domingo, 30 de dezembro de 2012

Ser o que se é

“Muitas vezes, esquecemo-nos de que a fonte para suprir as nossas necessidades está em nós, não nos outros. Cada criatura possui em si um continente de potenciais por descobrir. Feliz daquele que age como um desbravador da própria alma. Todo ser vivo tem suas peculiaridades; aceitá-las é prova de sabedoria. Nós somos absolutamente sós no mundo. Construímos e prosseguimos de modo contínuo, elaborando a cada nova encarnação um capítulo do livro de nossa existência. Só temos como referência as próprias experiências, ou seja, o acúmulo de nossos conhecimentos do presente e do pretérito. Na verdade, nós não podemos copiar do outro uma forma certa de viver, porque somente temos a nós como bússola. Tudo o que fazemos, falamos e pensamos está revestido de nossas interpretações, clareadas sob o ponto de vista das vivências pessoais. Cada vida é única e extraordinariamente incomparável.” Hammed

domingo, 23 de dezembro de 2012

O MEDO DO NOVO


Podemos tranquilamente mudar de ideia se surgirem novas informações que exijam de nós essa postura. Ao que parece, temos medo de ser convencidos pelos argumentos e razões dos outros.

O motivo é o receio de precisarmos alterar nossas opiniões, jogando fora os juízos que alicerçam nosso ponto de apoio bem como o prestígio e a reputação. Preferimos viver deprimidos a dar o braço a torcer, a abrir mão de uma teima ou a nos rendermos a uma evidência cujo resultado seria benéfico, pois nos traria muita alegria de viver.

Não devemos escamotear nossa energia prazerosa em nome do condicionamento social, para darmos a falsa impressão de que somos pessoas boas, ajustadas e nobres, e na essência, sermos profundamente infelizes.

É muito mais cômodo ficar no lugar-comum, mantendo a mente fechada a novos aprendizados e uma postura ajustada a um nível limitado de saber. Mas é confortavelmente enfadonho não querer correr o risco de aderir às produções que fogem a padrões costumeiros, temendo perder nosso referencial interno.

Somos poucos receptivos à renovação das ideias porque acreditamos ser humilhante reconhecer nossas falsas interpretações e equívocos e ter que anular nossas decisões por outras.

Todavia, quando os dias passarem e a marcha do progresso tornar evidente tudo aquilo que refutávamos, aí perceberemos que a nossa oposição obstinada diante do novo era fruto do nosso orgulho e ignorância. O vaidoso é o que mais rejeita as coisas inusitadas.

Quantas vezes, por interesses pessoais - fama, dinheiro, ascensão social -, apedrejamos o novo, denegrimos sua imagem e o atacamos sem piedade?

Quantas vezes, por comodismo, perdemos a chance de evoluir porque não encaramos o novo?

As mudanças são necessárias. Mudar faz bem, porque exige um novo olhar, amplia o campo de visão, estimula a reflexão e, consequentemente, acarreta amadurecimento.

O novo, muitas vezes, aparece em nossa vida como um conflito, um problema a ser resolvido.

Assim é na fábula. Assim é na vida.

O estampido que assusta os coelhos é o novo que provoca reações, que exige alteração da rotina; o novo é o bando de cães que passa em território alheio e provoca a ira dos cachorros locais, que reagem à invasão do inimigo fictício.

Não se deve evitar o novo nem reagir contra ele.

Interagir com o novo: eis o que deve ser feito. Aceitar as mudanças é uma prova de inteligência. O homem inteligente é aquele que se adapta a novas situações e com elas se integra.

Diante do novo, nem sempre precisamos mudar o caminho; às vezes, só mudamos o jeito de caminhar.

Hammed


domingo, 16 de dezembro de 2012

Simular e Dissimular: artimanhas



“Ao dizermos ‘a política está no sangue’, estamos nos referindo a uma verdade incontestável. As artimanhas desse meio estão ancestralmente fincadas nos seres humanos. No mundo contemporâneo encontramo-las em todas as atividades da sociedade, inclusive nos círculos da fé, em que atuam os estrategistas religiosos, os coordenadores monásticos, os hábeis místicos que influenciam a opinião pública.”

“São dirigentes, oradores, clérigos, pastores e devotos dominadores que agem de modo furtivo na prática de conduzir os negócios ‘sacro-políticos’. Alguns representam, de forma consciente, o papel de santificados; outros usam a mesma máscara, porém de modo inconsciente; todos são criaturas que ainda não alcançaram a autoconsciência do que fazem.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

"(...) sinto nojo dessa prudência de que não se tenha coragem de assumir uma posição." Simone de Beauvoir in Monólogo (conto em A Mulher Desiludida)


domingo, 9 de dezembro de 2012

Ciúme e o sentir o que sei que devo sentir


Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
     O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
     Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.

     Procuro despir-me do que aprendi,
     Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
     E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
     Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
     Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
     Mas um animal humano que a Natureza produziu.

     E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
     Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
     E assim escrevo, ora bem ora mal,
     Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
     Caindo aqui, levantando-me acolá,
     Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.

     Ainda assim, sou alguém.
     Sou o Descobridor da Natureza.
     Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
     Trago ao Universo um novo Universo
     Porque trago ao Universo ele-próprio.
     Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

“[...] o ciúme é sempre uma emoção inadequada, que causa dano e doenças e é o germe da infelicidade não só daqueles que o sentem, mas também dos que padecem suas sequelas.”

“A maneira mais eficaz de combater o ciúme é conquistar a autoconfiança.”

“A palavra-chave para nossas desconfianças está dentro de nós. Esperamos dos outros em excesso, idealizamos e criamos expectativas além da conta. Assim, perpetramos em nossa vida um ciclo vicioso e no final sempre acabamos nos frustrando e torturando-nos continuamente.”
 Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto



domingo, 2 de dezembro de 2012

Construindo a "mente religiosidade"...


“Deus nos fala através de todas as vozes do Infinito. Ele nos fala, não numa bíblia escrita há séculos, porém numa bíblia que se escreve todos os dias, com esses caracteres majestosos que se chamam oceanos, mares, montanhas e astros do céu; através de todas as harmonias suaves e graves que sobem do seio da Terra ou descem dos Espaços etéreos.”
Léon Denis

“A existência do Espírito na Natureza, nas leis do cosmos, no homem, nos animais e nas plantas é manifesta. Ela deve bastar para estabelecer a religião natural. E tal religião será incomparavelmente mais sólida que todas as formas dogmáticas.”
Camille Flammarion

“Esses dois homens do saber dedicaram-se à conscientização da religiosidade inata ou da religião natural, sem dogmas, sem mistérios e sem sobrenatural, ratificando e confirmando o pensamento do Codificador. Eles visualizaram que no futuro, a religião será professada individualmente pela criatura que ultrapassou a ‘mente religiosa’ e desenvolveu em si a ‘mente religiosidade’. Aliás, religião natural ou religiosidade é o fruto do sentimento inato da existência de Deus que o espírito conserva ao encarnar.”
Hammed

“[...] o Espiritismo faz luz sobre uma multidão de questões até hoje tidas com insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião.”
“Como doutrina moral, o Espiritismo só impõe uma coisa: a necessidade de praticar o bem e não praticar o mal. É uma ciência experimental, conquanto – volto a repetir – tenha consequências morais, que por sua vez constituem a confirmação e a prova dos grandes princípios da religião.”
Allan Kardec

domingo, 4 de novembro de 2012

Órbita estelar...


Ultrapassamos a marca de 100.000 acessos,
Somos gratos a todos pelo carinho e pelas visitas.

Amizade Estelar
Éramos amigos e agora somos estranhos um ao outro. Mas não importa que assim o seja: não procuremos escondê-lo ou calá-lo como se isso nos desse razão para nos envergonhar. Somos dois navios, cada qual com o seu objetivo e a sua rota particular; podemos nos cruzar, talvez, e celebrar juntos uma festa, como já o fizemos - e esses corajosos barcos estavam lá tão tranquilos, debaixo do mesmo sol, no mesmo porto, que se teria acreditado que tinham alcançado o objetivo, o mesmo destino. Mas a onipotência das nossas tarefas separou-nos em seguida, empurrados para mares diferentes, debaixo de outros sóis - e talvez nunca mais nos voltemos a ver: mares diferentes, sóis diversos nos mudaram! Era preciso que nos tornássemos estranhos um ao outro: era a lei que pesava entre nós: é exatamente por isso que nos devemos mais respeito. Para que a ideia da nossa antiga amizade se torne ainda mais sagrada! Há provavelmente uma formidável trajetória, uma pista invisível, uma órbita estelar, sobre a qual os nossos caminhos e os nossos objetivos diferentes estão inscritos como pequenas etapas: elevemo-nos até este pensamento. Porém a nossa vida é demasiado curta e a nossa vista demasiado fraca para que possamos ser mais que amigos, no sentido em que o permite esta sublime possibilidade... Acreditemos, então, na nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra.
Aforismo 279 - A Gaia Ciência - Nietzsche


domingo, 28 de outubro de 2012

Qual é nossa verdadeira realidade?

“Vestimo-nos à maneira de pobres ovelhas, dissimulando as feições de ‘lobos astutos’. Fazemo-nos de mártires para continuar sendo acusadores.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto




“Interpretamos uma personagem a fim de impressionar ou iludir alguém, fazendo-nos parecer melhores do que realmente somos e também para evitar uma crítica ou desabono. Por isso, damos a impressão de que somos criaturas raras e incomuns, em geral melhores que os outros. Uma vez garantida a aprovação da sociedade que nos rodeia, aparentamos estar seguros e protegidos. O terrível de tudo isso, porém, é usar de modo desconfortável uma máscara e valer-se de um disfarce mutilador, só Deus sabe até quando.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

Ninguém pode construir em teu lugar
as pontes que precisarás passar,
para atravessar o rio da vida
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números,
e pontes, e semideuses que se oferecerão
para levar-te além do rio;
mas isso te custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o

Nietzsche

domingo, 21 de outubro de 2012

Xô Preconceito!

“Por nosso quadro de valores ser adquirido de forma não vivencial é que nosso mundo íntimo está repleto de preconceitos e nosso nível ético encontra-se distante da realidade.”
“Ter preconceitos é, pois, assimilar as coisas com julgamento pré-estabelecido, fundamentado na opinião dos outros.”

“Não há enfermidade mais grave do que aquela que não reconhece a sua virulência. A nossa maior ignorância é não perceber que, ao medir as atitudes humanas, utilizamos nossa visão – que, embora só alcance ‘um palmo’ adiante, julga coisas que estão a quilômetros de distância. Devemos respeitar a realidade de todos e lembrar que grande parte do mundo está fora do nosso campo visual e da nossa capacidade de discernir o mundo exterior.”

“Perante as decisões alheias, o respeito é o principal freio a reprimir todos os conflitos sociais. A propósito, é bom lembrar que o respeito pertence ao domínio da razão e provém do bom senso. A insensata obediência às regras e normas sociais pode ser a maior inimiga da verdade.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

“Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos”.
Agostinho de Hipona

domingo, 14 de outubro de 2012

Viver: o desafio imediato


“Viver da melhor forma possível é o desafio imediato. Viver bem – desfrutando dos recursos que a Natureza e a inteligência proporcionam – para bem viver [...], eis a razão por que lutar.”
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco            

“Ser sensível é a disposição humana de captar e expressar sentimentos, aptidão dos homens que se comovem com facilidade; é demonstração de afeto, amizade. Abraçar e dar as mãos literalmente, não apenas diante das dores alheias, mas também diante das alegrias da vida, é sinal de sensibilidade, qualidade hoje estagnada, que já não ocupa grande espaço nas ações do dia a dia.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

“O ensino moral deve mostrar a todos a finalidade da vida, que não é a procura da felicidade, como muitos supõem, mas o aperfeiçoamento e a depuração do ser que deve sair da existência melhor do que nela entrou. Os meios de realização são o trabalho, o estudo, o esforço constante para o bem.”
Léon Denis

“O Espiritismo tende para a regeneração da Humanidade; este é um fato adquirido; ora, esta regeneração não podendo se operar senão pelo progresso moral, disto resulta que seu objetivo essencial, providencial, é a melhoria de cada um; os mistérios que pode nos revelar são o acessório, porque nos abre o santuário de todos os conhecimentos, não seríamos mais avançados para o nosso estado futuro, se não fôssemos melhores.”
Allan Kardec
  
A maioria dos filósofos tentou reduzir nosso sofrimento, oferecendo conselhos de como amenizar a dor. Teve um que se debruçou mais seriamente sobre essa questão, Friedrich Nietzsche. Ele acreditava que todos os tipos de sofrimento e fracasso deveriam ser bem-vindos no caminho para o sucesso e vistos como desafios a serem superados, como os alpinistas fazem ao subir uma montanha.
Nietzsche dizia que, sem dor, sem enfrentar a dor, ninguém consegue nada. Para conseguir as coisas que valem à pena, é preciso sofrer. A essência da filosofia dele é uma ideia muito simples: dificuldades são normais. Não devemos entrar em pânico nem desistir de tudo. Nossa dor vem da distância entre aquilo que somos e o que idealizamos ser. Por não dominarmos a receita da felicidade, nós acabamos sofrendo. Mas ele achava que não bastava sofrer. Se o único requisito para se sentir realizado fossem as dificuldades, todos seríamos felizes. O segredo está em saber reagir bem ao sofrimento, ou, quem sabe, usá-lo para criar coisas belas.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Allan Kardec, o Educador (documentário)

Allan Kardec foi um homem genial, porque, entre outras coisas, ele conseguiu se colocar acima e adiante de seu tempo. Ele não se prendeu a paradigmas ou preconceitos. Mesmo tendo sofrido influência religiosa no berço (família católica) e na escola (protestante), ele não se prendeu a nenhum conceito dessas religiões. Homem de ciência, membro de várias sociedades cientificas, também não se prendeu ao academicismo de sua época.
José Antonio Ferreira da Silva

Documentário: Allan Kardec, o Educador.

Quem foi Allan Kardec
Nascido em Lião, a 3 de outubro de 1804, de antiga família que se distinguiu na magistratura e no foro, Allan Kardec (Léon-Hippolyte-Denizart Rivail ) não seguiu a carreira dos Avoengos, sentindo-se, desde os verdes anos, atraído pelos estudos da ciência e da filosofia. Matriculado na escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais aplicados discípulos daquele eminente professor e um dos mais zelosos propagadores do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu na reforma dos estudos de Alemanha e de França. Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino por vocação e especiais aptidões, desde os quatorze anos ensinava aos condiscípulos menos adiantados o que ia aprendendo. Foi com essas lições que se lhe desenvolveram as ideias, que mais tarde deveriam colocá-lo entre os homens do progresso e do livre pensamento. Nascido na religião Católica, mas educado no Protestantismo, serviram-lhe os atos de intolerância por que passou, de incentivo, em boa hora, ao pensamento de uma reforma religiosa, na qual trabalhou, em silêncio, por dilatados anos, procurando alcançar o meio de unificar as crenças, sem que pudesse descobrir, entretanto, o elemento indispensável para a solução do grande problema. Foi o Espiritismo que, mais tarde, lhe facultou esse meio, imprimindo-lhe aos trabalhos particular orientação.
 Concluídos os estudos, tornou à França; possuindo profundo conhecimento da língua alemã, traduziu para ela diferentes obras de educação e moral, entre as quais , o que é característico, as de Fénelon, que mui particularmente o seduziram. Era membro de muitas sociedades científicas e entre elas a da Academia Real de Arras, que, no concurso de 1831, lhe coroou uma notável memória acerca da questão: Qual o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades da época?
 De 1835 a 1840, fundou em sua casa, na rua Sévres, cursos gratuitos de física, química, anatomia comparada, astronomia, etc.- empresa digna de encômios em qualquer tempo, mas principalmente numa época em que bem poucos eram os interessados que se aventuravam pôr aquela senda. Sempre empenhado em tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso para aprender a contar e um quadro mnemônico da história de França, cujo objetivo era fixar na memória as datas dos mais notáveis acontecimentos, bem como os descobrimentos que ilustram cada reinado.
 Entre as numerosa obras de educação, podemos citar as seguintes: Plano para o melhoramento da instrução pública, 1828. _ Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi , para uso de professores e de mães de família, 1829._ Gramática francesa clássica, 1831._ Manual para exames de capacidade. Soluções racionais de questões e problemas de aritmética e de geometria, 1846. _ Catecismo gramatical da língua francesa, 1848._ Programa dos cursos ordinários de física, química, astronomia, fisiologia (que ele dava no Liceu Polimático).
 Pontos para os exames da Câmara Municipal e da Sorbonne, acompanhados de instruções especiais sobre as dificuldades ortográficas, 1849, obra muito estimada na ocasião da qual ainda recentemente se faziam novas edições. Antes que o Espiritismo lhe viesse popularizar o pseudônimo de Allan Kardec, havia ele, como se vê, sabido ilustrar-se com trabalhos de natureza mui diversa, os quais tinham pôr finalidade esclarecer a massa popular, prendendo-a ainda mais ao sentimento de família e ao amor de pátria. Em 1855, quando se começou a tratar das manifestações de Espíritos, Allan Kardec dedicou-se a perseverantes observações do fenômeno e cuidou principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas; entreviu de longe o princípio de novas leis naturais; aquelas que regem as relações entre o mundo visível e invisível.
 Reconheceu, nas manifestações deste, uma das forças da natureza, cujo conhecimento devia projetar luz a uma infinidade de problemas considerados insolúveis. Finalmente percebeu a relação de tudo aquilo com pontos de vista religiosos. As suas principais obras acerca da nova matéria são: O Livro dos Espíritos, para a parte filosófica, cuja a primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857. O Livro dos Médiuns, para a parte experimental e científica, publicada em janeiro de 1861. O Evangelho Segundo o Espiritismo, para a parte moral , publicada em abril de 1864. O Céu e o Inferno, ou A Justiça de Deus segundo o Espiritismo, agosto de 1865. A Gênese, os Milagres e as Predições, janeiro de 1868.
 A Revista Espírita, órgão de estudos psicológicos, publicação mensal começada em 1 de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Societé parisiense des études spirites, cujo o fim exclusivo era o estudo de tudo quanto pudesse contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu admiravelmente da pecha de haver escrito sob a influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e severo, observara os fatos e das observações deduziu as leis que os regem; foi o primeiro que, a propósito desses fatos, estabeleceu teoria e constituiu em corpo de doutrina , regular e metódico. Demonstrando que os fatos, falsamente chamados sobrenaturais, são sujeitos as leis, os subordinou à categoria dos fenômenos da natureza, e fez ruir, assim, o último reduto do maravilhoso, que é uma das causas da superstição.
 Durante os primeiros anos de preocupação com os fenômenos espíritas, foram estes mais objeto de curiosidade que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez com que fossem encarados pôr outra face: desprezaram-se as mesas falantes, que tinham sido o prelúdio e se ligou o fenômeno a um corpo de doutrina, que compreendia questões concernentes à humanidade. Da aparição do livro data a verdadeira fundação do Espiritismo, que até então só possuía elementos esparsos, sem coordenação, e cujo o alcance não tinha sido compreendido pôr todos. Também foi desde aquela época que a doutrina prendeu a atenção dos homens sérios e adquiriu rápido desenvolvimento. "Em poucos anos, as ideias espíritas contavam com numerosos aderentes nas classes sociais e em todos os países”.
 O êxito, sem precedentes, é obra da simpatia que essas ideias encontram, mas também é devido, em grande parte, à clareza característica dos escritos de Allan Kardec. "Abstendo-se das fórmulas abstratas da metafísica, o autor soube fazer-se sem fadiga, condição essencial para a vulgarização de uma ideia”. Sobre todos os pontos de controvérsia, a sua argumentação, de uma lógica cerrada, oferece pouco material à contestação e predispõe o antagonista à convicção. "As provas materiais, que o Espiritismo fornece tanto da existência da alma como da vida futura, derrocam as ideias materialistas e panteístas”. Um dos princípios mais fecundos da doutrina, o qual decorre do precedente, é o da pluralidade das existências, já entrevista pôr inúmeros filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, pôr Jean Reynaud, Charles Fourier, Eugène Sue e outros; mais tinha ficado no estado de hipótese, ao passo que o Espiritismo demonstra a sua realidade e prova que é um dos atributos essenciais da humanidade.
 Desse princípio decorre a solução de todas as anomalias aparentes da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais. O homem sabe assim donde vem, para onde vai, para que fim está na Terra e pôr que sofre aqui. "As idéias inatas explicam-se pelos conhecimentos adquiridos em vidas anteriores; o caminhar dos povos explica-se pelos homens do tempo passado, que voltam a esta vida, depois de terem progredido; as simpatias e as antipatias, pela natureza das relações anteriores, relações que ligam a grande família humana de todas as épocas aos altos princípios da fraternidade, da igualdade, da liberdade e da solidariedade universal, têm pôr base as mesmas leis a Natureza e não mais uma teoria.
 Em vez do princípio: Fora da Igreja não há salvação, que mantém a divisão e a animosidade entre diferentes seitas e que tanto sangue tem feito correr- o Espiritismo tem pôr máxima: Fora da caridade não há salvação, isto é, a igualdade dos homens perante Deus, a liberdade da consciência, a tolerância e a benevolência mútuas. Em vez da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, ensina: a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade; para a fé é preciso uma base e esta é a inteligência perfeita do que se deve crer; para crer não basta ver, é preciso sobretudo compreender; a fé cega não é mais deste século; ora, é precisamente o dogma da fé cega que produz hoje o maior número de incrédulos, pôr querer impor-se. Exigindo a alimentação das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e i livre arbítrio.(Evangelho segundo o Espiritismo).
 Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a iniciar o trabalho e o último a deixá-lo, Allan Kardec sucumbiu a 31 de março de 1869, em meio dos preparativos para mudar de domicílio, como lho exigia a extensão considerável das múltiplas ocupações. Numerosas obras, que tinha em mão, ou que só esperavam oportunidade para vir a lume, provar-lhe-ão um dia a magnitude das concepções. Morreu como viveu: trabalhando. Desde longos anos sofria do coração, que reclamava, como meio de cura, o repouso intelectual, com pequena atividade material. Ele, porém, inteiramente entregue às obras, negava-se a tudo o que lhe roubasse um instante das suas ocupações de predileção. Nele, como em todas as almas de boa têmpera, a lima do trabalho gastou o aço do invólucro. O corpo, entorpecido, recusava-lhe os serviços; mas o espírito, cada vez mais vivaz, mais enérgico, mais fecundo, alargava-lhe o círculo da atividade. Na luta desigual a matéria nem sempre podia resistir.
 Um dia foi vencida: o aneurisma rompeu-se e Allan Kardec caiu fulminado. Um homem desapareceu da terra, mas o seu grande nome tomou lugar entre as ilustrações do século e um culto espírito foi retemperar-se no infinito, onde aqueles, que ele próprio havia consolado e esclarecido, lhe esperavam a volta com impaciência. "A morte, dizia mui recentemente, a morte amiúda os golpes na falange dos homens ilustres!... A quem virá ela agora libertar?" Foi ele, depois de tantos outros, retemperar-se no espaço e buscar outros elementos para renovar o organismo gasto pôr uma vida de labores incessantes. Partiu com aqueles que virão a ser os luminares da nova geração, a fim de voltar com eles para continuar e concluir a obra que deixou confiada a mãos dedicadas. O homem deixou-nos, mas a sua alma será sempre conosco.
 É um protetor seguro, uma luz a mais, um labutador infatigável, que foi aumentar as forças das falanges do espaço. Como na terra, saberá moderar o zelo dos impetuosos, secundar as intenções dos sinceros e dos desinteressados, estimular os vagarosos - saberá enfim, sem ferir a ninguém, fazer com que todos lhe ouçam os mais convenientes conselhos. Ele vê e reconhece agora o que ainda ontem apenas previa. Não mais está sujeito às incertezas e aos desfalecimentos e contribuirá para participarmos das suas convicções, fazendo-nos alcançar a meta, dirigindo-nos pelo bom caminho, tudo nessa linguagem clara, precisa, que constitui um característico nos anais literários.
 O homem, nós o repetimos, deixou-nos, mas Allan Kardec é imortal, e a sua memória, os trabalhos, o Espírito, estarão sempre com aqueles que sustentarem com firmeza e elevação a bandeira, que ele sempre soube fazer respeitar. Uma individualidade pujante construiu o monumento. Esse monumento será para nós na Terra a personificação daquela individualidade. Não se congregarão em torno de Allan Kardec: congregar-se-ão em torno do Espiritismo, que é o monumento pôr ele erigido. Através dos conselhos dele, sob a sua influência, caminharemos com passo firme para essas fases venturosas prometidas à humanidade regenerada.
(Revue Spirit. Maio 1869).


domingo, 23 de setembro de 2012

Rir é preciso...

“O riso e as brincadeiras diminuem as crises e tensões e, além de propiciar efeitos físicos positivos, ensejam maior probabilidade de saúde emocional. O bom humor não consiste apenas em comicidade e gracejos. Poucos têm consciência dos efeitos terapêuticos do riso e das distrações. Em alguns momentos de boa brincadeira, é possível conhecer mais profundamente uma pessoa do que em meses de convivência e conversas formais.
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto
Riso
"A vida tem de ser levada de modo extremamente jovial. A vida é tão cheia de riso, é tão ridícula, é tão engraçada que, a menos que você tenha se tornado muito enrijecido, você não pode ficar sério.
Eu tenho olhado para a vida de todas as formas possíveis e ela é sempre engraçada, seja qual for a forma pela qual você a olha. Ela se torna cada vez mais e mais engraçada! Trata-se de um incrível presente do além.
Eu sou contra toda sorte de seriedade. Toda a minha abordagem é a do humor, e a maior qualidade religiosa é o senso de humor — não a verdade, não a divindade, não a virtude, mas um senso de humor.
Se nós enchermos toda a terra de riso, de dança e canto — as pessoas cantando e pulando...! — , se nós pudermos fazer desta terra um carnaval de alegria, um festival de luzes, nós teremos trazido, pela primeira vez, um verdadeiro senso de religiosidade para a terra."
Osho, em "Vida, Amor e Riso"

domingo, 16 de setembro de 2012

Aberto para aprender...


Trago dentro do meu coração
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Tôdas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Fernando Pessoa

Contestar é pôr em dúvida a veracidade de algo por querer saber mais, é questionar alguém a respeito de alguma coisa que não se aceita como válida. A liberdade de consciência é valiosa. O livre-arbítrio é semente da ação. Quanto mais interpelamos os outros sobre as coisas que desconhecemos e não aceitamos, mais fácil fica entendê-las.
Sábio é aquele que está sempre à procura da renovação de conceitos, pois possui consciência de que ignora muitas coisas e busca sempre mais. Com o tempo, podemos perceber o quanto a ignorância cansa, ou quanto nos cansou o fato de ignorar. Sabedoria com “validade vencida” volta a ser de novo ignorância.
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

Genial é aquela pessoa que, dentre outras coisas, consegue se colocar acima das limitações e tradições do seu tempo. É quem não se prende nem a paradigmas nem a preconceitos. E mesmo tendo sofrido todo tipo de influência (religiosas ou não religiosas), não se deixar prender. Genialidade é atributo daqueles poucos que ousam questionar e contestar; ouvir e observar; sem abrir mão, no entanto, de pensar e repensar. Sendo assim, não se limite a acreditar em algo, entenda que só o compreenderá profundamente, se além da sensibilidade usar a razão e, ainda, estiver aberto para aprender...
José Antonio Ferreira da Silva

domingo, 9 de setembro de 2012

Sempre abertos para aprender...


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fernando Pessoa

O que são mecanismos de defesa do EGO?
Mecanismo de defesa é uma denominação dada por Freud para as manifestações do Ego diante das exigências das outras instâncias psíquicas (Id e Superego), mas a psicanálise freudiana não é a única teoria a se utilizar desse conceito. Outras vertentes da psicologia também se utilizam dessa denominação.
Os mecanismos de defesa são determinados pela forma como se dá a organização do ego: quando bem organizado, tende a ter reações mais conscientes e racionais. Todavia, as diversas situações vivenciadas podem desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais e objetivas; ativando, então, os diferentes mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger o Ego de um possível desprazer psíquico, anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo, culpa, entre outros.
Resumindo, os mecanismos de defesa são ações psicológicas que buscam reduzir as manifestações iminentemente perigosas ao Ego.
Alguns dos mecanismos de defesa:
Deslocamento;
Compensação;
Projeção;
Introjeção;
Racionalização.

Observando-me e, também, observando as pessoas em seus relacionamentos, pude ver que nos encontramos em conflito, talvez pelo fato de não termos plena consciência de nós e ficamos um interferindo na vida do outro, invadindo espaços e subjugando vontades. Sem dúvida, pelo fato de não nos respeitamos, somos infelizes.  Mas, então, o que fazer ou como proceder para conviver em paz conosco e com os outros?
Acredito que não precisa muito, pois a evolução vai ocorrendo dia-a-dia, quando vamos fazendo com zelo tanto as menores como as maiores coisas e, assim, integrando-nos com as leis universais, precisando para isso, apenas, fazermos o nosso melhor no desempenho de nossas atividades e estarmos sempre abertos para aprender.
José Antonio Ferreira da Silva

domingo, 2 de setembro de 2012

Tome posse de si...

O que um dia fui não sou mais
Ficou pra trás
São outros aspectos, outras vozes
Indicando a direção
Música: Temporal
Composição: Kayros Kobayashi
Banda: Terceiro Sol

Quando tenho medo de acertar: Erro
Quando acho que sei quem sou: Não me conheço
Falar de mais é não ter nada a dizer
Quando sigo sozinho eu lembro de você
Se eu não tentar nada vai acontecer
Quando me perco é quando me encontro
Música: Felicidade Decadente
Composição: Kayros Kobayashi
Banda: Terceiro Sol

Tome posse
Do corpo que te habita
Da realidade que te cerca
Dos sentimentos que te brotam
Dos impulsos que te levam
Tome posse
De cada pensamento
De cada momento
De cada palavra
De cada risada
Gasparetto
Conserto para uma alma só

Pensar é o nosso maior atributo; através do pensamento construímos ou destruímos e, acima de qualquer coisa, modificamos e transformamos, não só o nosso mundo interno e particular, como também, o universo que nos rodeia e no qual estamos inseridos. Porém para conquistar qualquer coisa na vida precisamos de determinação, empenho e disciplina; caso contrário, dificilmente lograremos êxito em alguma coisa. Por tudo isso, tome posse de si...
José Antonio Ferreira da Silva

(Infelizmente o áudio apresenta duas pequenas falhas)

domingo, 26 de agosto de 2012

Egoísmo não é viver a própria vida ao nosso modo, mas...


“Nossa existência na Terra não funciona em regime de separação; em realidade, todos somos participantes de um Natureza comum, pois tudo o que vemos tem ligação com nós mesmos e com todas as partes do planeta.”

“Se o Criador nos deu uma vida social é porque, juntos, podemos amparar os passos vacilantes uns dos outros, enquanto que, sozinhos, podemos tropeçar mais facilmente diante das perigosas trilhas da jornada terrena.”

“A criatura generosa é alguém que aprendeu a auxiliar os outros sem se ver obrigada a tomar para si os infortúnios que não lhe pertencem. Socorre os sofredores sem emaranhar-se na sua problemática emocional. Procura ser condescendente com as aflições alheias, mas não se envolve nela. Ou melhor, não tenta carregar a cruz do mundo nas atividades que visam abrandar as dores terrenas.”

“A generosidade não consiste em doar de forma abundante e descontrolada, mas em como e quando doar adequadamente.”

‎"Egoísmo não é viver a própria vida ao nosso modo, mas desejar que os outros vivam como nós queremos."

Hammed /  Francisco do Espírito Santo Neto

domingo, 19 de agosto de 2012

Bondade, uma predisposição inata?

A empatia cognitiva, onde um entende a situação do outro, permite o comportamento de ajuda que é feito para atender as necessidades específicas do outro. Neste caso, uma mãe chimpanzé ajuda seu filho a descer de uma árvore depois que ele gritou e implorou por sua atenção. Frans de Waal
Um exemplo de consolo entre chimpanzés: um jovem passa o braço ao redor de um adulto macho que grita, depois de ter sido derrotado em uma luta com seu rival. O consolo provavelmente reflete empatia, porque o objetivo de quem consola parece ser aliviar a aflição do outro. Frans de Waal
Frans B. M. de Waal, Ph.D. , primatólogo da Universidade de Emory e diretor do Living Links Center do Centro de Pesquisa Nacional de Primatas de Yerkes, em Atlanta (EUA). 


“O ser humano só aprimorou algo que já constava em germe em seu foro íntimo.”
“Ele, o Princípio Criador, a Essência das coisas, também se manifesta através da natura.”

“Nascemos com uma predisposição inata, que nos faculta um sentir benevolente em relação aos outros e, como resultado, compadecer-nos deles. Isso se chama empatia, ou seja, imaginar-se ou colocar-se no lugar do necessitado.

Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto


domingo, 12 de agosto de 2012

Onde está o sexo?


                                           No hinduísmo, Ardhanari é a divindade andrógina composta por Shiva e Shkati.

“A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.”
André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira

O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante reconhecermos que a maioria das consciências encarnadas permanecem seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta complexidade de conhecimento e emoção.”
André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira

“um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico.
André Luiz / Chico Xavier e Waldo Vieira


domingo, 5 de agosto de 2012

Onde está o "ponto de equilíbrio"?


MEU CORPO 
É PALCO ONDE DANÇAM TODAS AS SENSAÇÕES.

SOU REI
MAS APENAS EM MEU REINO.

SOU CALMO
MAS APENAS NA EXTENSÃO DE MINHA
COMPREENSÃO.

SOU MENTIROSO
MAS APENAS ONDE NÃO SEI FALAR A VERDADE.

SOU RÁPIDO
MAS ATÉ ONDE MEUS BRAÇOS PODEM
ALCANÇAR.

SOU ESFORÇADO
MAS APENAS ONDE EU ESTOU MOTIVADO.

SOU ENGRAÇADO
MAS ATÉ ONDE AS FERIDAS ME FAZEM CHORAR.

SOU FELIZ
MAS ATÉ EU CANSAR DE SORRIR.

SOU BONDOSO
MAS ATÉ ONDE EU NÃO ME SENTIR BOBO.

SOU CORAJOSO
MAS ATÉ ONDE MEU INIMIGO NÃO O É.

SOU, ENFIM HUMANO
ATÉ ONDE DEUS ME FEZ ASSIM...

Luiz Gasparetto



domingo, 29 de julho de 2012

Nossa inconstância emocional



Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
 Ferreira Gullar


“Todos sabemos que somos ao mesmo tempo ricos em contradições e hábeis camufladores de nossas instabilidades ou oscilações internas.”

“A inconstância emocional é compreensível em nossa idade evolutiva e ela pode ser considerada um caminho para o equilíbrio, um indicativo para a saúde mental, pois faz emergir de nossas profundezas as emoções negadas, trazendo-as à luz da consciência.”
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

“No comportamento social não é necessário mascarar-se de qualidade que não se possuem, embora não se deva expor as aflições internas, os tormentos do polo negativo.”

“[...] vale a pena considerar-se que convivem no mesmo indivíduo o anjo e o demônio, que necessitam harmonizar-se, descendo um na direção do outro que ascende no rumo do primeiro.”
Joanna de Ângelis / Divaldo Franco