domingo, 1 de abril de 2007

O QUESTIONAMENTO NECESSÁRIO



Por José Antonio Ferreira da Silva

Observando as pessoas com suas dores e dramas, coloquei-me a refletir sobre o porquê do sofrimento em nossas vidas. O sofrimento é comum a todos nós, brancos ou negros, ricos ou pobres, novos ou velhos, todos em algum momento de nossas vidas iremos nos deparar com ele, que geralmente vem quando menos esperamos. Eu, na minha ingenuidade acreditava que o sofrimento, sendo comum a todos, divergia apenas na forma como o enfrentávamos, pois eu via pessoas que se desesperavam, enquanto outras o enfrentavam com serenidade. Hoje, porém, vejo que existem muitas outras questões que merecem a nossa reflexão, se quisermos realmente aprender algo positivo sobre o assunto. Vejo também que o Espiritismo é uma ferramenta indispensável para fazermos essa reflexão, pois ele nos traz a chave necessária para uma visão ampla e profunda sobre tudo o que nos acontece e conseqüentemente sobre a finalidade do sofrimento em nossas vidas.
Fazendo uma análise do sofrimento, escreveu Allan Kardec ([1865] 1986:78): “O sofrimento é inerente à imperfeição.”, ou seja, ainda estamos nos primeiros degraus da escalada evolutiva, naturalmente trazemos ainda inúmeras imperfeições, e elas nos causam muitas dores e sofrimentos. Continua o codificador: “Toda imperfeição, assim como toda falta dela decorrente, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis;” (Kardec, 1986:78). É hora de encararmos essa realidade, enxergando que a causa dos nossos sofrimentos está em nós, assim, só nós mesmos, através dos esforços que fizermos para sobrepujar os nossos limites e para desenvolvermos os nossos potenciais, é que conseguiremos superar os nossos próprios padecimentos. Por fim, Kardec (1986:78) conclui: “Podendo todo homem liberta-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.”. A superação do sofrimento deve ser compromisso nosso. Pois, é responsabilidade intransferível e impostergável, caso queiramos viver a felicidade que nossa condição evolutiva já permite. Para isso, basta-nos a vontade.
Escrevendo também sobre o assunto, nos acrescenta o espírito Hammed ([2004]2004:62): “Sofrimento é o resultado de atos e atitudes alicerçados em concepções precipitada ou equivocadas que adquirimos nesta ou em outras vidas e que continuamos a perpetuar, de modo consciente ou não, em nosso cotidiano.”. Por estas palavras, podemos perceber que o sofrimento não nos acontece por acaso, tampouco é fruto de um castigo ou fatalismo, mas sim, é a conseqüência de nossas escolhas mentais e comportamentais, nesta ou noutras vidas. Somos os responsáveis pela nossa dita ou desdita, pela nossa felicidade ou infelicidade, ou seja, “A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: essa é a lei da Justiça Divina.” (Kardec, 1986:78).
Estamos vivendo um momento ímpar, onde a espiritualidade tem se manifestado através dos mais diferentes médiuns, e trazido os mais diversos ensinamentos, sempre com o mesmo objetivo, ensinar-nos o caminho do auto-aprimoramento e a viver de maneira a sermos tão felizes quanto se possa ser na terra. Aprendemos com a espiritualidade que diante de qualquer acontecimento, a questão não é só se resignar, mas, aprender com o que estejamos passando, pois, ninguém deve sofrer por sofrer. Esclarece-nos Hammed (2004:61) “Sofrer por sofrer não significa crescimento e evolução, visto que a única função da dor em nossas existências é despertar-nos para o amor”. Muitas vezes, a dor foi a única linguagem que as forças da vida encontraram para entrar em contato conosco, de tão adormecidos que nos encontrávamos, é preciso despertar, escutar e tentar entender o que estamos passando, para agirmos de maneira a nos libertar do sofrimento.
Segundo os benfeitores espirituais, diante das dores e sofrimentos há questionamentos necessários a se fazer. Primeiro, devemos nos perguntar: o que a vida está querendo me dizer com essa situação? E tentar analisar por todos os ângulos possíveis, tentando ouvir a mensagem subliminar que a vida está nos passando. Em seguida, questionemos: como terei provocado esses acontecimentos? Sabemos que somos nós que estamos a cada momento escrevendo e reescrevendo os nossos destinos, ou seja, tudo é desencadeado a parti de nossas atitudes, então, como provoquei e como posso alterar as atitudes que geraram esses acontecimentos? Por fim, a pergunta mais importante: como transformar essa situação para melhor? O que poderei fazer para reverter esse quadro de dor em aprendizado? Como agir de maneira a utilizar o hoje para resgatar o passado e construir um futuro de luz? Esses questionamentos levar-nos-ão a uma postura mais lúcida e consciente. Essa é a finalidade de nossa existência, ser hoje melhor do que ontem.
Tenhamos em mente que cada momento é único: mesmo que de dor, é preciso que o vivamos em plenitude, buscando entender o porquê dos nossos padecimentos. Como descobrir a melhor maneira de enfrentá-lo e consecutivamente de superá-lo? “Diante de toda e qualquer aflição, precisamos utilizar discernimento, avaliar a situação e, a partir disso, transformá-la em aprendizagem.” (Hammed, 2004:62). Essa deve ser a nossa atitude. O sofrimento não é o nosso estado natural, ele é um estado transitório, enquanto não se supera as próprias imperfeições. As imperfeições é que lhes são as verdadeiras causas e são elas a quem devemos combater.
Fadados à perfeição, nosso destino é a felicidade, o sofrimento representa apenas o sinal de que estamos nos distanciando do caminho que leva a ela. Por isso, olhemos para nós mesmos. É preciso escutar e sentir o nosso íntimo para descobrirmos o espírito que somos. Depois disso, com os olhos do espírito, enxergar o espírito das coisas e assim, entendermos a grandeza da vida e das suas leis. Aprendamos sempre, mesmo diante das situações mais difíceis e dos sofrimentos mais atrozes. Diante deles façamos o questionamento necessário, buscando serenidade para transformarmos sombra em luz, dor em redenção e assim nos tornarmos merecedores da felicidade a qual estamos destinados.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Kardec, Allan. ([1865] 1986). O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 4ª Ed. São Paulo: Lake, 1986.
Espírito Santo Neto, Francisco ([2004]2004). Um Modo de Entender – Uma nova forma de viver. Pelo Espírito Hammed. 2ª Ed. Catanduva: Boa Nova Editora, 2004.