segunda-feira, 31 de março de 2008

REENCARNAÇAO OU O ESPÍRITO DO ESPIRITISMO

Por AVANIZE G. MENDES.

Joanna de Angelis diz: Disciplinar e edificar o pensamento através da mente em idéias superiores da vida, do amor, da arte elevada, do bem, da imortalidade, constitui o objetivo moral da reencarnação, de modo que a plenitude e a felicidade sejam a conquista a ser lograda. (Livro Auto conhecimento pág. 32)
No seu livro, o ser consciente na pág. 111, ela sintetiza: A reencarnação é método para o espírito aprender, agir, educar-se, recuperando-se quando erra, reparando quando se compromete negativamente. Inevitável a sua ocorrência, ela funciona por automatismo da vida, impondo as cargas de uma experiência na seguinte, em mecanismo natural de evolução, e continuam inscritos os códigos da justiça na consciência individual, representando a consciência cósmica, ninguém se lhe exime aos imperativos, por ser fenômeno automático e imediato.
Nós, os espíritas, somos o único segmento cristão que concebe a reencarnação, os demais segmentos admitem a imortalidade da alma, mas não compactuam com a possibilidade de o espírito ter a capacidade de renascer em outro corpo.
Eu compreendo e não concebo a existência e justiça, sem a oportunidade de aprender e refazer a caminhada, a possibilidade de renascer para crescer moral e intelectualmente. Só a reencarnação pode explicar as desigualdades sociais e gerais da existência. Quando o ser humano indaga, questiona a justiça nas disparidades, a razão dos bem nascidos, segundo a visão espírita de quem observa e os parias sociais, como e quando isso se dá, é por negligência do criador, pelo bel prazer da divindade que brinca com suas criaturas como se fossemos marionetes, como se fossemos coisas entregues à própria sorte. A nossa razão rejeita nivelar Deus a tamanha ignorância, se nós, enquanto humanos e consequentemente imperfeitos, sonhamos lindos sonhos para nossos filhos, imagina Deus todo amor, perfeição, justiça e tantos outros atributos que a nossa ignorância não concebe, faria qualquer coisa que estaria fadada a estagnação atada a impossibilidade do tempo de transformação. Aos inquietos e descrentes, sugerimos a observação da semente fincada na terra, que morre para dar lugar ao surgimento de árvores magníficas, que transformam a paisagem e embelezam, alimentam, crescem e transformam-se em promessas de vida abundante.
A alma é a mais bela das sementes do criador, somos o maior projeto que a divindade concebeu em possibilidade de perfeição, e, a nós seria dada impiedosamente uma mísera chance, que desperdiçada, só restará a escuridão sem remissão, o céu é privilégio para poucos e o inferno é o prêmio para a nossa ignorância das leis divinas, para a nossa infância moral, a incompreensão de um Deus que é todo misericórdia e justiça?
Justiça, que justiça é essa concebida nos porões das mentes desatentas, que trazem Deus para a animalidade que em nosso ser impera e aprisiona? Só a justiça da reencarnação, restitui a Deus toda a sua magnânima justiça e grandiosidade. Não que Deus precise por nós ser compreendido, mas, nós, suas criaturas precisamos começar a crescer rumo ao criador, chega de na impossibilidade de entendimento diminuirmos Deus ao tamanho da nossa ignorância. A hora é de horizontalidade, de soerguimento, chega de postergar, essa é à hora, esse é o momento. Quantos convites temos recusado insistentemente. A vida nos chama à razão, nos envia ajuda, espíritos que amorosamente nos falam das riquezas existenciais, nos dizem da abundância divina, nos falam das infinitas possibilidades do espírito para atingir a perfeição, nos convidam a perceber que somos canteiros prenhe de sementes em ebulição, que só precisamos ser regadas com a nossa atenção para os sentidos que vão além do que é visível, o convite é para viajar para dentro, e nesse empreendimento é necessário que voltemos um olhar investigativo, que comecemos a nos inquietar com as coisas que farão a diferença em toda a nossa existência.
De onde viemos? O que estamos fazendo aqui? E para onde iremos depois da morte? Morto o corpo, o que nos resta? O que fica? O que será feito de tudo o que sou? O nada, nada é, então o que será? Como ficarei? A nossa compreensão de um Deus infinitamente bom, senhor da vida em abundância, tem planos para cada criatura, e a cada um justamente o que cada um fez de todas as benesses que recebeu, mais justo e amoroso, a cada um segundo suas obras, contudo, segundo o seu entendimento, pois a uma criança não se pede atitude de homem maduro, de um ignorante não se espera sábias atitudes.
Em meados do século 19, a humanidade foi presenteada com a doutrina espírita. Nela está contido todos os ensinamentos dos espíritos, explicitando toda a lei de amor e justiça, veio como alavanca para o progresso, trazendo a chave para muitas portas do conhecimento e funciona como facilitador para o nosso crescimento e maturidade espiritual, fala da imortalidade, nos afirma categoricamente que somos responsáveis por tudo o que fazemos, não valendo mais intermediários entre nós e o criador, nos informando que só a cada um, cabe a responsabilidade das escolhas, nos ensinando que as leis estão escritas em nossa consciência, e que para atingir a perfeição para a qual fomos criados simples e ignorantes, com todos os germes em latência, numa demonstração clara, o homem é o seu auto construtor, que a ninguém cabe o burilamento senão à própria criatura, que ninguém fará a parte que a cada um cabe, que o trabalho é árduo e o campo vasto, e que, numa única existência seria impossível todas as aquisições, visto que o campo do conhecimento em todas as áreas é grandioso, uma só existência não nos dá ensejo de tamanha conquista, contamos com a bênção inequívoca da reencarnação, que a todos oportuniza rumo às conquistas da alma, tesouro que a traça não destrói, como nos assegurou Jesus.
Questionadores da reencarnação argumentam sobre o esquecimento das experiências vividas, contudo, os ensinos dos espíritos elucidam essa necessidade de forma clara, pois que, de posse dessa memória, como poderia a criatura refazer o caminho, reencontrar desafetos que a nossa imprevidência transformou em inimigos ferrenhos e ter a serenidade para experenciar na convivência, desfazendo as dores ou construindo amores, refazendo vidas e plantando compreensão, desprendimento, tolerância, diminuindo distâncias que nossos equívocos estabeleceram. Deus é amor que jorra abundantemente, bênçãos sobre suas criaturas, que ainda nos arrastamos pela vida, embora tenhamos sido concebidos para grandes vôos, que mendigamos embora nossa origem de herdeiros dos céus, que nos demoramos no charco indiferentes às estrelas, que olhamos para o chão sem compreendermos o firmamento, que conhecedores do magnífico arco-íris da existência, continuamos a pincelar o nosso existir com cores sombrias, que atestam a nossa indigência evolutiva.
Começamos agora a compreender a urgência da transformação, quando contemplamos a história humana, quando o doer se faz mais intenso, quando cansados da nossa própria miséria, quando os nossos olhos embaçados por tanta dor, violência e atrocidades, saturados por toda sorte de sofrimentos, quando o homem não parece ter saída, eis que nos chega a grande revelação, a possibilidade de começar de novo, tantas quantas vezes se fizer necessário renascer, poder fazer diferente, encher-se de esperança, pois a reencarnação é esperança de voltar ao nosso espírito encharcado de doer e ávido por balsamisar as profundas feridas acalentadas na noite da grande ignorância. Quando a oportunidade se fez e nós retrocedemos, quando o convite era para a grande conquista dos montes ensolarados, preferimos a escuridão das cavernas, e hoje, mendigos, a maior parte de nós pode vislumbrar no horizonte a infinita possibilidade do existir para sempre. A doutrina espírita nos renova o ânimo, nos convence pela lógica da reencarnação, que o que não fizermos numa existência, faremos em outra, que o homem terá tempo para recuperar a sua dignidade perdida pela visão estreita de quem se perdeu nas escolhas, equívocos do caminho fácil e porta larga, em busca do imediatismo fluindo no prazer ligeiro e sem compromisso moral envolvido, o homem continuou na infância tola de quem se recusa a crescer.
Cooperando com a criação, aprendemos no capi.XI, item 24, da gênese de Allan Kardec, que a cada trabalho inteligente realizado pelo espírito encarnado em seu proveito sobre a matéria, concorre para a transformação e o progresso material do globo em que habita; assim é que progredindo ele mesmo, colabora na obra do criador, de que é agente inconsciente. Aqui está explicitado que além do que temos a expiar, além das provas a que somos submetidos e além de realizarmos tudo a que nos propormos, vamos naturalmente contribuindo com a grande obra da transformação do nosso planeta, e nesse caminhar entre uma existência e outra, somos os construtores, conscientes ou não, de grandes transformações. A perfeição das leis Divinas, que nos premiam como construtores e agentes transformadores, nos dando ensejo de valorização e crescimento, para finalmente alcançarmos a plenitude existencial, realizando em nós e por nós, a mudança na atmosfera do nosso planeta, sabemos que a matéria prima dessa construção é compromisso inadiável, intransferível, e, se dará apesar da dureza de alguns, da indiferença de muitos, temos tempo, todo o tempo do mundo, contudo, a demora na realização é como uma sentença para o espírito aprisionado no corpo físico, por força da nossa imperfeição. Corrigir as imperfeições é o fanal do espírito. Crescer para a perfeição é a decisão mais inteligente, lancemos mãos firmes e cabeça serena em busca da conquista maior que a Doutrina Espírita No espírito da reencarnação elucida questões existenciais, que agora, longe de revoltar, nos clareia o caminhar, na certeza de que todo o esforço que fizermos para a aquisição do conhecimento moral e intelectual, funcionará como trampolim para o nosso espírito, a nossa essência maior, o nosso fanal que é a felicidade, para fluí-lha necessário conquistá-la aqui e agora, depende de nós.

segunda-feira, 24 de março de 2008

OCUPANDO O PRÓPRIO ESPAÇO

Por José Antonio Ferreira da Silva

“Quem encontrou o seu lugar, respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois tem sob mira a própria fronteira e, conseqüentemente, não ultrapassa os limites dos outros, colocando na prática o “amor ao próximo”. Hammed ([1997] 1998:41)

Observando as pessoas em seus relacionamentos podemos ver que a maioria desses encontra-se em conflito, talvez pelo fato dessas pessoas não terem plena consciência de si, e por isso, ficarem um interferindo na vida do outro, invadindo espaços e subjugando vontades. Sem dúvida, em relacionamentos desse tipo, todos são infelizes, pois ninguém se respeita. Então, o que fazer, ou como proceder para melhorar os nossos relacionamentos e conviver em paz com o outro?
A espiritualidade nos propõe ocuparmos o nosso próprio espaço, não invadindo o do outro, conforme podemos ler em O Livro dos Espíritos ([1857] 1987:344): “Haveria lugar para todos, se cada um soubesse ocupar o seu lugar”. Mas, uma postura dessa, só encontramos em pessoas que possuem plena consciência de si, que sabem o que são e onde estão, ou seja, se auto-conhecem. O que não é fácil, pois raros são os que buscam o autoconhecimento, acreditando, talvez, que a paz que sonham venha a cair do céu.
Para conquistar qualquer coisa na vida precisamos de determinação, empenho e disciplina; se não, dificilmente lograremos êxito em alguma coisa. Em relação ao autoconhecimento não poderia ser diferente. Necessitamos desses atributos, e ainda de nos conscientizar que essa é uma responsabilidade individual e intransferível, da qual não iremos conseguir nos furtar, pois esse é um passo decisivo para o nosso próprio aprimoramento espiritual. A esse respeito, a espiritualidade nos chamar à atenção, afirmando que somos os senhores dos nossos destinos; escrevemos a nossa felicidade ou infelicidade, estando, assim, onde nos colocamos. Conforme nos ensina o espírito Kelvin Van Dine ([1967] 1991:13), “A herança legítima se faz de si para si. Na evolução espiritual, antes de tudo, somos descendentes de nós, antepassados de nossa alma, herdeiros diretos do que fomos”. Incontestavelmente, cuidar de nós é responsabilidade só nossa.
Uma das resistências que encontramos nas pessoas, diante da necessidade de assumirem a responsabilidade de cuidar-se, advém do fato de que se convencionou pensar que cuidar-se é egoísmo, e, que, antes de qualquer coisa, devemos cuidar dos outros, mesmo que às vezes eles dispensem esses nossos cuidados. O que identificamos nessa forma de pensar é um paradigma ultrapassado, que apenas nos atrasa na caminhada do auto-aprimoramento. Nada mais.
A tarefa evolutiva é aprimorar-se para poder colaborar mais no contexto geral. Fato com que parece concordar o espírito Hammed ([1997] 1998:31) quando diz: “Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais importante na Terra, para a qual estás unicamente preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.”. É para isso que estamos aqui reencarnados, ser hoje melhor do que ontem. Desenvolvendo-nos dia-a-dia.
Não conseguiremos conviver bem com ninguém se não conseguirmos uma boa convivência conosco. Até porque, quem ficará eternamente comigo sou “eu”; daí, é fundamental para mim aprender conviver comigo, conhecer meus limites e descobrir minhas possibilidades, de modo a tirar o melhor da experiência reencarnatória que estou vivendo, bem como ensina a mentora espiritual Joanna de Ângelis ([1992] 2004:15): “És a única pessoa com quem contarás para estar contigo, desde o berço até o túmulo, e depois dele, como resultado dos teus atos...”. Atingir a plenitude, ou seja, a felicidade, é para quem a escolheu por meta, e trabalha dia-a-dia nessa tarefa.
Convivência saudável, sem invasão de espaços, ou qualquer que seja o constrangimento, é privilegio de quem atingiu a madureza espiritual, de quem se conhece, aceita e respeita-se; e, por conseqüência, aceita e respeita o outro, esteja ele no nível que estiver. Isso não é utopia, mas é a realidade de quem trabalha no próprio melhoramento.
Na vida nada se improvisa ou acontece por acaso; tudo é fruto de conquista, conseqüência da responsabilidade que se assumiu de guiar a própria existência com sabedoria. Como nos ensina Hammed ([1997] 1998:43): “Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direção a nossa maturidade e crescimento interior.” Só assim, com maturidade espiritual conquistaremos o direito a bons relacionamentos, e a vivermos em paz com o outro.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- KARDEC, Allan. ([1857] 1987). O Livro dos Espíritos – 46ª Edição. São Paulo: LAKE.
- VIEIRA, Waldo. (]1967] 1991). Técnica de Viver. Pelo espírito Kelvin Van Dine. 8ª Edição. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã.
- PEREIRA FRANCO, Divaldo. ([1992] 2004). Momentos de Saúde. Pelo espírito Joanna de Ângelis. 5ª Edição. Salvador: LEAL.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([1997] 1998). Renovando Atitudes. Pelo espírito Hammed. – 5ª Edição. Catanduva: Boa Nova.

SINTONIZANDO COM OS ESPÍRITOS

Por AVANIZE G. MENDES


Joana de Angelis nos afirma:" Estás sempre em sintonia, queiras ou não, com as forças mentais que se movimentam no mundo. Conforme a tua identificação emocional, externarás vibrações que se vincularão a outras de igual teor vibratório”. Livro: Dias Gloriosos.


Somos como antenas psíquicas postas no mundo para aprender e ensinar, natural pois que atraiamos os que conosco afinizam-se.
Sabemos que o pensamento é fluxo fluídico e matéria sutil do corpo espiritual. É algo concreto, podendo demorar-se em dadas circunstâncias, o padrão vibratório é uma forma segura de conhecer o grau moral do espírito. Atraímos as mentes que possuem o mesmo padrão vibratório nosso, logo os espíritos que estão no mesmo nível moral que possuímos são nossos fies companheiros.
Quando perturbados estabelecemos uma ligação perigosa com mentes também perturbadas, que nos nutrem e a quem nutrimos com sentimentos destruidores, e nessa identificação vibratória inferior, no caso ódio, ressentimento, tristeza, inveja, damos início a uma viagem que pode ter conseqüências gravíssimas para a nossa experiência reencarnatória, pois que estabelecendo-se essa troca de sentimentos, essa nutrição doentia e viciada fortalecendo o que de pior em nós existe, vamos nos misturando a vibrações destruidoras e escravisantes.
A onda mental contém certas propriedades de força no silêncio concentrado, na nossa verbalização exteriorizada ou no texto escrito; há forças mobilizadas e usadas na construção edificante ou no caos estabelecido pela nossa imprevidência, compreendemos que somos vítimas e algozes de nossas próprias criações, segundo os fluídos mentais que emitimos nos aprisionam ou libertam, dependendo da escolha do que pensamos, como nos nutrimos, como caminhamos, quem são os nossos companheiros de jornada. A sintonia que estabelecemos com atitudes mentais viciadas nos vincularão a inteligências que nos manterão na retaguarda de experiências dolorosas, ou nos faremos acompanhar por mentes elevadas que nos ajudarão a crescer, nos colocando na vanguarda do progresso.
Uma mensagem, uma palestra, uma notícia, uma insignificância qualquer, pode representar silenciosa e imperceptível ligação espiritual para um interesse ou assunto cujas conseqüências são imprevisíveis, pois que somos criaturas quase todas, é verdade, de fácil persuação. Nossa invigilância e descuido com o que não é palpável, concreto e a nossa incapacidade de ser seletivo, nos coloca em xeque o desenvolvimento moral e nos torna presa fácil das forças mentais que estão atuando a nossa volta.
Jesus foi inequívoco na sua afirmativa: “ A cada um segundo suas obras”. Nos colocando indubitavelmente como autores de nossa própria história. Isso posto não há como escapar à responsabilidade pessoal e intransferível sobre nossas ações e inações.
Já temos conhecimento que a nossa mente é um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil, a emanar sem parar, gerando recursos e objetivos sob o nosso comando, criando os nossos próprios desígnios com essa capacidade criadora, conscientes de que em torno dos nossos pensamentos gravitam o bem e o mal, gerado por nossa própria atuação, sintonizamos com espíritos e almas que nos circundam atraídos pelas emanações boas ou equivocadas, que nós mesmos geramos, podemos estabelecer ligações que nos elevarão a condição moral elegante ou nos arrastarão ao inferno pessoal e intransferível.
Somos livres para pensarmos o que quisermos, daí a importância de sermos seletivos, pois estamos sempre estabelecendo parcerias que nem sempre nos convém. A influência dos espíritos é uma realidade, mas nós somos responsáveis pelas ligações que estabelecemos, pelas construções que fizermos; só nos cabe assumir o ônus do já feito e reconstruir nas ruínas morais que a nossa imprudência gerou.
Qual é a forma de sanar, de resolver os desvios mentais e comportamentais, a profilaxia que devemos empregar no tratamento das nossas doenças morais e psíquicas, elevando a nossa qualidade de vida em todos os aspectos...
Precisamos aprender a ser seletivos, substituir pensamentos mesquinhos por outros de teor elevado, desenvolvendo a inteligência que Deus nos deu, estudando, mergulhando na fonte do auto conhecimento, buscar incessantemente o diamante interior que existe em todos nós, encontrar no nosso mais íntimo, a insondável capacidade do melhor, do bem e do amor, buscar com força a fonte de amor que jorra inesgotavelmente do criador para suas criaturas, estabelecendo intimidade com as forças cósmicas, que a todos poderá saciar, se aprendermos a dizer sim para o que constrói, para o que edifica, se nos colocarmos na vida de forma inteligente, se desenvolvermos uma nova forma de olhar, se mudarmos o foco de atenção e valores, se aproveitarmos todos os códigos das leis naturais que estão gritando pela nossa atenção, que a todos
chama, pelo amor e perfeição das leis estabelecidas, e, pela estupidez do filho pródigo, a tudo ignoramos, rejeitamos a abundância para vivermos na indigência dos equívocos por nós elegidos pela nossa miopia moral. Abdicamos do nosso direito de herdeiros de Deus, preferimos à miséria humana, por onde nos arrastamos e nos misturamos com as ilusões de um eldorado sem esforço, na companhia de criaturas mais infelizes que nós e, nessa cegueira e surdez quase que deliberada, somos os construtores e mantenedores dessas energias que nos puxam para baixo ou nos mantém a margem de um caminho que não nos leva a lugar nenhum, até quando Deus meu, temos que sangrar, e nos distanciar do suave, do sublime, quando resolveremos pelo melhor, quando cultivaremos melhores energias, desenvolveremos a capacidade seletiva e edificante do bem pensar para melhor agir, quando deixaremos de ser influenciados para sermos exemplos vivos de amor, respeito, compreensão, tolerância, indulgência, quando seremos finalmente irmãos mais velhos, mais sábios, mais conscientes do papel divino que nos foi confiado, quando faremos valer a nossa inteligência emocional, para sermos do tamanho exato do espaço que nos cabe, nem mais nem menos, na medida exata do amor em construção.



QUE DEUS NOS AJUDE!

domingo, 16 de março de 2008

A eternidade é uma sucessão de histórias...











Por José Antonio Ferreira da Silva

Tudo que começa, um dia acaba.
Nenhuma história é eterna,
A eternidade é uma sucessão de histórias dentro das existências.
Nessa sucessão de histórias,
Iremos passar na vida de muitas pessoas,
E muitas pessoas irão passar na nossa,
Porém, ninguém nos pertence,
Nem, pertencemos a ninguém.
Estamos aprendendo uns com os outros,
Recitar o verbo conviver.

Sonhos e fantasias fazem-nos crer,
Que alguém nos completará.
Como se fossemos incompletos...
As leis da vida são claras,
Cada um é responsável pela própria evolução.
Cada um deve desenvolver os talentos,
Talentos que a divindade lhe deu.
Esse é o propósito da vida:
Fazermos a nossa parte, o resto
“ajuda-te e o céu te ajudará”.

Tudo que começa, um dia acaba.
Nenhuma história é eterna,
A eternidade é uma sucessão de histórias dentro das existências.
Nessa sucessão de histórias,
Por mais longa que seja a caminhada,
Os passos deverão ser nossos.
Teremos companheiros, amigos e ajuda,
Mesmo assim: os passos deverão ser nossos.
A vida traz: pessoas, situações, experiências.
Mas, somos nós que devemos aprender
Conjugar o verbo caminhar.

Mais evolui quem melhor aproveita as oportunidades,
Oportunidade de desenvolver talentos e potenciais.
De assumir a responsabilidade de cuidar de si.
Nossa missão é progredir!
Nem anjos, nem demônios, alunos na universidade da vida.
Representamos vários papeis, somos o vir a ser.
“perfeitos como também o é o Pai”
Esse é o propósito da vida:
Fazermos a nossa parte, o resto
“ajuda-te e o céu te ajudará”.

EVOLUIR SEM DOER! É POSSÍVEL...!










Por Avanize G. Mendes





SOMOS DIVINOS; A PERFEIÇÃO É A NOSSA FATALIDADE







J. Herculano Pires: “ O homem, as gerações humanas, morrem no tempo, mas o espírito não. O tempo é o campo de batalha em que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? A consciência humana amadurece na temporalidade. A esperança espírita não repousa na fragilidade humana, mas das potencialidades do espírito, que se atualizam no fogo das experiências existenciais. E a verdade intemporal aguarda a todos no impassível limiar do eterno.” (O espírito e o tempo)

Impossível falar de evolução sem atribuir ao tempo um papel de extrema importância, pois é através dele que o homem viaja em busca de si mesmo. É na solidão interior, no campo da batalha imaterial que visualizamos o muito que há a fazer para aquietar o nosso espírito que se apequena e agiganta-se no nosso olhar complacente e descuidado numa alternância que só o tempo nos fará fixar a atenção nos pontos que farão a diferença, o tempo que fará o papel de lapidador que nos levará a perceber o nosso potencial perfectível e a nossa essência divina.
Bendito tempo que a todos dá tempo para aprender e crescer, somos os senhores do tempo, pois que somos capazes de o acelerar ou quase o fazer desaparecer com a nossa inércia e preguiça ignoramos e passamos pela existência sem perceber que a vida quer de nós muito mais que comer, dormir e respirar, tudo isso no automatismo que nos distrai da rota, e nos acomodamos na mediocridade do existir sem ser, do fazer sem a consciência que nos daria a dimensão exata do nosso porvir divino, da nossa necessidade de crescer naturalmente, sem doer, sem sofrer, mas infelizmente não acontece assim; lançamos mão do nosso direito de escolha e a nossa pressa de escolher, sem o cuidado necessário nos leva a dor, é nesse doer que o crescimento acontece, e apanhados pela dor cujo gatilho fomos nós mesmos que acionamos, começamos a nossa via crucis e o sofrimento se instala e com ele o nosso doer se faz mais intenso e a sensação de abandono cresce em nós, e os outros começam a ser o nosso foco, os responsáveis diretos pela nossa desdita.
André Luis no seu livro Evolução em Dois Mundos diz que somos seres embrionários no desenvolvimento da razão. Fetos na compreensão do mundo onde vivemos.
Que somos infantis, imaturos e muitas vezes criamos teorias muito simples para explicar o que ainda não compreendemos estamos cansados de saber, mas como mudar o rumo, como apressar a nossa compreensão da verdade e de nós mesmos? Enfrentamos um mundo difícil, o homem nos primórdios da humanidade imaginou terríveis castigos para cada deslize seu. Acreditou-se escravo da dor, imaginou-se chicoteado por deuses que exultavam com o seu sofrimento. Foi sistematicamente manipulado por líderes religiosos irresponsáveis que cultivavam o medo e a dor como o caminho para a evolução.
O homem foi joguete nas mãos de líderes cegos e cego se tornou. E a crença no fatalismo, na impotência humana na superação da dor, envolveram a terra dificultando o crescimento do homem.
Com o advento do espiritismo, que levanta a ponta do véu, nos revelando a origem simples e ignorante do espírito, nos dando a exata dimensão do muito que há para crescer e aprender, a palavra de ordem é evoluir. Os espíritos nos asseguram que tudo começa em nós, que Deus tem planos infinitos, que em cada um plantou as sementes da perfeição, nos fez seres cheios de potencial em essência para ser trabalhado e na caminhada nem sempre consciente, o homem partiu em busca do projeto divino que é, e nessa busca começa a construção de si mesmo, começa a compreender como no dizer de Zélia Duncan: que “ A vida não está certa nem errada aguarda apenas nossa decisão.” É tão intensa em nós a alegria de descobrir que só de nós depende a forma como queremos aprender. Se podemos escolher o caminho suave e intenso de aprendizagem, observando o nosso próprio espaço e nele sermos os senhores do nosso destino, absorvendo as lições, lendo nas entrelinhas da existência, o que precisamos aprender, tirando de cada experiência o melhor que ela nos deixa, vamos gradativamente nos aperfeiçoando como o diamante bruto que precisa ser lapidado, o espírito simples e ignorante tem nas experiências sucessivas a oportunidade para fazer brilhar o seu sol interior, transformando um projeto numa construção real e palpável.
Os espíritos nos dizem que a dor não é uma punição, que funciona como um excelente mecanismo da vida a serviço da própria vida. Pois, que, nos diz Joana de Angelis no seu livro Plenitude: Em todo processo degenerativo ou de aflição, o espírito em si mesmo, é sempre o responsável, consciente ou não. E, naturalmente, só quando ele se resolve pela harmonia interior, opera-se-lhe a conquista da paz, e continua Joana, por extensão, pode-se dizer que o sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição de cada criatura, mesmo porque, a sua intensidade e duração estão na razão direta da estrutura evolutiva, das resistências morais características do seu estágio espiritual.
Muitos de nós acredita que o sofrimento e a dor é a única certeza que a vida dá, não entendemos que ela só se instala quando na nossa conduta equivocada nos afastamos do amor que a tudo suaviza e apazigua. Joana afirma: O sofrimento e o amor são mecanismos da evolução, quando um se afasta, o outro se apresenta.

Portanto a nossa compreensão conclui que:

1º) A vida não tem que doer

2º) A evolução de cada um, a forma como se dará depende da nossa escolha pelo amor ou pela dor

3º) O tempo é nosso maior aliado na caminhada evolutiva

4º) A vida não privilegia ninguém

5º) O homem se auto constrói, se auto aperfeiçoa e com o seu caminhar nem sempre seguro, nem sempre inteligente, vai entre trancos e barrancos em busca de si mesmo, ora elegendo a dor como combustível para a caminhada evolutiva, ora ficando com o amor e na companhia do mesmo vai se incorporando a sua maneira de ser uma delicadeza e suavidade que só a lapidação evolutiva é capaz de proporcionar, colocando na sua postura existencial uma elegância moral que só o tempo é capaz de vestir o espírito com tamanha delicadeza e luminosidade.


Obras citadas: O Espírito e o Tempo – José Herculano Pires
Livro: Plenitude – Psicografia: Divaldo Franco e Joana de Angelis.(espírito). Editora Leal, 8ª edição, Salvador – Bahia

Livro: Evolução em Dois Mundos – Do Espírito André Luiz

domingo, 9 de março de 2008

DESATANDO OS NÓS DA EXISTÊNCIA








Por Avanize G. Mendes












Reencarnacionista por excelência o espírita sabe, a dor não bate em porta errada, segue sempre a direção traçada ou desencadeada por escolhas e equívocos que a nossa imprevidência provoca, pois que cada ação trará sempre respostas equivalentes, a reação traz a lição que o espírito precisa para ser impelido para frente, sempre rumo ao crescimento, a iluminação e perfeição, somos insistentemente chamados hoje a sermos melhores que ontem, e amanhã melhores que hoje, estamos, sem exceção, inseridos na lei universal, que nos assegura no ensinamento do Cristo, cada um terá o que fizer por merecer na construção evolutiva, o que realizarmos dará resultado a edificação suntuosa ou a casebre degradante. É nesse envolvimento evolutivo que fatalmente nos levará a perfeição espiritual. O princípio de ação e reação nos serve como bússola a nos guiar na noite escura das nossas ignorâncias, nos ensinando a desfazer os nós da nossa vida, vida que não tem necessariamente que doer para se fazer entender.
Allan Kardec adotou o princípio de causa e efeito e não de ação e reação como a maioria de nós pretende para estudar e explicar as razões da dor e das aflições, conhecia, com certeza, a lei de Newton mas não a utilizou na observação das coisas do espírito. Senão vejamos nesse texto: “ Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta cometida, isto é, o homem pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre e que fez sofrer aos outros. Se foi duro, desumano, poderá ser a seu turno tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em humilde de condição; se foi avaro, egoísta, ou se fez mal uso de suas riquezas, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, etc.”
No texto citado observamos que Kardec nos deixa livre a opção de aprender pela dor ou pelo amor, pois deixa explicitado que poderemos vir a sofrer a pena de Talião do olho por olho e dente por dente, contudo, não coloca essa como única opção, não nos impõe, fala dessa possibilidade, forte probabilidade de sofrermos na medida exata do que fizemos sofrer, colhendo o que plantamos, contudo, abre precedente quando entendemos poderá, é diferente de tem que, pois cada causa poderá provocar efeito danoso ou reflexionado, podemos imediatamente desfazer o nó ou pelo menos afrouxá-lo, no arrependimento do já feito e a proposta do reparo, na dedicação a causas nobres, não por causa do mau feito, mas pelo entendimento do dever moral de ressarcir o dano na construção do bem, na decisão madura e aclarada da compreensão de educar-se, dobrando-se às leis estabelecidas não pela força, mas pela brandura que o conhecimento nos traz ao espírito dorido por séculos de escuridão e reincidência, calejado pela dor optaremos pelo amor restauração, ou apelo da razão.
Notemos que nem toda dor e sofrimento neste mundo é fruto de erros do passado, não podemos esquecer que muitas vezes o espírito ávido por crescer opta pela dor em provas buscadas como trampolim para a perfeição rápida e segura. A expiação sempre serve de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação, contudo, prova ou expiação são sinais de inferioridade, o que é perfeito não precisa ser posto a prova.
Concluímos assim que o espiritismo não nos autoriza a generalizar o sofrimento como punição, as conseqüências de equívocos do passado, ou da nossa imprevidência do imediatamente realizado, mas nos dá tempo para aprender, despertar, não tem necessariamente que ser pela tortura da dor, nem pela pena de Talião.
Quando reencarnamos não é por punição da justiça Divina, mas por sua misericórdia e amor, não voltamos por sermos somente agentes do mau feito, por termos nos comprometido irremediavelmente com as leis cósmicas, mas principalmente e acima de tudo, porque a experiência na matéria significa oportunidade de crescimento. Entendemos que a evolução é lei Divina e por força do estabelecido é necessário que aprendamos, se o sofrimento nos alcança nem sempre é reflexo da ação que tivemos, pode ser pela causa que abraçamos e não por causa de alguma infligência a essas leis que nos regem. Compreendemos que as leis naturais são educativas, jamais punitivas.
Entendendo que o amor é o combustível primeiro das leis estabelecidas, não concebemos como norma aceitar o mal feito forçosamente na mesma moeda com que usurpamos o semelhante. Os espíritos superiores nos ensinam que para todo efeito existe uma causa, mas não afirmam que o sofrimento seja sempre um efeito do mal feito, pode ser fruto da causa que abraçamos espontaneamente para nos promover espiritualmente ou para realizar as verdades Divinas, promovendo mais rapidamente o progresso da humanidade, no caso da missão escolhida por espíritos de escol, podemos observar essa realidade.
A lei universal não é punitiva, não dá prêmios, não castiga e não perdoa, é simplesmente a lei de amor e justiça... estamos mergulhados na energia Divina, tudo que pensamos, sentimos ou fazemos retorna para nós, é a lei de ação e reação, ou causa e efeito; estaremos sempre escrevendo a nossa história pessoal, experênciando o que se faz necessário e imperioso para o nosso crescimento moral, para nos livrar das amarras ou das peias e desatar os nós. É preciso estar atentos, lúcidos, centrados na própria essência, deixar o amor nascer em nós e de nós transbordar. É urgente que aprendamos a ser facilitadores do nosso caminhar, estar aberto as lições é uma questão de inteligência, quanto mais flexíveis estivermos a aprendizagem, mais proveitosa será a colheita.
“...Seja, pois, o motivo de tuas ações e dos teus pensamentos sempre o cumprimento do dever, e faze as tuas obras sem procurares recompensa, sem te preocupares com o teu sucesso ou insucesso, com teu ganho ou teu prejuízo pessoal. Não caias, porém, em ociosidade e inação, como acontece facilmente aos que perderam a ilusão de esperar uma recompensa das suas ações...” ( Baghavad-Gita. Clássico Hindu)