domingo, 29 de setembro de 2013

Ser quem somos




“Ser quem somos significa aceitarmos nossa história de vida exatamente como ela é. Quer dizer, aceitarmos nossas condições – físicas, mentais e transcendentais – como são no momento presente. Isso nos facilita renovar, crescer e mudar para melhor.”

“A individualização do ser se dá a partir de um processo por meio do qual a criatura se torna consciente de seus aspectos singulares, ou mesmo quando se conscientizou de que essas características a diferenciam das outras pessoas. No entanto, ela sabe que não é melhor nem pior que ninguém; simplesmente se distingue das outras por suas particularidades.”

“Individualidade pode ser definida como o conjunto de atributos que constituem a originalidade, a unicidade de uma criatura, e que a distinguem de outras tantas; é o somatório das características inerentes à alma humana. Toda criatura que se individualizou tornou-se um ser homogêneo, pois não mais procura comparar-se com os outros; admite sua singularidade.”


Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto

domingo, 22 de setembro de 2013

Cuidar de si mesmo


“Ser bom não é ter uma vida associada à autonegação ou autonegligência, nem mesmo ajustar-se obsessivamente às exigência, nem mesmo ajustar-se obsessivamente às exigências e necessidades dos outros. Acima de tudo, o bondoso conhece e defende os próprios direitos, ou seja, sabe cuidar de si mesmo.”
“Ser bom não quer dizer que devemos interferir ou ficar presos nos problemas dos outros. Muitos de nós ficamos envolvidos numa generosidade compulsiva – atos de bondade motivados por sentimentos de culpa, obrigação, pena e de suposta superioridade moral.”
Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed

“(...) tornamo-nos justos praticando atos justos, moderados praticando ações moderadas, e corajosos praticando ações corajosas.”

Aristóteles – Ética a Nicômaco. Livro II

domingo, 8 de setembro de 2013

Escolhas: será que buscamos o que queremos?




“Pedimos de fato o que desejamos? Pode ser que nos darão tudo aquilo de que não gostamos.
Buscamos verdadeiramente nosso íntimo? Se não, acharemos coisas que nada têm a ver conosco.
Batemos na porta que queremos? Talvez abrirão portas pelas quais não queremos passar.
Se não sabemos o que queremos, para onde então estamos indo?
Como a Vida Maior vai facilitar a nossa caminhada se não sabemos qual é nosso rumo ou meta?
Pensemos bem, reflitamos: sentir e viver a vida interior é muito mais do que ficar pensando nela.”


Hammed

domingo, 1 de setembro de 2013

Quase



Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

 Um texto que “quase” é de Luis Fernando Veríssimo…

Na verdade trata-se de um texto de Sarah Westphal Batista da Silva, que circulou pela Internet como se fosse de Veríssimo e chegou a ser publicado em uma coletânea com com textos de Drumond, Bandeira e Clarisse Linspector no Salão do Livro de Paris