante de dores e sofrimentos, logo diz: é carma, está pagando débitos de outras vidas, aqui se faz aqui se paga. Mas eu pergunto: será que nós estamos aqui só para pagar? E será que só se paga com dor e sofrimento? Particularmente eu acho que essa é uma visão reduzida da existência, e que é fruto de paradigmas existentes em nossos arquétipos judaico/cristão, que nos prendem a uma visão maniqueísta da vida e da existência, onde tudo se resume ao bem e o mal, ao faz/paga e ao crime/castigo.
Na Doutrina Espírita eu encontrei uma visão reencarnacionista dinâmica da existência, mostrando não apenas de onde eu vim e para onde vou, mas principalmente o que estou fazendo aqui. E nesta visão espírita da existência eu aprendi que estou aqui para evoluir, para crescer e para ser feliz. Diz o espírito Joanna de Ângelis “O fatalismo cármico da evolução é a felicidade humana”. Então por que limitar a nossa visão ao faz/paga? Nós fomos criados simples e ignorantes, porém fadados à perfeição e atingiremos isso mediante esforço próprio.
Claro que nesse processo de evolução enquanto ignorantes nós iremos nos adentrarmos em caminhos errados, temos livre-arbítrio e como ele a liberdade para escolhermos os nossos caminhos, que em muitas vezes não são os melhores e isso traz conseqüências que nem sempre são boas. Contudo é só voltamos para caminho certo, para tudo voltar ao normal. Estamos aqui para aprender e quem está aprendendo erra, porém diz o espírito Hammed; “A trilha que denominas “errada” é aquela que nos possibilitou aprendizagem e o sentido do nosso “melhor”; pois sem o erro possivelmente não aprenderíamos seguramente a lição”.
Os espíritos nos ensinam que existem muitas maneiras de aprender, somos nós que insistimos em acreditar que só se aprende através da dor, em “O Livro dos Espíritos” o livro básico do espiritismo está escrito: “Fazer maior bem do que o mal que se tenha feito, essa é a melhor expiação”. Então por que continuar vendo na dor e no sofrimento os únicos caminhos de redenção? Isto é não se libertar de paradigmas que fazem parte de uma era medieval. Nós estamos numa nova era, a era do espírito e nela devemos olhar com os olhos do espírito, o espírito das coisas. Compreendamos, portanto, que nem todos os sofrimentos são frutos de erros de vidas passadas ou de Carmas imutáveis, explica Joanna de Ângelis: “A soma das experiências e ações positivas anula aquelas que lhe constituem débitos propiciador de sofrimento”. Temos vários caminhos, o da dor, somos nós mesmo que teimamos em escolher. “Ninguém nos condena, nós é que cremos no castigo e nos punimos. Provocando padecimentos com o nossos gestos mentais” Hammed.
Nós somos espíritos eternos, com a mesma origem e com a mesma destinação, mas que além de termos bagagens e historias diferente, estamos em estágios também diferentes da evolução. Qualquer tentativa de julgamento vai invariavelmente ser falsa, pois a vida é rica e não se repete nunca. Aquelas historias de dor e sofrimento que agente julga, nos outros, podem ter várias origens, nestas ou noutras encarnações, e ainda podem ser: expiação, reparação ou até mesmo missão. Daqui pra frente diante daquele sofrimento que lhe chamou a atenção não diga é carma, mas tenha em mente que “Tudo está certo, porque todos estamos nas mãos de Deus” Hammed.


Bibliografia:
· O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 60ª Edição LAKE
Resposta à questão 770-a. Pagina 258.
· O Homem Integral – Joanna de Ângelis/Divaldo Franco – 5ª Edição LEAL
Paginas 120 e 127.
· Renovando Atitudes – Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto – 5ª Edição – Boa Nova
Paginas 182 e 183

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Influência Espiritual


Por José Antonio Ferreira da Silva

Desde os primeiros tempos, o homem sente que a vida não termina com a morte e que os que se foram não estão tão distantes assim. Inúmeros estudos antropológicos nos mostram que mesmo nas civilizações mais primitivas os homens cultuavam os seus antepassados e tinham seus feiticeiros, pajés e xamãs numa demonstração clara que eles já tinham intuição da existência dos espíritos e da influência dos mesmos em nossas vidas. Com o Espiritismo essa influencia deixou de ser uma mera intuição para ser um fato observado e experimentado com rigores de ciência. Allan Kardec ao pesquisar fenômenos antes atribuídos ao maravilhoso e ao sobrenatural deparou-se com os espíritos, as almas dos que aqui viveram e que ainda continuavam vivos em outra dimensão, mas mesmo assim podiam se comunicar conosco através de pessoas dotadas de uma faculdade denominada mediunidade. Através dos chamados médiuns, indivíduos possuidores da mediunidade, Allan Kardec pôde observar os fenômenos produzidos pelos espíritos e também travar diálogos sobre vários assuntos com eles. Destes diálogos nasceu a 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos, o livro trás os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens.
Estudando as relações dos espíritos com os homens, Allan kardec pergunta a espiritualidade: Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações? E eles respondem: Nesse sentido a sua influencia é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem. Allan Kardec prossegue no seu dialogo com a espiritualidade e vai desvendando todos os mecanismos e leis envolvidas no processo de influência dos espíritos. Ele constata a existência da lei de sintonia e afinidade que é quem determina toda interação entre as dimensões físicas e espirituais. A Doutrina Espírita é progressiva e progride pelos ensinamentos dos próprios espíritos através dos tempos. Nos dias de hoje o espírito Hammed nos ensina que sintonia é o estado em que se encontram duas pessoas que se acham numa mesma igualdade de emoção, ponto de vista, crença ou pensamento. Toda interferência espiritual acontece respeitando a afinidade entre os agentes envolvidos no processo. Exemplo: quando pensamos no bem atraímos quem é do bem; quando pensamos no mal atraímos quem é do mal. Por isso, nos ensina o espírito Manoel Philomeno de Miranda: Pelo pensamento, cada um de nós elege a companhia espiritual que melhor nos apraz. Concordando com o que também ensina Hammed: Ninguém simplesmente “pega” energias nocivas ou atrai espíritos infelizes de modo casual ou fortuito. A vida não é injusta. Temos o que merecemos. Não somos vítimas impotentes vivendo um destino impiedoso. Nada é por acaso, e todo efeito tem causa, se estamos sendo foco de algum tipo de obsessão ou perturbação espiritual é porque de alguma forma as provocamos. Escreveu Allan Kardec: É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha da rota que devemos seguir e a liberdade de ceder a uma ou a outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.
O aspecto mais importante a sabermos sobre a influência espiritual é que não somos escravos dela e que podemos nos desvencilhar da mesma, bastando para isso apenas nossa própria vontade e determinação. Vejamos novamente o que nos ensina o dialogo de Allan Kardec com a espiritualidade em O Livro dos Espíritos: Pode o homem se afastar da influência dos Espíritos que o incitam ao mal? Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos. Ainda insiste Allan Kardec: Pode uma pessoa, por si mesma, afastar os maus espíritos e se libertar do domínio? Sempre se pode sacudir um jugo, quando se tem uma vontade firme. Então, conforme podemos ver, sem dúvida nenhuma, a influência dos espíritos em nossas vidas existe e podem nos levar a vários caminhos, porém, nós é que escolhemos que caminho e até onde vai esta influência em nossas vidas. Pensemos bem antes de nos colocamos como vítima na vida, pois temos aprendido que nós somos os responsáveis pela felicidade ou infelicidade que estamos vivendo, e o livre-arbítrio é o grande atributo do espírito, é conforme o uso que fazemos dele que impulsionamos ou não, a nossa caminhada rumo à evolução.
Influência é o ato ou efeito de influir. Ação que uma pessoa ou coisa exerce sobre outra. Com relação aos encarnados tanto quanto aos desencarnados, quem vai determinar se vai ou não se deixar influenciar é a própria pessoa. Pensar bem e no bem, deixa de ser uma norma moral ou religiosa, para ser uma atitude profilática ou terapêutica dependendo do caso, no que se refere a viver paz do ponto de vista emocional e espiritual. Para finalizarmos, vejamos o que nos diz o Espírito Hammed: A nossa melhor defesa contra os assédios espirituais é a auto-responsabilidade. Perante as influências negativas, não mais nos tornemos vítimas ou mártires, dizendo: “Sou um pobre coitado! Alguém tem de fazer algo por mim!”, mas, “Como posso transformar essa situação? Como desenvolver minhas potencialidades? Onde está o “ponto de deficiência” que eu preciso mudar? O que posso fazer para ter maior equilíbrio na vida?”. Auto-responsablidade, é assumirmos a responsabilidade pelo o que estamos fazendo da nossa existência, é sabermos que Deus já nos deu tudo, é também sabermos que os espíritos não são anjos ou demônios, são apenas seres como nós apenas fora da carne, porém dentro da vida, dando prosseguimento ao próprio processo de evolução.

“Evitar de atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são conseqüência da nossa própria incúria ou imprevidência”. Allan Kardec

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Temos vivido assim?


Sempre é tempo de refletir sobre o nosso próprio comportamento


Por José Antonio Ferreira da Silva


Os fenômenos mediúnicos acontecem desde os primórdios da humanidade, nós temos registros disso nos documentos históricos e nos livros sagradas da maioria das religiões, sendo que esses fenômenos dos primeiros tempos aconteciam esporadicamente, um aqui outro ali, sem um objetivo ou finalidade pelo menos aparentemente. Porém a partir do advento da doutrina espírita com os fenômenos das Irmãs Fox nos Estados Unidos e das Mesas Girantes na Europa, os fenômenos apresentam a característica de uma invasão organizada com o objetivo de chamar a atenção de jornalistas e cientistas para mostrar que mesmo depois da morte a vida continua.
Passada essa fase de chamar atenção e despertar interesse, os fenômenos mediúnicos passam para uma nova fase, a da conscientização. É esse momento que estamos vivendo onde a espiritualidade num momento de muita ternura tem nos trazido conhecimentos com o objetivo de nos conscientizar de nossa própria espiritualidade e também de nos ensinar a viver em plenitude.
Gostaria de enumerar aqui alguns conceitos e ensinamentos dos espíritos que nos leva a uma nova postura diante da vida e nos ajuda no processo do auto-conhecimento e na construção do homem novo ou Homem Integral na expressão do espírito Joanna de Ângelis.
1. Consciência de Si – A questão primordial é nos descobrirmos espíritos, descobrirmos que temos algo mais do que o corpo, uma essência e que essa essência precede o berço e sobrevive ao tumulo. É bom ficarmos atentos para o fato de que já somos espíritos, espírito no corpo. E nessa essência que somos residem os nossos sentimentos, emoções e a nossa própria inteligência. Conscientes disso passaremos a visualizar a vida por um ângulo bem mais amplo.
2. Consciência no Pensar – Toda ação foi antes um pensamento, uma idéia. Todos os espíritos são unânimes em afirmarem a importância dos nossos pensamentos na construção de nossos destinos. O espírito Hammed chega a afirmar que nossa forma de pensar é quem constrói nosso destino. Daí a importância de ficarmos consciente de tudo que se passa no nosso mundo interno, pois ele é quem determina o nosso mundo externo. A grande maioria vive de forma automática, sem consciência da importância que tem a sua forma de pensar e as crenças que alimenta. Somos o que pensamos disse há muito tempo Buda, é hora de ficarmos conscientes desta verdade.
3. Consciência no Falar – Diz Joanna de Ângelis que depois de disparada, a flecha tende fatalmente a acertar seu alvo. Nossas palavras são flechas carregadas de energia positivas ou negativas que fatalmente vão acertar um alvo, se forem positivas as energia de nossas flechas as reações serão boas, se não sofreremos as conseqüências. Será que temos falado de maneira consciente? Será que temos analisado o conteúdo de nossa fala antes de dispará-las? È hora de avaliarmos nosso verbo.
4. Consciência no Agir – Toda ação, gera uma reação com a mesma força e intensidade. Ação e Reação, Causa e Efeito. Será que temos refletido em tudo que os espíritos nos ensinam sobre esse assunto? Era para pensarmos em tudo antes de agirmos, era para analisarmos muito bem cada escolha nossa e suas conseqüências para nós e para os outros. Mas parece que para nós os ensinamentos dos espíritos são apenas teoria. Está na hora de sermos Seres Conscientes e agirmos como tais vivendo na prática o que aprendemos na teoria.
5. Viver em Plenitude – O Homem Integral é aquele que quando tem sono dorme, quando tem fome come, quando quer falar fala. O homem pleno é aquele que tem consciência de si, pensa com consciência, fala com consciência e age conscientemente. Viver na prática tudo que os espíritos ensinam. Temos vivido assim?

O que a espiritualidade tem nos ensinado tem um objetivo e uma razão. Estamos num momento impar, onde a espiritualidade tem nos enviados inúmeros conhecimentos para nos ajudar na macha do progresso, dizem os espíritos em O Livros dos Espíritos que mais evolui, quem melhor aproveita as oportunidades, portanto aproveitemos. Pois a vida é eterna, mas os minutos não se repetem.