domingo, 31 de março de 2013

144 anos depois de Allan Kardec...





Uma tomada de consciência
J. Herculano Pires

O apego ao contingente, ao imediato, apaga na consciência dos nossos dias o senso da responsabilidade espiritual. Nem mesmo a ronda constante da morte consegue arrancar o homem atual da embriaguez do presente. O problema do espírito e da imortalidade só se aviva quando ligado diretamente a questões de interesse pessoal. O católico, o protestante, o espírita se equivalem nesse sentido. Todos buscam os caminhos do espírito para a solução de questões imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situação melhor depois da morte.
A maioria absoluta dos espiritualistas está sempre disposta a investir (este é o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais. Apegam-se os religiosos de todos os matizes à tábua de salvação da caridade material, aplicando grandes doações em hospitais, orfanatos e creches, mas esquecendo-se dos interesses básicos da cultura. Garantem os juros da caridade no após-morte, mas contraem pesadas dívidas no tocante à divulgação, sustentação e defesa de princípios fundamentais da renovação da cultura planetária.
A imprensa, a literatura, o ensaio, o estudo, a fixação das linhas mestras da nova cultura terrena ficam ao deus-dará. Falta uma tomada de consciência, particularmente no meio espírita, da responsabilidade de todos na construção e na elaboração da Nova Era, que é trabalho dos homens na Terra. Ninguém ou quase ninguém compreende que sem uma estruturação cultural elevada, sem estudos aprofundados no plano cultural, que revelem as novas dimensões do mundo e do homem na perspectiva espírita, o espiritismo não passará de uma seita religiosa de fundo egoísta, buscando a salvação pessoal de seus adeptos, precisamente aquilo que Kardec lutou para evitar.
A finalidade do espiritismo, como Kardec acentuou, não é a salvação individual, mas a transformação total do mundo, num vasto processo de redenção coletiva. Proporcionar aos jovens uma formação cultural apoiada na mais positiva e completa base espiritual, que mostre a insensatez das concepções materialistas e pragmatistas, dando-lhes a firmeza necessária na sustentação e defesa dos princípios doutrinários, não é só caridade, mas também realização efetiva dos objetivos superiores do espiritismo nesta fase de transição. Sem esse trabalho não poderemos avançar com segurança e eficácia na direção da Era do Espírito. Temos de dar às novas gerações a possibilidade de afirmarem, diante do desenvolvimento das ciências e do avanço geral da cultura, como disse Denis Bradley: “Eu não creio, eu sei!” Porque é pelo saber, e não pela crença, pela fé racional e não pela fé cega, pelo conhecimento e não pelas teorias indemonstráveis, que o espiritismo, como revelação espiritual, terá de modelar a nova realidade terrena, apoiado na confirmação científica, pela pesquisa, dos seus postulados fundamentais. A revelação humana confirma e comprova a revelação divina.
Esse é o problema que ninguém parece compreender. Todos sonham com o momento em que a ciência deverá proclamar a realidade do espírito. Mas essa proclamação jamais será feita, se a ciência espírita não atingir a maioridade, não se confirmar por si mesma, podendo enfrentar virilmente, no plano da inteligência e da cultura, a visão materialista do mundo e a concepção materialista do homem. Por isso precisamos de universidades espíritas, de institutos de cultura espírita dotados de recursos para uma produção cultural digna de respeito, de laboratórios de pesquisa psíquica estruturados com aparelhagem eficiente e orientados por metodologia segura, planejada e testada por especialistas de verdade, capazes de dominar o seu campo de trabalho e de enfrentar com provas irrefutáveis os sofismas dos negadores sistemáticos. É uma batalha que se trava, o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, agora desenvolvido com todos os recursos da tecnologia.
Chega de pieguice religiosa, de palestras sem fim sobre a fraternidade impossível no meio de lobos vestidos de ovelhas. Chega de caridade interesseira, de imprensa condicionada à crença simplória, de falações emotivas que não passam de formas de chantagem emocional. Precisamos da Religião viril que remodela o homem e o mundo na base da verdade comprovada. Da caridade real que não se traduz em esmolas, mas na efetivação da fraternidade humana oriunda do conhecimento de nossa constituição orgânica e espiritual comuns, ou seja, da inelutável igualdade humana. De exposições sábias e profundas dos problemas do espírito, nascidas da reflexão madura e do estudo metódico e profundo. Temos de acordar os dorminhocos da preguiça mental e convocar a todos para as trincheiras da guerra incruenta da sabedoria contra a ignorância, da realidade contra a ilusão, da verdade contra a mentira. Sem essa revolução em nossos processos não chegaremos ao mundo melhor que já está batendo, impaciente, às nossas portas.
Não façamos do espiritismo uma ciência de gigantes em mãos de pigmeus. Ele nos oferece uma concepção realista do mundo e uma visão viril do homem. Arquivemos para sempre as pregações de sacristão, os cursinhos de miniaturas de anjos, à semelhança das miniaturas japonesas de árvores. Enfrentemos os problemas doutrinários na perspectiva exata da liberdade e da responsabilidade de seres imortais. Reconheçamos a fragilidade humana, mas não nos esqueçamos da força e do poder do espírito encerrado no corpo. Não encaremos a vida cobertos de cinzas medievais. Não façamos da existência um muro de lamentações. Somos artesãos, artistas, operários, construtores do mundo e temos de construí-lo segundo o modelo dos mundos superiores que explendem nas constelações.
Estudemos a doutrina aprofundando-lhe os princípios. Remontemos o nosso pensamento às lições viris do Cristo, restabelecendo na Terra as dimensões perdidas do seu Evangelho. Essa é a nossa tarefa.

domingo, 17 de março de 2013

Amar não significa sofrer...


A medida certa para quem ama é não temer, é mostrar ao outro o que sente, como pensa e age. Ao nos portarmos dessa forma, supomos ter perdido muito quanto à aparência externa ou à consideração alheia, mas teremos lucrado muita vezes mais em força interior, segurança, firmeza e respeitabilidade. Para que possamos ter relacionamentos agradáveis e gratificantes com os outros, é necessário primeiro que nos sintamos à vontade com nós mesmos.

“Em vez de permitir que alguém nos use e que vá além do razoável, magoando-nos de forma constante, estabeleçamos limites e aprendamos a legitimar nossa dignidade pessoal. É preciso desenvolver a arte de amar a si mesmo, para que se possa amar melhor os outros, pois, em se tratando do campo do sentimento, urge a necessidade de delimitar fronteiras e de jamais anular a própria identidade. Imolar-se em nome do amor, sendo massacrado emocionalmente por alguém simplesmente para manter um relacionamento destrutivo, é sinal de que se está amando a pessoa errada e de forma errada. Amar não significa sofrer.”
Hammed


domingo, 10 de março de 2013

É só fazer sua escolha...




Eu posso levar vantagem
Corrompendo a ordem
Das coisas com malícia
Ou...
Me dando a satisfação
Da honestidade digna

Eu posso levar vantagem
Competindo com todos
Para sobressair falsos encantos
Ou...
Satisfazer-me  com sabor
De minha própria consciência

Eu posso levar vantagem
Me fazendo de vítima
Para acusar os outros e me livrar
Ou...
Posso me dar o poder
De ter responsabilidade por mim

Eu posso levar vantagem
Sendo falso e dramático
Para encobrir o vazio
Em minha vida
Ou...
Posso me dar o prazer da força
De assumir meus sentimentos

Eu posso levar vantagem
Vivendo enganado
Para alimentar minha vaidade
Ou...
Ter o prazer de ser adulto
E me bastar com humildade

Levar vantagem
É o que todos querem
Uns se sugam,
Se matam,
Se frustram
Outros conquistam a paz
E a desfrutam
No jogo do ou... ou...
É só fazer sua escolha...
Luiz Gasparetto

domingo, 3 de março de 2013

É impossível contentar a todos...


A gênese do insucesso é a “atitude de querer agradar a todos”. Essa postura mental resulta da crença fundamentada na perfeição e pode nos levar diretamente à decepção, à adversidade e ao revés.

É impossível contentar a todos. Se fizermos ou deixarmos de fazer, sempre existirá alguém que fará uso de ironia e de expressões de duplo sentido, ou seja, utilizará as “cantigas de escárnio e maldizer”, cujo objeto da sátira será sempre a pessoa que se queira difamar.

Muitas pessoas passam várias horas do dia preocupadas em manter condutas uniformizadas, temerosas da reprovação ou pouco-caso dos outros. Improvisam situações e diálogos para atrair a aprovação alheia, e muitas, apesar de todo o desempenho e desgaste energético, nunca conseguem satisfazer a nada nem a ninguém.

[...] cabe só a nós desenvolver a própria existência, vivenciando os acertos e desacertos que as experiências da vida nos oferecem com aprendizado, e determinar o que é melhor e correto para nossa vida.

Hammed