domingo, 24 de fevereiro de 2013

Quietude...


A quietude íntima faz com que alcancemos o equilíbrio perfeito para mantermos adequadas relações com as pessoas que encontramos, ou para agirmos convenientemente diante das situações que se sucedem em nosso dia-a-dia. Sem a permanente deterioração causada por ilusões ou desajustes emocionais, teremos mais tempo para diferenciar os fatos das ocorrências ilusórias.

Não-agir
Não significa prostração, ócio, morosidade, indolência, nem viver numa atmosfera do “esperar sentado ou mostrar uma disposição mínima para o trabalho”. Essa filosofia de vida descreve numa prática de realizar ou buscar as coisas suavemente, obedecendo ao movimento contínuo de algo que segue um curso natural, sem utilizar ações bruscas e intrusivas. Por exemplo: se observamos a naturalidade e espontaneidade da vida, podemos tomar decisões utilizando a sutileza, em vez da força.

HAMMED / FRANCISCO DO ESPÍRITO SANTO NETO

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Estaríamos à mercê do destino?


É o homem, por sua própria vontade, quem forja as próprias cadeias, é ele quem tece, fio por fio, dia a dia, do nascimento à morte, a rede de seu destino.
Léon Denis

Diante de acontecimentos desagradáveis no dia a dia, logo responsabilizamos a fatalidade e o destino, sem fazermos uma maior reflexão. Mas, será que tudo em nossa vida está predeterminado? Será que o nosso destino foi traçado? Como entender fatalidade em nossas vidas?
Lemos nos dicionários que fatalidade é a qualidade de fatal. E que fatal é o determinado, o marcado, o fixado pelo destino. Ou seja, é a atuação de uma força maior a nos submeter a acontecimentos que independem de nós e dos quais não se pode escapar. Precisamos refletir e ver outros pontos importantes em torno desses conceitos.
 Sendo a nossa intenção analisar o assunto dentro da visão espírita, vejamos o que nos diz O livro dos espíritos; nele nós lemos: “A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os acontecimentos da vida, qualquer que seja a sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina destituída de vontade”. Concordamos com essa afirmativa, pois não nos vemos como máquinas. E se tudo já estivesse escrito, ninguém seria responsável por falta alguma, nem tão pouco teria mérito por coisa nenhuma. Seríamos meros fantoches e estaríamos à mercê do destino, o que nos parece incompatível com conceito de Justiça Divina que os espíritos nos apresentam.
Fatal, na verdadeira acepção da palavra, só o fato de que vamos um dia biologicamente morrer, pois, quanto às outras coisas, a cada momento estamos transformando. Entendemos que o destino é quase sempre a consequência de nossas atitudes mentais e comportamentais, das escolhas que fazemos utilizando o nosso livre-arbítrio. E esse raciocínio encontra explicação em O Livro dos Espíritos, no qual a espiritualidade diz: “Não acrediteis, porém, que tudo que acontece esteja escrito como se diz. Um acontecimento é quase sempre a consequência de uma coisa que fizeste por um ato de tua livre vontade, de tal maneira que, se não tivésseis praticado aquele ato, o acontecimento não se verificaria”.
Contudo, fatalidade não é uma palavra vã, ela existe no gênero de existência que nós escolhemos como prova, expiação ou missão, antes de reencarnamos, pois existem escolhas quase impossíveis de serem alteradas, como as doenças congênitas, por exemplo. Conforme lemos na questão 851 também de O Livro dos Espíritos: “A fatalidade só existe no tocante à escolha feita pelo Espírito, ao se encarnar, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra”. É necessário lembrar, ainda, o determinismo divino ao qual estamos submetidos, que é chamado pelo espírito Joanna Ângelis de fatalismo cármico da evolução, ou seja, a nossa destinação a felicidade e a perfeição.
Mas, mesmo assim, é através do uso de nosso livre arbítrio, que temos a liberdade de alterarmos, aproveitando ou não estas escolhas feitas ainda na espiritualidade, pois tanto podemos aproveitar através da resignação e da superação, quanto podemos nos revoltar perdendo assim a oportunidade de aperfeiçoamento que estamos vivendo.
O Espiritismo nos ensina a ver nos acontecimentos negativos e perturbadores muito mais que fatalidade e destino; ensina-nos a ver a consequência de nossas escolhas equivocadas, não apenas de outras encarnações, mas, também, de nossa atual encarnação. Ensina, ainda, que por mais difíceis que se apresentem as situações, nós somos senhores dos nossos destinos, que podemos com o nosso livre arbítrio alterarmos as nossas escolhas para trazermos o melhor para nossa existência. Como nos diz o orador espírita Divaldo Franco: “Você é o que fez de si, mas você será o que faça de você”.

José Antonio Ferreira da Silva

domingo, 3 de fevereiro de 2013

No mesmo barco...



“Estamos todos no mesmo barco
Usufruindo de tudo que criamos
Agrupando-se por afinidade
Desenvolvendo a fraternidade
Estamos todos chegando em si
Nos vendo em cada amigo
Nos conhecendo
em cada desconhecido”
Luiz Gasparetto

“Para perdoar é necessário acrescentar às coisas novos significados, ou seja, ressignificá-las, compreender uma experiência de forma diferente. Para perdoar é preciso remodelar nossas atitudes, voltar nossa atenção para outro prisma do contexto e perguntar a nós mesmos: “O que mais isto poderia significar?”
Hammed

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de
Fernando Pessoa