sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Veja com os olhos da alma!



Por José Antonio Ferreira da Silva




Sendo os espíritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é então a existência da alma. Allan Kardec – L.M.


Diante de um mesmo fato, são diversas as posturas que podemos ter. Há quem veja esse fato com seriedade, há quem o ignore, mas também há aqueles que aproveitam cada ensinamento advindo do tal acontecimento. Diante das manifestações espirituais, por exemplo, as posturas também são as mais diferentes: há aqueles que as têm por passatempo, outros que vêem ali oráculos, como também os que as vejam por divinas ou demoníacas. A verdade é que poucos aproveitam a oportunidade de aprendizagem e crescimento que estão presenciando.
Nos memoráveis fenômenos das mesas girantes, que foram a coqueluche do século XIX, poucos perceberam a importância do que estavam vivendo. Aquela oportunidade ímpar de confabulação com os espíritos foi, por muitos, malbaratada. Entretanto, um que soube aproveitar e enriquecer ainda mais aquele diálogo foi Allan Kardec. Ele é o nosso grande referencial; enxergou além encontrando, naquela oportunidade, respostas para questões que há muito desafiam a humanidade. Allan Kardec visualizou naqueles fenômenos tidos por banais, dentre outras coisas, a comprovação da imortalidade da alma.
Kardec percebeu também que o fenômeno mediúnico tem como propósito despertar-nos para espiritualização, ou seja, a compreensão de nossa natureza espiritual. Somos espíritos e não podemos ignorar esse fato, de sorte que isso seria ignorar a nossa verdadeira essência. A esse respeito ensina-nos também o espírito Joanna de Ângelis (1999:152):
A realidade da sobrevivência do espírito e do seu intercâmbio com os homens encontra-se ínsita no próprio ser, e os fenômenos exteriores têm como finalidade torná-lo consciente, quando imerso na matéria, a fim de que faça a sua existência mais saudável, otimista, criadora, de forma que possa crescer incessantemente, adquirindo, mediante as experiências novas, os recursos que o capacitem para a evolução que o aguarda.
Poucas são as pessoas que, mesmo presenciando alguma manifestação mediúnica, encontram-se conscientes de sua natureza espiritual – Preferem continuar ignorando o espírito que são e os potenciais que possuem. A verdade é que elas buscam nas comunicações mediúnicas apenas fórmulas e rituais capazes de resolverem seus problemas e satisfazerem suas vaidades, perdendo, assim, a oportunidade de usarem os próprios recursos internos, sem a necessidade de nenhum subterfúgio para construção da felicidade tão desejada. Fala-nos Hammed (2004:124):
Não se alcança a luz do espírito nem por osmose ou símbolos, nem através de cerimônias ou determinações das autoridades religiosas, e sim entesourando os valores e as experiências provenientes da própria busca íntima.
Todos os recursos necessários para o enfrentamento dos desafios próprios da existência encontram-se dentro de nós; contudo, a responsabilidade de despertá-los é só nossa.
Ensinam-nos os benfeitores espirituais que os germes da perfeição estão dentro de nós, que as leis divinas estão impressas em nossa consciência, e que são inúmeros os nossos recursos interiores. Logo, se torna urgente, conhecermo-nos, pois, para fazermos uso dos potenciais que a divindade nos concedeu é preciso tomar conhecimento deles. Aprendemos em “O livro dos espíritos” ([1857]2006:498), que “O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual” não apenas para descobrimos os nossos potenciais, como também para conhecermos e superarmos os nossos próprios limites e fraquezas. Lemos ainda em “O livro dos espíritos” (2006:498), que “Aquele, pois, que tem o sério desejo de melhorar-se perscrute a sua consciência, a fim de extirpar de si as más tendências, como arranca as ervas daninhas do seu jardim”. A percepção nos mostra que esse processo de autoconhecimento é fundamental para a construção da nossa felicidade.
Aprendemos com os amigos espirituais que a realidade é feita de várias camadas, que um mesmo acontecimento pode ser avaliado de diversas maneiras e ter diversas interpretações. Então, concluímos que necessitamos desenvolver nossa capacidade de entrar em contato com suas camadas mais profundas. Porque espiritualidade é, na verdade, ver como o espírito, o espírito das coisas. “Quanto mais ampliarmos a consciência do que somos, maior será a nossa espiritualização. A percepção da realidade de uma criatura tem a dimensão exata da sua própria consciência; nem mais, nem menos” (Hammed, 2000:39). Portanto, não esqueçamos: espiritual é ver com o espírito.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- KARDEC, Allan. ([1862] 1987). O livro dos médiuns. 13ª Edição. São Paulo: LAKE.
- KARDEC, Allan. ([1857] 2006). O livro dos espíritos. 1ª Edição comemorativa do sesquicentenário. Brasília: FEB.
- PEREIRA FRANCO, Divaldo. ([1999] 1999). Dias gloriosos. Pelo Espírito Joanna de Ângelis – 1ª Edição. Salvador: LEAL.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([2004] 2004). Um modo de entender – Uma nova forma de viver. Pelo Espírito Hammed, 2ª Edição. Catanduva: Boa Nova Editora.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([2000] 2000). A imensidão dos sentidos. Pelo Espírito Hammed, 2ª Edição. Catanduva: Boa Nova Editora.