segunda-feira, 26 de março de 2012

Alteridade



Quero caminhar contigo

Ombro a ombro

Como quem está satisfeito

De si mesmo

Assim não espero nada de ti

E também não te devo nada

Tuas expectativas são tuas

Tuas cobranças são tuas

Eu apenas sou o que sinto

Faço o que faço

Sou o que sou

Estou com você por prazer

Não te necessito

Pois me preencho plenamente

E reconheço que tuas necessidades

Só podem ser satisfeitas por ti

Assim caminhamos pela vida

Por tudo que houver

Maduros e livres

Pois isto é o amor.

Gasparetto


“Ser bom, em sua exata definição, é fazer escolhas ou tomar atitudes com compaixão, lançando mão da própria dignidade e, ao mesmo tempo, promovendo a dignidade alheia.”

Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto


"Permite a liberdade ao ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.

Joanna de Ângelis / Divaldo Franco


“Sou um verme que um dia quis ser astro...

Uma estátua truncada de alabastro...

Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,

Num mundo de maldades e pecados,

Sou mais um mau, sou mais um pecador...”

Florbela Espanca


"Caídos anjos que somos nem sabemos, que nos espreita em nossos sonhos nossa queda."


"No claustro solitário em que me encontro

Gota a gota sangrando estas palavras

Não sei de quantas, incontáveis lavras

Colhemos nossos tantos desencontros."


"Tu ora sofres de uma dor suave

De te apartares daqueles que amas,

Mas como o dizes - oh, sublime flama -

Se o fim se faz como severa ave,

Que seja, então, a mais bela entre as aves

Para que a marca imprima-se rainha."

Alcides Mendes Júnior




domingo, 18 de março de 2012

Verdades (in)discutíveis

“Deus nos faz amadurecer, mesmo que não o queiramos.”

Rainer Maria Rilke

“O homem é livre de pensar, querer e agir, mas sua liberdade é limitada pelas suas próprias condições de ser. O simples fato de existir é uma condição.”

José Herculano Pires

“[...] o homem constrói o seu destino no plano do contingente, mas no plano do transcendentes o seu destino já está determinado pelas leis universais.”

José Herculano Pires

“A fatalidade não é, entretanto, uma palavra vã; ela existe no tocante à posição do homem na Terra e às funções que nela desempenha, como consequência do gênero de existência que seu Espírito escolheu, como prova, expiação ou missão. Sofre ele, de maneira fatal, todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes.”

Allan Kardec

“Indubitavelmente, conforme acentua a doutrina espírita, o homem é a síntese das suas próprias experiências, autor do seu destino, que ele elabora mediante os impositivos do determinismo e do livre-arbítrio.”

Joanna de Ângelis

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando de vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal...

Quando se vê, já terminou o ano...

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê passaram 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...

E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.

Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mário Quintana

domingo, 11 de março de 2012

O tempo e a saudade

O que é o tempo?

Algo que trabalha a favor da vida sempre.

Dizem que o tempo é o melhor remédio para as feridas. É verdade. Elas cicatrizam.

Dizem que o tempo é o melhor remédio para a saudade. É verdade. Mas nem sempre.

Às vezes a saudade perde apenas a intensidade, mas não deixa de existir. Ela fica lá quietinha, resignada, guardada. Basta uma pequena faísca para ela reacender.

O tempo as vezes assusta. Quando ele passa a ser contado em segundos, minutos e horas para que algo aconteça.

Outras vezes ele é benção. Quando esses minutos e segundos significam que o tempo chegou, que tudo se concretizou, que a vida passou a existir. Que ainda há tempo para viver, aproveitar, refazer e agir.

Às vezes tempo é ansiedade. Quando certas coisas não dependem de nós para serem mudadas.

Outras vezes ele é lamento. Quando sabemos que ele segue em frente e que algumas coisas não mais voltam.

O tempo pode ser companheiro ou carrasco. Dependendo da forma como nos relacionamos com ele.

Quem vive em função da espera, faz do tempo seu algoz.

Quem vive independente do tempo faz dele seu aliado.

Seja qual for o dia ou o tempo, o fato é que a vida pede tempo:

- tempo de parar e refletir;

- tempo de fazer e agir;

- tempo de chorar e pensar;

- tempo de viver e ser feliz.

Não importa qual seja o seu tempo. O que importa é o que você fará do tempo que a vida lhe concede.

E a saudade? Ah, a saudade pede tempo.

Um tempo que não tem definição. Que pode ser pouco ou muito tempo.

Que pode até não dar tempo para que ela deixe de existir.

Tempo e saudade. Parceiros de vida. Resultados do viver.

Fazem parte de minha vida. Isso também é viver.

Alexandra Torres

Mudando a vista do ponto

http://mudandoavistadoponto.blogspot.com/2012/03/o-tempo-e-saudade.html

domingo, 4 de março de 2012

Quem quase vive já morreu


Ai vai um texto que “quase” é de Luis Fernando Veríssimo…

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Na verdade trata-se de um texto de Sarah Westphal Batista da Silva, que circulou pela Internet como se fosse de Veríssimo e chegou a ser publicado em uma coletânea com textos de Drumond, Bandeira e Clarisse Linspector no Salão do Livro de Paris…